Viagem ao Paraguai (jun/2012)

Viagem ao Paraguai (1495km)

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Em resumo posso dizer que esta viagem serviu para confirmar a quebra de um grande preconceito, o de generalizar o Paraguai com o caos que é a região de fronteira com o Brasil, entre as cidades de Ciudad Del Este/PY e Foz do Iguaçú-PR/BR. Com certeza era um enorme erro, e teria que avaliar isso na prática, ou melhor In Loco.

Os lugares que conheci já apresentam estrutura para receber um turista com boa qualidade, mas nota-se que eles estão preocupados em melhorar,estão percebendo o potencial turístico que possuem e que podem gerar ainda mais divisas ($$$). Um exemplo é o Salto Monday, que fica a poucos quilômetros do centro de Ciudad Del Este/PY, e segundo um guarda-parque, dentro de 2 anos um ascensor (elevador) é para ser construído,  para acesso a base do salto, além deprojetos para construção de um hotel e um restaurante no parque.

Em todo o passeio sempre fui bem tratado e com cordialidade por nossos hermanos paraguayos, inclusive os temidos policiais, que em nenhum momento me pediram propina, como muitos dizem sofrerem tal abuso. Sorte? Talvez, mas creio e espero que muitas coisas melhorem e que todos possam desfrutar o turismo neste importante e belo país.

07/06/2012 – Cascavel/PR-BR a Encarnación-PY (472km)

O relógio despertou às 5:30h da manhã (horário de Brasília), uma manhã gelada, e segundo previsões chegaria próximo a zero grau de temperatura. Tomei café da manhã e como havia deixado a maior parte da bagagem arrumada, tive somente que verificar os itens faltantes e terminar de organizar as malas.

Estava usando um agasalho sob a roupa de motoqueiro (com forro), duas luvas e uma balaclava, ou seja, preparado para o frio. Estava saindo de Cascavel/PR-BR às 6:30h e seguindo pela rodovia BR-277 até a fronteira Brasil-Paraguai. Este trecho estava muito tranqüilo e em alguns pontos com uma leve neblina.

Por volta das 8:00h da manhã cheguei à Foz do Iguaçú/PR-BR, e faltando 1,5km para a aduana brasileira, enfrentei um pouco de congestionamento. Afinal era feriado de Corpus Christi e os turistas estavam ávidos por compras. Parei na aduana para registrar meu equipamento fotográfico (câmera e lentes). Informaram-me que o procedimento foi alterado, a pessoa pode sair do país com seus bens sem o registro, mas na volta, em caso de fiscalização, é necessário apresentar os comprovantes fiscais de aquisição (Notas Fiscais / DARF). Como estava com os documentos sai sem preocupação.

O horário paraguaio é uma hora a menos que o horário de Brasília, e a partir deste ponto é o horário que utilizarei no texto, enquanto estiver em solo paraguaio.

Um pouco mais de trânsito na Ponte da Amizade e cheguei a Migração paraguaia (8:00h), onde fiz o registro da minha entrada no país em meu passaporte.

Parei num posto de combustíveis (Esso) à esquerda na primeira rotatória em Ciudad Del Este/PY, era um ponto estratégico para deixar a moto e ir fazer “cambio” de Reais por Guaranis (Cambios Chaco). No dia a cotação era G$ 2110 para cada R$1,00.

Voltei para o posto de combustíveis, fiz um breve lanche e o primeiro abastecimento da viagem depois de percorrer 145km. Havia três opções de gasolina 2000, 5000 e 8000, optei pela intermediária que o preço por litro era equivalente a mais de R$3,50 (caro não?!).

Segui para o primeiro ponto turístico a ser visitado na viagem (8:45h), era o Salto Monday, a 8km dali na cidade de Puerto Presidente Franco/PY.  Este é o maior salto do Paraguai depois do desaparecimento das “Sete Quedas” com 45m.

Fui acompanhado pelo guarda-parque Esteban, que me explicou a intenção do governo em estruturar o parque e cada vez mais melhorar a recepção aoturista.

Ele também me sugeriu que evitasse conhecer sozinho o Salto Ñacunday, devido a estrada de chão (que inicia-se em Los Cedrales/PY) não ser das melhores e aos conflitos agrários que estão ocorrendo na região. Acabei concordando com ele e o tempo perdido na fronteira também pesou um pouco na decisão.

Na volta para a moto, encontrei outro guarda “apaixonado” pela Lis (minha moto), ambos  teceram vários elogios a V-Strom DL650. Fato muito comum em toda a viagem, a moto chamava muito a atenção e isso me preocupava um pouco.

Na saída tive um problema com o zíper da jaqueta de motoqueiro (travou). Depois de resolvido o contratempo despedi dos atenciosos guardas e voltei para a estrada, eram quase 10h da manhã (horário paraguaio).

No caminho até a Ruta Nacional 7 (RN7) passei pela cidade, e comecei a conhecer um pouquinho mais do Paraguai, ou seja, vi muitas carnicerias (açougues),  chiperias (vendas de chipas), despensas (mercearias), gomerias (borracharias), talleres (oficinas mecânicas), repuestos (auto(moto)-peças), etc.

Quando estava na rodovia RN7, o zíper da jaqueta estragou e não consegui arrumar. Imagine com aquele frio e estava sem minha principal proteção. Continuei tentando dar um jeito de fechar a jaqueta, muitas vezes fazendo a mão esquerda cumprir o papel de zíper.

Em Minga Guazu/PY acessei a rodovia RN6, e continuei passando frio. Até resolver parar e remediar a situação. Usei abraçadeiras de nylon para fechar a parte inferior no zíper da jaqueta e desta forma resolver parcialmente o problema. A maior dificuldade passou a ser colocar e tirar a “blusa” de motoqueiro.

Passei por Santa Rita/PY às 11:15h da manhã, esta cidade foi fundada em 1973 por colonos brasileiros. A região é repleta de lavouras e possui muitas unidades armazenadoras de grãos, e os equipamentos da empresa que trabalho (Comil) estão em muitas delas. Tentei encontrar a empresa de um dos nossos representantes, mas não consegui.

A rodovia RN6 estava muito bem conservada e apresenta poucas curvas, o trânsito por ela foi muito tranqüilo.

Na região de Bella Vista/PY a plantação predominante era a erva mate, dando a ela o título de “Capital de La Yerba Mate”. Nesta cidade fiz mais um abastecimento e um pequeno lanche antes de seguir para as “Missões Jesuíticas”.

Cerca de 5km após a cidade de Hohenau/PY, tomei o acesso asfaltado a direita para Jesús/PY e mais 11km encontrei as ruínas da Missão Guarani de Jesús de Tavarangüe.

Em território paraguaio foram erguidos oito povoados, que ficaram conhecidos como Reduções Jesuíticas. Foram implantadas pela Companhia de Jesus entre os anos de 1587 e 1768 ao todo 30 reduções (incluindo Argentina e Brasil) às margens do Rio Paraná, desde o Rio Iguaçú até a confluência com o Rio Paraguai.

Esta redução foi fundada em 1685 e declarada em 1993 como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. A igreja que possuiria uma nave de 70m de comprimento por 24m de largura estava em construção quando da expulsão dos jesuítas.

Na entrada o recepcionista me passou algumas informações, me vendeu o ingresso para acesso aquela Missão e com direito a conhecer outras duas (Trinidad e San Cosme y Damián) em até três dias. O custo foi de G$25000, menos de R$12,00.

Eram por volta da 14:00h quando comecei o passeio pelas ruínas, distribuídas num enorme terreno. De inicio passei pela “Plaza Mayor” (praça principal) um enorme gramado, e após cruzar com algumas árvores acessei o interior da “Iglesia” (igreja).

No interior da igreja, como o sol estava um pouco baixo e a sombra atrapalhou um pouco, mas nada que tirasse o encanto do lugar. Ao fundo se avistava um pequeno altar e nas laterais duas filas com sete colunas parciais (inacabadas). Toda a edificação em tom marrom era grandiosa e apresentava muitos detalhes nela esculpidos.

Os índios guiados pelos jesuíticas extraíram junto as margens do Rio Kambay a 150m da redução, num canteiro denominado Itakuare, as pedras utilizadas na construção desta incrível obra.

Na parte externa ao lado esquerdo da igreja, há um cemitério. Os outros setores do complexo, o Claustro, o Colégio e a Casa dos Índios, estão à direita do templo.

Terminado o passeio (14:45h), passei no centro da cidadezinha e segui para Trinidad/PY, para explorar a próxima missão jesuítica.

Ao reencontrar a rodovia RN6 são mais 350m para o acesso a missão de Santíssima Trinidad Del Paraná. Percorrendo 800m em ruas de paralelepípedos chega-se a entrada da redução (15:10h).

Esta é a maior missão jesuítica que visitei e passear por suas ruínas é um bom exercício para o corpo e a mente. Também declarada em 1993 pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Comecei pelo lado esquerdo do terreno, e fui contornando até encontrar a entrada da igreja, que aparenta ser ainda maior que a da igreja da missão de Jesús.

No centro da igreja, uma área é formada pelo piso original, possui um altar de pedra e uma cripta.

A sombra atrapalhava um pouco as fotografias, mas em compensação a luz solar daquele horário dava um tom belíssimo às paredes da construção.

Continuando ao lado do templo o Museu Jesuítico com 31 peças de talhas em pedra, nichos e retábulos, e o Museu Lítico com material proveniente de escavações arqueológicas.

Durante o passeio conheci duas turistas (mãe e filha), e trocamos gentilezas com as fotos.

Segui até o lado direito do terreno, onde possui uma pequena capela e voltei para a entrada da missão (16:05h).

Nesta missão às 19:30h existe a apresentação do espetáculo “som e imagem”, incorporando iluminação especial e som as ruínas. Deixando o lugar ainda mais espetacular.  Como tinha que seguir, deixa para a próxima oportunidade.

Conheci uma brasileira erradicada a 15 anos no Paraguai, conversamos um pouco, quando uma senhora fez a propaganda para conhecer Ita Cajón, o lugar onde os índios retiram as pedras para edificar a missão jesuítica. Estava na dúvida devido ao cansaço e horário, mas resolvi conhecer o lugar.

Sinceramente vale por conhecimento, mas cansado e depois de conhecer a missão jesuítica, fazer uma trilha e passar por pontos para ver rocha “cortada” é um pouco forçado.

De volta a moto, passei por um desvio em estrada de chão e voltei para a rodovia RN6 rumo a Encarnación/PY, uma antiga cidade fundada em 1615 às margens do Rio Paraná, a 370km de Asunción/PY.

Cheguei à cidade pouco mais das 17:00h e estava escurecendo. Encontrei o Hotel Cristal com a ajuda do meu grande amigo GPS. Depois do banho, passeei pela “Plaza de Armas” e jantei num restaurante ao lado do hotel.

A temperatura estava por volta do 6ºC, estava frio e no dia seguinte prometia ser ainda mais.

Gastos no dia:

  • 04/06/2012 – R$ 71,12 – Seguro Carta Verde Paraguai
  • 07/06/2012 – R$  9,20 –   Pedágios Cascavel-Foz do Iguaçú
  • 07/06/2012 – G$ 100.000,00 – Combustível DL650 V-Strom (29989km – 13,187l – R$/l) Esso – Ciudad Del Este/PY (R$47,39)
  • 07/06/2012 – G$ 15.000,00 – Coca+Empanada (R$ 7,11)
  • 07/06/2012 – G$   5.000,00 – Entrada Parque Salto Monday (R$ 2,37)
  • 07/06/2012 – G$ 105.000,00 – Combustível DL650 V-Strom (30242km – 15,275l – R$/l) Esso – Bella Vista/PY            (R$ 49,76)
  • 07/06/2012 – G$   5.500,00 – Capuccino+Chocolate (R$ 2,61)
  • 07/06/2012 – G$  25.000,00 – Mapa Paraguay Ocidental (R$ 11,85)
  • 07/06/2012 – G$  25.000,00 – Ingresso 3 Missões (R$ 11,85)
  • 07/06/2012 – G$  20.000,00 – Ingresso Ita Cajon (Trinidad-PY) (R$ 9,48 )
  • 07/06/2012 – G$  85.000,00 – Hotel (Encarnación-PY) (R$ 40,28)
  • 07/06/2012 – G$  20.500,00 – Jantar (R$ 9,72)

08/06/2012 – Encarnación-PY a Asunción/PY (513km)

Como não poderia ser diferente, amanheceu muito frio. Segundo me informaram, na madrugada em Encarnación/PY chegou a -2ºC. Com certeza era uma “ótima” época para passear de moto!

Levantei às 7:00h (horário local) e fui tomar café da manhã oferecido pelo hotel. Esta noite não havia dormido muito bem, meu pescoço estava todo dolorido e voltara a sentir uma dor muscular na região do ombro que fazia duas semanas que me torturava. Portanto não estava nas melhores condições físicas para viajar, mas o esforço valia a pena.

Saí do hotel pouco antes das 8:00h da manhã, a temperatura estava por volta dos 6ºC. Segui para a orla da cidade, às margens do Rio Paraná.

A infra-estrutura da orla me chamou a atenção, de ruas e calçadas largas, muito limpas e organizadas. Do outro lado do Rio Paraná, esta a Argentina e a cidade de Posadas/RA. O acesso entre os dois países se dá pela monumental Ponte Internacional San Roque González de Santacruz com 2550m de extensão.

Depois de passear um pouco pela orla, fui para a saída da cidade, passei por duas pontes e estava na Ruta 1 sentido a Asunción/PY.  Nesta região observei mais pastagens e muitas “Chiperias”. A chipa ou pão paraguaio lembra o pão de queijo mineiro, mas possui sabor diferente e é mais consistente, no seu preparo usa-se o polvilho e o queijo.

Após a cidade de Coronel Bogado/PY, quando tirava fotos à margem da rodovia. Um carro, voltou em marcha ré até mim. Fiquei só observando, era um brasileiro que ao ver a placa da moto, resolveu parar para me conhecer. Ele tinha uma empresa de beneficiamento de arroz a poucos quilômetros dali (infelizmente esqueci seu nome).

Poucos quilômetros a frente acessei a estrada asfaltada para a cidadezinha de San Cosme y Damián/PY a 27km da rodovia RN1. Faltando 5km parei para  fotografar o Canal de Aguapey, que é uma obra grandiosa e faz parte do Complexo  Hidroelétrico Yacyreta-Apipe. Conversei alguns minutos com um curioso menino que passeava de bicicleta.

Em San Cosme y Damián/PY (10:00h) parei no receptivo do Centro de Interpretação Astronômica Buenaventura Suaréz, apresentei a entrada e a guia Marilia me acompanhou até a Missão Jesuítica.

A Missão foi fundada em 1632 pelo italiano P. Adriano Formosa, em território brasileiro e em 1760 foi estabelecida neste lugar, com o objetivo de fugir dos bandeirantes e ter melhores condições de vida. Em 1767 os jesuítas foram expulsos.

Começamos o passeio pelo interior da igreja, que possui várias imagens de madeiras talhadas policromadas, algumas foram feitas em meio corpo (só a parte superior foi feita). Não é permitido tirar fotos com flash, para preservar e não danificar as cores.

A bela guia me explicou (em espanhol) muitos detalhes das obras e algumas características dos personagens que elas representavam, como São João Batista, São Sebastião e São Dionísio.

A igreja ainda guarda uma poltrona utilizada pelo Papa João Paulo II, quando de sua visita.

Continuamos o passeio, fui observando e registrando os detalhes da construção das instalações da redução.

Na parte externa um relógio de sol de 85x90cm se destaca, principalmente pela precisão. A guia leu as horas projetada pela sombra, eram 10:30h no relógio de pedra, e em seu relógio de pulso 10:33h, bem  preciso, não?

Fomos até o pórtico na entrada do complexo, era a imagem que mais encontrava nas minhas pesquisas sobre o lugar.  A estrutura original do pórtico foi destruída pelo vento e depois reconstruída. Os blocos na cor marrom são os originais e os blocos claros foram feitos na restauração. Na parte superior podem-se observar alguns símbolos jesuíticos com o morcego, a concha, os anjos e os cálices.

Voltamos para Centro de Interpretação Astronômica, onde outro guia me acompanhou. Começamos observando o sol através de um telescópio com hidrogênio, que permitia ver as explosões solares na borda do Astro Rei.

Numa sala o guia passou alguns vídeos sobre a visão dos índios guaranis sobre as estrelas. Ele apresentou um software com a posição das constelações no céu e falou sobre o patrono do lugar.

Buenaventura Suaréz foi um padre jesuíta e dedicou sua vida a estudos astronômicos. É o primeiro astrônomo do hemisfério sul a estudar os corpos celestes. Em razão dos poucos recursos da época, utilizou de improviso com os materiais disponíveis, como bambu, madeira e cristais  de quartzo. Escreveu o Lunário de un Siglo, que predizia com precisão as datas, os horários e as durações dos eclipses solares e lunares na região das missões para os anos de 1740 a 1840.

O guia me mostrou uma espécie de planetário, o aparelho representa a posição das constelações. Originais como este, existem apenas outros três aparelhos no mundo.

Fomos até um planetário moderno, onde se podem projetar as posições das estrelas em qualquer dia do ano. Demora um pouco para os olhos se acostumarem com a escuridão e começar a observar as constelações projetadas na cúpula do planetário. É muito interessante e é difícil voltar a ver o céu com os mesmos olhos depois desta visita.

Na seqüência ele me apresentou um telescópio eletrônico com ampliação de 70x, mas somente a noite pode-se utilizá-lo. Fica para a próxima.

A visita terminou às 11:40h e segui para a estrada. Retornando 3km pela mesma rodovia da chegada, acessei uma estrada para a barragem da hidroelétrica de Yacyreta-Apipe. Para entrar é necessário registrar a entrada.  Pode-se chegar a Ayolas/PY por uma estrada paralela ao Rio Paraná, mas como é de chão, preferi evitá-la. O guarda me autorizou a entrar alguns metros e por apenas 5min, já que é uma área de segurança.

Voltei para a estrada e segui para rodovia RN1.

Fui parado a primeira vez na viagem pela policia, o guarda  me pediu os documentos e fez muitas perguntas sobre a moto, e claro elogiou a máquina. Fiquei esperando ele pedir proprina, mas ele me mandou seguir viagem.

Segui 17km até Santiago/PY pela RN19, a estrada estava bem conservada e também leva à cidade de Ayolas/PY, o único perigo eram os muitos animais ao lado da rodovia.

Da antiga redução, apenas a Casa de Índios ainda resta, e hoje é um museu (que estava fechado). Queria conhecer o interior da igreja, ao lado do museu, que abriga o único retábulo jesuítico completo que fica no país, mas a igreja abriria somente às 15:00h, naquele momento era um pouco mais de uma da tarde. A viagem deveria seguir (uma pena!).

Cheguei a Santa Rosa de Lima/PY, segui para a praça central da cidade. Ao lado da Capela Nossa Senhora de Loreto, tem o Campanário Jesuítico original com 20m de altura. Na praça uma fonte de ferro é o destaque. Enquanto fotografava, dois rapazes teceram muitos elogios a moto, a ponto de eu ficar um pouco constrangido e desconfiar de suas  intenções.

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Na saída da cidade, parei para abastecer e aproveitar para comer e beber algo, era 13:53h e ainda faltava 250km para Asunción/PY e mais duas missões para conhecer.

De volta a estrada RN1, faltando 3km para chegar a San Ignácio Guazú/PY tomei uma estrada asfaltada à direita de 10km para Santa María de Fé/PY. Com a informação de um senhor encontrei o Museu Jesuítico, que usa parte da antiga Casa de Índios, estava fechado. Se quiser conhecê-lo pode-se chamar o responsável, que mora próximo dali e ele abre o museu.

Com o museu fechado, conheci a bela igreja, que possui duas imagens com mais de 350 anos.

Quando estava fotografando a cruz de fundação da cidade, o irmão André, um religioso brasileiro que vive ali num mosteiro, veio conversar comigo. Deu-me algumas dicas e informações.

Voltei para moto, passei em frente ao mosteiro com fachada em estilo jesuítico, onde vive o irmão André e segui para San Ignácio Guazú/PY.

San Ignácio é a mais antiga redução jesuítica, foi fundada em 1609. Fui até a praça onde fica a bela catedral de 1935. Em função do tempo, não entrei no museu (que fica ao lado da igreja, sem muita sinalização).

Por volta das 15:30h estava partindo para Asunción/PY, ainda teria uma hora e meia antes de escurecer. As paradas foram poucas, numa delas para colocar os óculos de sol.

Faltando aproximadamente 120km para chegar a capital federal, o sol de pôs e com a proximidade da maior cidade do pais, o fluxo de veículo aumentou muito. Estava bem complicado pilotar, nesta estrada desconhecida e movimentada.

Parei novamente numa blitz e o guarda rapidamente conferiu meus documentos. Perguntei a ele sobre a chegada a Asunción/PY e disse para seguir pelo Contorno Sur (Sul).

Pouco a pouco fui entrando na cidade, era horário de pico por volta das 18:30h e em alguns pontos com engarrafamentos. Estava um pouco frio, fazia 6ºC.

Finalmente às 19:30h encontrei o Hotel Zaphir que havia previamente registrado suas coordenadas no GPS. Isso me auxiliou muito, e não perdi muito tempo.

Optei por um apartamento com vista para o Rio Paraguai, o preço estava razoável, mais ou menos R$80,00. E estava na região central da cidade.

Tive um problema com o aquecimento da água do chuveiro, não liguei um interruptor e acabei tomando banho frio, ou melhor, gelado. Foi um dos banhos mais rápidos que tomei.

Precisava comer algo, e por sugestão do recepcionista do hotel, fui a Choperia del Puerto, onde apreciei a famosa “Sopa Paraguaya”, que é algo parecido com uma torta de milho (salgada) com queijo, e não uma sopa.

Voltei para o hotel e fim do segundo dia de viagem!

Gastos no dia:

  • 08/06/2012 – G$ 120.000,00 – Combustível DL650 V-Strom (30548km – 17,392l – R$/l) BR – Santa Rosa/PY  (R$ 56,87)
  • 08/06/2012 – G$  11.000,00 – Coca+Água+Empanada (R$ 5,21)
  • 08/06/2012 – G$ 340.000,00 – Hotel (Asuncion-PY) 2xG$170.000 (R$ 161,14)
  • 08/06/2012 – G$  60.000,00 – Sopa Paraguaya+Milanesa c/Papas+Cerveja   (R$ 28,44)

09/06/2012 – Asunción/PY (21km)

A temperatura pela manhã estava por volta dos 6ºC e no período da tarde a temperatura subiu para 20ºC e o tempo ficou um pouco fechado, parecia mais fumaça do que nuvens.

Acordei bem disposto (sem dores) e depois do café da manhã, estava com o roteiro que queria fazer na cabeça, desci para a recepção e comecei a questionar o funcionário do hotel. Ele me deu uma dica fantástica. Sugeriu fazer um passeio de barco pelo Rio Paraguai até um povoado chamado Chaco’I, existe uma linha regular de barcos que faz o percurso a cada 20 minutos e o melhor de tudo a um preço de G$ 3000 (três mil guaranis, cerca de R$1,42).

Resolvi fazer o passeio de barco e depois continuar meu roteiro, e isto foi uma ótima escolha. Segui caminhando três quadras até o fim da Av. Cristóbal Colón, e cheguei à Aduana / Porto do Rio Paraguai (ANNP). Descendo uma escadaria e chega-se às margens do Rio Paraguai e aos barcos.

Esperei cerca de 15min. até às 9:00h da manhã para o início do passeio. O barco era bem simples, mas a principio seguro e com vários coletes salva-vidas. Além do capitão foi apenas mais um passageiro, ou seja, fiquei muito a vontade para fotografar e filmar ambos os lados da embarcação.

O passeio de 30min. pela baía de Asunción/PY foi muito agradável, se observava várias embarcações principalmente às margens do rio e uma vista privilegiada da capital paraguaia. Um dos pontos mais interessante é um barco naufragado, já sendo corroído pelas águas do Rio Paraguai.

Chegando a Chaco’I/PY, resolvi explorar um pouco o local. Tomei uma rua de chão e segui para o possível centro da cidade. Parei numa vendinha (despensa), pedi um refrigerante para uma senhora e perguntei se o centro estava longe. Ela me disse, que ali era o centro e não havia muita coisa para ver mais adiante. Fiquei um pouco desconcertado com a pergunta, tomei uma cadeira na calçada e curti meu refrigerante enquanto escutava música que vinha de uma casa ao lado (tinha até trilha sonora…rs!).

Voltei para o barco e para a capital, desta vez com a companhia de mais passageiros. Cheguei ao porto de Asunción/PY às 10:25h, onde havia uma pequena feira de artesanato local.

Segui pela Calle (Rua) Pres. Manuel Franco até a Rua 14 de Mayo, onde fica o Museu Casa de La Independencia, que aos sábados é aberto até uma da tarde e a entrada é franca. O edifício é de 1772 e é onde foi planejada Independência do Paraguai (1811), o museu possui em seu acervo móveis e artigos de época, distribuídos em 5 salas, um Salão “Capitular” e um “Callejón” (Ruela) Histórico. Infelizmente não pude registrar muitas fotos, uma senhora disse que poderia tirar apenas uma foto por sala (isto pra mim é uma tortura!).

Continuei pela Rua Manuel Franco até a Rua Chile, e uma quadra a direita está a Rua Palma e o Panteón Nacional de Los Héroes (Panteão dos Heróis). A entrada também é gratuita e a fotografia é liberada. Neste local estão enterrados os heróis de guerra paraguaios, como Francisco Solano Lopez, Dom Carlos A. Lopez e Jose Eduvigis Diaz.

Conversei um bom tempo com o Sr. Ruben, que é guia turístico e trabalha ali. Explicou-me a intenção do país de explorar cada vez mais o turismo e disse se surpreender com o número de brasileiros que visitam Asunción/PY e nunca imaginaria tal número tempos atrás. Falei-lhe sobre o “preconceito” que tinha e que acredito a maioria dos brasileiros tenham sobre o Paraguai, principalmente associando Ciudad Del Este/PY com o restante do país (isto é muito equivocado) e do meu medo quanto à corrupção dos policiais, que poderíam exigir propina (o que não ocorreu em nenhum momento da viagem). Ele afirmou conhecer tais conceitos sobre seu país e que estão melhorando estes aspectos, e no futuro esperam melhorar a imagem de seu país. Creio que eles estão no caminho certo.

Caminhei pela Plaza de La Independencia (Consituición), um local bem movimentado e com vários vendedores e barraquinhas, oferecendo diversos produtos com bandeiras paraguaias, camisas de times de futebol, refrigerantes, comida típica e artesanato.

Duas quadras abaixo no cruzamento das Ruas Independencia Nacional com El Paraguayo Independente, fica a Catedral construída no século XIX.

Continuando entrei no Palácio Legislativo (El Cabildo), onde possui um museu aberto a visitação. Os destaques são os artigos comemorativos ao bicentenário (2011) e ao centenário (1911) da independência paraguaia. Numa ante-sala estão dispostas todas as bandeiras adotadas até hoje pelo Paraguai. Quando questionei um funcionário porque via sempre duas bandeiras com o símbolo central diferente, ele explicou-me que a bandeira paraguaia atual possui em cada lado um emblema central diferente. Um lado com a estrela de Maio que representa a data da independência e na parte de trás o Selo do Tesouro Paraguaio (um leão segurando uma vara com um barrete vermelho) significa a defesa da liberdade nacional.

Segui pela Rua El Paraguayo Independente, passei pelo Congreso Nacional e cheguei ao Palacio de Gobierno. Não é permitido, ultrapassar a calçada, um guarda evita a entrada. O belo palácio pertencia à família de Solano Lopez, foi construído em 1892 e é inspirado no Palácio de Versalhes de Luis XIV.

Passei pela Plaza de los Desaparecidos e por uma escadaria cheguei a uma área que vai até no Rio Paraguai, ali havia uma pequena praça e um heliporto e se tinha a vista da parte posterior do Palacio de Gobierno. Outro guarda não permitiu chegar muito perto (chamou a atenção com um apito) e pediu para seguir por uma rua lateral.

Eram 12:45h quando cheguei ao hotel, como estava com fome resolvi sair de moto, passar em algum restaurante e depois seguir para o Museu Centro de Artes Visuales Museo Del Barro. O recepcionista do hotel me alertou que na cidade é obrigatório usar uma jaqueta especial para motoqueiros (com refletivos). Como não tinha tal roupa resolvi arriscar.

Fui até numa churrascaria na Rua Palma com a Rua 15 de Agosto, optei pela opção por quilo. Ali teve uma situação desagradável com um cidadão (pelo jeito era um brasileiro mal educado). Deixei minha mochila numa mesa, enquanto me servia, o individuo simplesmente trocou minha mochila de mesa e se estabeleceu ali. Na volta, passei encarando ele e o garçom, fazendo questão de deixar claro minha fúria. Ele olhou para minha direção, e fez um gesto como se pedisse desculpa pela situação. Simplesmente relevei, ainda bem que não ando armado…rs!

Após o almoço, começou meu city-tourde moto, a cidade estava relativamente tranqüila. Segui pelas avenidas Mariscal Francisco López, España e Aviadores Del Chaco e no trajeto sempre avistava edifícios e mansões antigos. Outro detalhe é que em muitas ruas não havia sinalização para parada nos cruzamentos e isto atrapalhou um pouco, mas motoqueiro sempre se adapta muito facilmente.

Ao chegar ao Museu “Del Barro” na Calle 1 com Callejón Canada, às 14:20h, o mesmo estava fechado. Estranhei um pouco já que meu guia constava que aos sábados deveria estar aberto até a 20h. Então voltei ao para o hotel.

No caminho, ao parar em um semáforo, uma mulher pediu para limpar o pára-brisa da moto, falei que não precisava já que no outro dia sujaria novamente. Ela me pedia “una moneda” (uma moeda), como lhe disse que não tinha, ela me disse “puede ser un billete entonces” (pode ser uma nota então). Simplesmente sorri!

Regressei ao hotel, pouco antes das 15:00h e iria começar o jogo Brasil e Argentina,  que dúvida, abri uma latinha de cerveja e comecei a assisti o jogo. A decepção foi ter sido o placar final de 4 a 3 para os adversários, mas faz parte.

A noite, depois do banho quente (desta vez), fui até o mesmo bar da noite anterior. E desta vez experimentei a “Chipa-Guazú”, outra iguaria paraguaia, semelhante a “Torta Paraguaya”, mas feita com “choclo“ (um tipo de milho). Terminei minha cervejinha e voltei para o hotel.

Gastos no dia:

  • 09/06/2012 – G$   6.000,00 – Passeio Barco Chaco-Í 2xG$3000 (R$ 2,84)
  • 09/06/2012 – G$   4.000,00 – Coca (Chaco-Í) (R$ 1,90)
  • 09/06/2012 – G$  37.600,00 – Churrascaria (R$ 17,82)
  • 09/06/2012 – G$  20.000,00 – Chipa-Guasu+Cerveja (R$ 9,48)

10/06/2012 –  Asunción/PY a Cascavel-PR/BR (489km)

O dia amanheceu bem diferente dos outros três dias da viagem, um pouco mais quente com seus 12ºC de temperatura e chuviscando. Isto me fez mudar o plano inicial, ou seja, deixaria de conhecer o Cerro Koi (tem um pouco de estrada de chão) e não exploraria o Lago Ypacarai como gostaria. Como em minha viagem, eu estava muito satisfeito com o que já havia conhecido não me importei muito.

Depois do café da manhã, arrumei as malas, coloquei minha capa de chuva, acertei o consumo extra do frigobar do hotel e às 8:05h da manhã estava partindo rumo a minha amada terra.

As ruas estavam molhadas, que deixava a pilotagem um pouco perigosa, a cidade estava praticamente vazia. Parei para abastecer e pedir mais algumas informações.

Sai da capital paraguaia por Luque/PY, onde fica a Sede da Conmenbol (Confederação Sul-americana de Futebol).

Passei ao lado do Lago Ypacarai e em Ypacarai/PY acessei a rodovia RN2 sentido a Ciudad Del Este/PY.

Em Caacupe/PY, que é a capital espiritual do país, fica a Basílica de La Virgen de Caacupe (a patrona do Paraguai). Todos os anos no dia 8 de dezembro a Basílica recebe milhares de peregrinos.

Por sorte encontrei sem dificuldades o templo, já que o GPS não possuía o mapa da cidade. Ao parar na parte posterior da igreja, um garoto me deu algumas dicas, uma delas é que se pode visitar a torre da igreja ao término da celebração da missa, de lá se têm uma visão panorâmica da região.

Fui até a frente da igreja, passando por uma pequena feira. Havia muitas pessoas no lado de fora e principalmente acompanhando a missa dominical no interior do grandioso templo. Acompanhei alguns minutos o culto, e voltei para a moto.

Aproveitar para experimentar finalmente a Chipa Paraguaya, e ao meu gosto está aprovada!

Como o tempo não estava dos melhores, não quis ir até a torre da igreja e resolvi seguir viagem.

Em Itacurubi de La Cordillera/PY passei pelo maior susto de toda a viagem. Um motoqueiro com uma criança no tanque de uma pequena motocicleta cruzou a pista na frente de um fila de veículos que vinham em sentido contrário e entrou na minha frente. Como estava molhado o asfalto, não consegui parar e tive que jogar para o acostamento e rezar para que o imprudente não fizesse o mesmo. Por sorte, passei pela direita enquanto ele mantinha sua posição. Que susto!

Na entrada da cidade de Coronel Oviedo/PY vi uma churrascaria e resolvi almoçar, era pouco mais de 11:00h da manhã. Enquanto almoçava uma família paraguaia, pediu para tirar fotos na Lis, desde as mulheres até as crianças ninguém resistiu. Na seqüência vieram conversar comigo. Realmente a moto estava fazendo o maior sucesso com os paraguaios.

A partir do cruzamento das rodovias RN2 com a RN8, passei a seguir pela Ruta Nacional 7 (RN7) e continuei os quase 200km até Ciudad Del Este/PY sem problemas. Parei no mesmo posto paraguaio da ida para abastecer novamente e comer algo.

Passei pela migração paraguaia, para dar baixa no passaporte. Segui para a Ponte da Amizade e estava voltando para o Brasil, as 15:06h no horário de Brasília (uma hora a mais em relação ao Paraguai).

Mais dois pedágios e 140km estava chegando em casa e fim de mais uma bela e inesquecível aventura!

Grato a los Paraguayos!

Gastos no dia:

  • 10/06/2012 – G$  15.000,00 – Cervejas Hotel (R$ 7,11)
  • 10/06/2012 – G$ 130.000,00 – Combustível DL650 V-Strom (30855km – 17,230l – R$/l) BR – Asunción/PY (R$ 61,61)
  • 10/06/2012 – G$   1.000,00 – Chipa (Caacupe-PY) (R$ 0,47)
  • 10/06/2012 – G$  33.000,00 – Almoço (Coronel Olviedo-PY) (R$ 15,64)
  • 10/06/2012 – G$ 147.000,00 – Combustível DL650 V-Strom (31194km – 19,378l – R$/l) Esso – Ciudad Del Este/PY (R$ 69,67)
  • 10/06/2012 – G$  14.000,00 – Capuccino+Chocolate+Media Luna (R$ 6,64 )
  • 10/06/2012 – R$ 9,20 – Pedágios Foz do Iguaçú-Cascavel

Total Gastos:

  • COMBUST.                     R$    285,30
  • PEDÁGIOS                     R$       18,40
  • LANCHES/BEBIDAS    R$       23,94
  • REFEICAO                     R$       81,10
  • HOTEL                            R$    201,42
  • MANUT.                         R$          –
  • LAZER                            R$       33,65
  • OUTROS                        R$       82,97

TOTAL                                R$   726,78

Hotéis:

  • Hotel Cristal / Rua Mariscal Estigarribia, 1157 / Encarnación-PY / hotelcristal@click.com.py
  • Hotel Zaphir / Rua Estrella, 955 / Asunción-PY / hotelzaphir@gmail.com

Referências:

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