Chapada dos Guimarães e Transpantaneira (abr/2012)

01º Dia – 29/03/2012 – Cascavel/PR a Campo Grande/MS (687km)

Esta viagem começou as 6:00h da manhã de uma “madrugada” de outono cascavelense, ou seja, fria. Os preparativos restantes foram poucos já que na noite anterior havia preparado o máximo possível para evitar maiores contratempos. Tudo preparado e verificado, o jeito era para o desconhecido.

Corria tudo bem, moto carregada, equilibrada, ligada e vamos embora. Na saída do prédio, quando saia da garagem o alforge da moto resvalou numa coluna do prédio e caí com tudo. Não havia melhor forma de começar a viagem, com um tombo. Levantei a moto com um pouco de dificuldade devido ao peso e notei que o farol alto ficava oscilando.

Com precaução, decidi passar na Concessionária da Suzuki, para verificar o problema. Como abria as 8:00h da manhã, fiquei aguardando. Quando os mecânicos chegaram, verificaram o problema: como o manete entortou um pouco, encostava no lampejador e este era o motivo da “oscilação”.

Depois do contratempo, as 8:15h estava finalmente seguindo viagem. Seguir rumo a Toledo/PR pela rodovia BR-467 e a partir Marechal Cândido Rondon/PR pela rodovia BR-163, sem problema algum, já este trecho da estrada por mim era bem conhecido. Depois de Marechal Cândido Rondon/PR, passei por três barreiras de reformas na rodovia, e em todas não tive muito sorte, esperei a liberação.

Por volta das 10:00h da manhã passei por Guaíra/PR e para o estado sul-mato-grossense. A rodovia BR-163 estava em ótimas condições de conservação e foi a via de trânsito no restante do dia.

Faltando 25km para Naviraí/MS, mais um bloqueio na estrada. Imaginei que fosse outra reforma ou um acidente, como a rodovia estava boa, a chance de ser um acidente era maior. Enquanto estava no comboio e conversava com um motorista, outro no sentido oposto nos avisou que era um bloqueio do MST (Movimento dos Sem-Terra) e era para nós tomarmos um desvio por uma estrada de chão, seguindo onde estivesse mais amassado. Os carros seguiram a frente e fui atrás com um pouco de dificuldade e receio, quase caindo em várias oportunidades naquela estrada de chão que as vezes era de areia, além de estar um pouco molhada.

Quando voltamos para a rodovia, outro bloqueio agora dos caminhoneiros que entraram na onda de protestos e também queriam protestar (mesmo sem razão). Com cuidado, um pouco de jeito e desvios, escapei do bloqueio e segui viagem.

Em Naviraí/MS entrei na cidade e busquei um posto de combustíveis para o primeiro abastecimento do dia e da viagem. O atendente do posto me alertou sobre outro possível bloqueio do MST, mas isto não se confirmou. Segui sem maiores problemas rumo a Campo Grande/MS, a capital do estado do Mato Grosso de Sul.

O clima que no início do dia estava frio, já bem quente. Para pilotar moto estava muito bom. Fiz mais uma parada para abastecimento em Rio Brilhante/MS e na entrada de Campo Grande/MS.

Fui até o centro da cidade, mais precisamente até a Av. Afonso Pena, onde percorri boa parte dela, antes de encontrar o hotel. Depois de instalado, as 16:30h (horário local) fui até o parque das Nações Indígenas. Visitei o MARCO (Museu de Arte Contemporânea) e o restante do parque.

Voltei para o hotel, tomei banho e fui até um bar tradicional da cidade, uma antiga mercearia, chamado “Mercearia” (bem sugestivo não!?). Neste bar vi meu glorioso time São Paulo Futebol Clube vencer do Catanduvense e reassumir a liderança do campeonato paulista. No hotel conheci melhor o atendente do hotel (Cido) e descobri que também era motoqueiro, mais um novo amigo. Deu-me algumas dicas de atrações no caminho que iria percorrer. Voltei para o quarto e fim do primeiro dia de viagem.

02º Dia – 30/03/2012 – Campo Grande/MS a Chapada dos Guimarães/MT (760km)

Levantei as 6:05h da manhã e fui providenciar o cuidado rotineiro com a moto, lubrificar a corrente. Tomei café da manhã, terminei de arrumar a bagagem e parti rumo a Chapada dos Guimarães, eram pouco mais além da 7:00h. Neste dia sem imprevistos, com colunas ou algo parecido.

O tempo estava um pouco nublado, mas sem maiores possibilidades de chuvas. A rodovia era praticamente uma reta só, com muitas elevações e baixadas. O tráfego de caminhões se intensificou muito. Particularmente nunca havia visto tantos caminhões como durante este dia.

Pouco antes do trevo da rodovia BR-163 com a rodovia BR-060 a quase 100km de Campo Grande/MS, em meio a todo aquele movimento de caminhões, senti uma pancada no pé direito, parecia uma ferragem. Parei imediatamente a moto e fiz uma vistoria para tentar encontrar algo errado. A única coisa fora do normal, foi o parafuso que fixa o “mata-cachorro” que estava quebrado. Um pouco incrédulo que a pancada pudesse ter sido isso, voltei um pouco na rodovia e encontrei um parafuso da roda de um carro. Não tenho certeza que pode ter este parafuso, mas o certo é que se não estivesse de bota apropriada poderia ter me machucado.

Após uns 190km a estrada começou a ficar mais interessante com as apimentadas curvas de uma região serrana, até a cidade de Rio de Verde de Mato Grosso/MS. Na cidade, seguindo a sugestão do Cido, fui até a “Sete Quedas”, um pequeno e belo grupo de quedas, formando um pequeno balneário com uma piscina natural. Vale o ingresso (R$10,00).

De volta a rodovia BR-163, segui viagem, já com um sol escaldante e não eram 11:00h da manhã. A estrada em si, voltou a ser reta e reta.

No trevo de acesso a Pedro Gomes/MS fiz o primeiro abastecimento do dia, já com mais de 300km rodados desde o último abastecimento (já estava ficando preocupado, não tinha muito opções de abastecimento por ali). Alguns quilômetros antes, vi o acesso a Cachoeira das Palmeiras, outra indicação do Cido, mas com o combustível acabando não dava para arriscar. Aproveitei e almocei uma comida simples e boa num restaurante anexo ao posto. Liguei pra casa e falei com meu pai.

Voltei para a estrada as 12:30h e o sol estava ainda pior, a única vantagem do horário foi a quantidade de caminhões que diminui temporariamente.

Ingressei no estado Mato Grosso as 13:07h, passando pela ponte sobre a Represa de Correntes, sem perceber, já que uma placa na saída do posto indicava uma distância maior e na entrada do estado não havia nenhuma placa “Bem-vindo ao Mato Grosso”. Será que era bem-vindo ali?

Comparado ao Mato Grosso do Sul, a estrada (BR-163) não estava tão boa, mas tranqüila de percorrer. Com exceções de algumas poucas “panelas” ao longo da rodovia. Estava muito quente e chover era inevitável, passei por vários chuvisqueiros, mas mal refrescou e o calor voltava a toda.

Cheguei a Rondonópolis/MT e acessei a rodovia BR-364 as 14:20h. Parei numa vendinha a beira da estrada num lugarejo chamado Boa Vista, para tomar um refrigerante e escapar um pouco do excesso de caminhões da estrada.

Em Jaciara/MT mais um abastecimento, e fui até a “Cachoeira da Fumaça” por uma estrada asfaltada e estreita. Para conhecê-la é necessário um guia e uma autorização. Como não havia ninguém na recepção e o tempo estava curto voltei para a estrada.

Voltei alguns quilômetros e tomei a rodovia MT-344 para Dom Aquino/MT e Campo Verde/MT, uma estrada sem acostamento e divertida, cheia de curvas, subidas e decidas (parecia uma montanha russa), além da linda paisagem ao redor.

Após Campo Verde/MT, segui pela rodovia MT-251, a paisagem na chegada a cidade de Chapada dos Guimarães/MT era bem “normal”, com plantações ao redor, nada de muito especial. Até chegar ao Mirante do Centro Geodésico da América do Sul, que fez mudar minha opinião completamente.

O vale ao fundo que estava a uns 200m sobre o nível do mar era gigantesco, a rodovia percorria a parte alta da Chapada que estava a quase 800m sobre o nível do mar, a visão era um espetáculo a parte.

Segui para a cidade, pedi informações do Camping Oásis e como ninguém conhecia, tive que apelar, entrar na internet numa lanhouse, para obter o endereço (esqueci de anotar antes de sair). Fui até o camping e fiquei esperando quase duas horas e como ninguém apareceu fui procurar outro lugar.

Encontrei a Pousada Bom Jardim em frente a praça central e por ali fiquei. Após o banho fui até um restaurante (Cantinho da Gula) ao lado da pousada e comi o melhor espetinho de todos, além de farto, acompanhado de arroz, mandioca, farofa de banana (tradicional de Mato Grosso) e vinagrete. Uma maravilha! Voltei para a pousada e fui descansar.

03º Dia – 31/03/2012 – Chapada dos Guimarães/MT – Morro de São Jerônimo (34km)

Bem este dia estava reservado para começar a conhecer a Chapada dos Guimarães. Levantei as 7:15h no meu horário, fui até o local do café da manhã e a moça me alertou que estava uma hora adiantado. No Mato Grosso e Mato Grosso do Sul é uma hora mais cedo em relação a Brasília e ainda não havia notado. Depois de esperar pelo horário certo 7:00h horário local, tomei um bom e variado café da manhã.

Fui até a igreja da cidade, e fiz algumas fotos, inclusive tranquilamente de seu interior (É que em algumas cidades brasileiras impedem fotografias internas).

Fui até a agência Chapada Explorer e conheci Alberto Krebs, proprietário e com quem havia correspondido dias antes. Esperamos um pouco, para caso aparecessem pessoas interessadas nos passeios, mas como não aparecia decidi fazer o passeio mais complicado, o Morro São Jerônimo.

Passei no mercado para comprar lanche e água para a caminhada. Peguei a moto e voltei para a agência. Conheci o guia Lázaro, e seguimos cada um com sua moto para o passeio.

Fomos até a sede do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, na entrada para a Cachoeira do Véu da Noiva, para entregar o voucher e pegar a chave para o portão de acesso a estrada de serviço do parque.

Percorremos quase 3km entrada de chão com algumas poças e pequenos bancos de areia. Tive alguns deslizes, mas sem maiores sustos.

Por volta da 10:20h iniciamos a caminhada, em meio a mata característica do Cerrado e ao redor muitas formações rochosas de arenito. O clima estava bom, mas um pouco quente e abafado.

Passamos pela Casa de Pedra, uma pequena caverna esculpida pelo Rio Sete de Setembro e seguimos a trilha.

Pouco a pouco o Morro de São Jerônimo foi ficando com maior destaque no horizonte e o vale ao fundo se exibindo para as inúmeras fotos, que eram impossíveis de não serem feitas. Como dizia Lázaro: “Eta mundo sem porteira!”, as vistas eram muito bonitas e grandiosas. Uma pequena pausa para beber e comer algo, e seguimos a trilha.

Chegamos num ponto com vista privilegiada para o Morro de São Jerônimo. Ao fundo avistamos um grupo que seguia a frente. Passamos por um trecho em uma mata um pouco mais densa e com árvores de porte maiores, a chamada mata de galeria segundo o guia.

As árvores no cerrado são bem irregulares e a “casca” do seu tronco, apresenta características para suportar as constantes queimadas, que ocorrem naturalmente em épocas de grande seca ou pela ação humana. Algumas que encontramos constantemente pelo caminho foram as Lixadeiras (suas folhas são uma bela lixa) e a Jacupira (as sementes possuem um líquido muito amargo, um anti-biótico natural).

Na base da subida ao Morro, enfrentamos um trecho mais íngreme, e em alguns pontos tivemos uma pequena escalada. A vista compensava o esforço, num dos pontos avistamos a cidade de Cuiabá/MT a cerca de trinta quilômetros em linha reta.

Na última parte da subida, parte do grupo que avistamos nos alcançou. Eles haviam seguido por um trecho mais difícil e Lázaro comentou que nunca havia conseguido chegar por ali. Tanto é que um dos membros do grupo desistiu.

No alto do Morro, a aproximadamente 800m sobre o nível do mar, é uma espécie de “mini Chapada”. É um platô sobre um morro, possui uma circunferência (perímetro) de uns 900m. A vista do alto é fantástica, e nos coloca em nosso lugar, perto de nossa insignificância no mundo. Mais uma parada para o lanche, terminamos a “volta” pelo alto do morro e descemos.

Passamos novamente pela Casa de Pedra, conhecendo o outro lado dela e voltamos para as motos, depois de quase 15km e 6 horas de caminhada.

O percurso de volta pela estrada de serviço estava um pouco mais complicado, devido a uma chuva anterior, que a deixou mais lisa e com alguns trechos de lama, mas Graças a Deus, sem nenhum tombo.

Na entrada da cidade, paramos para tomar umas cervejas (Cristal) e voltamos para a cidade.

Cheguei à pousada e tomei um merecido banho. Jantei num restaurante indicado pelo Lázaro. Na volta liguei pra casa, desta vez falei com minha mãe. Na praça acompanhei uma exibição de filmes. Achei a iniciativa bem interessante, incentivando a produção nacional de cinema. Voltei a pousada e ponto final.

04º Dia – 01/04/2012 – Chapada dos Guimarães/MT – Véu da Noiva / Circuito das Cachoeiras

Após uma noite bem dormida e tomei café da manhã, nesta manhã de Domingo de Ramos. Fui ao Banco do Brasil (na cidade existe outros dois bancos o Bradesco e Caixa Econômica) tentar sacar dinheiro e evitar ir a Cuiabá/MT, já que a agência de turismo não aceita cartão. Por sorte saiu dinheiro do caixa eletrônico e evitou contratempos.

Fui a agência de turismo e acertei o passeio do dia, iria junto com uma moça de Amparo/SP, a Luciana. Voltei para a pousada, passando pelo desfile do Domingo de Ramos pelo sentido contrário ao que se deveria.

Na recepção da pousada conheci Luciana. Preparei as coisas e voltei para a agência. Esperamos um pouco pelo guia, para nossa sorte o mesmo de ontem, o Lázaro.

Fomos de carro até a recepção do parque, e fomos conhecer o Véu da Noiva, uma cachoeira com 86m de altura, é o cartão postal da Chapada dos Guimarães e no estado do Mato Grosso. Começamos bem o dia, não!?

Fomos até a estrada de serviço, a mesmo do dia anterior. O dia estava ótimo e começamos a caminhar pelas trilhas. Nosso pequeno grupo era bem bacana, Lázaro morou em vários lugares e contava sempre uma piada ou história. Luciana era bem simpática e adorava este tipo de aventura, hoje era o seu primeiro dia de passeio na Chapada e ela já havia morado no Canadá por dois anos.

A primeira cachoeira e a maior foi a das Andorinhas. Pelo clima era impossível não cair na água. Ficamos um pouco ali, brincando na água e seguimos o percurso.

Passamos por numa fonte e avistamos uma paisagem espetacular no topo da Cachoeira da Independência.

Seguimos o Circuito das Cachoeiras, pelas Cachoeiras Prainha, Degrau, Pulo, Hidromassagem e Sete de Setembro. Exceto a Cachoeira Hidromassagem, que era perigosa para banho, todas as outras nos banhamos.

Na volta até a Casa de Pedra, tomamos um banho de chuva.

Continuamos o caminho até o carro, com uma leve chuva. Lázaro viu um tatu e o animal era tão manso que conseguiu segurá-lo.

Voltamos para a pousada, tomei banho e fui jantar com a Luciana. Ficamos conversando bastante sobre viagens, já que ela gostava e já havia ido a vários lugares.

05º Dia – 02/04/2012 – Chapada dos Guimarães/MT – Caverna Aroe Jari / Lago Azul

Depois do café da manhã fui até a agência, acertar os passeios restantes e falar um pouco com Alberto.

Na pousada arrumei a mochila, esperei um pouco pela Luciana e fomos até agência. Nosso guia no dia seria Fabiano, um biólogo gaúcho, e não Lázaro como nos dias anteriores.

Pouco mais das 9:00h da manhã seguimos de carro até a Fazenda Água Fria, a 46km do centro cidade, onde fica a Caverna Aroe Jari (quer dizer em língua nativa “Morada das Almas”) e o Lago Azul. Esta fazenda é uma área particular, onde se explora o turismo. São 28km pela rodovia MT-251 sentido Campo Verde e mais uns 12km de estrada que oscila em chão batido e bancos de areia. Chegamos ao receptivo, pagamos o ingresso (R$20,00) e reservamos o almoço. Colocamos as perneiras, para a proteção quanto ao ataque de cobras e iniciamos a trilha pelo cerrado.

Diferentemente do cerrado dos dias anteriores este não era tão denso e as árvores eram mais baixas e esparsas. O primeiro ponto bem interessante foi uma formação, que formava a Ponte de Pedra. Obviamente um lugar para muitas fotos.

Seguimos pelo cerrado, até encontrarmos uma vegetação mais densa e alta, mata de galeria. Nesta trilha encontramos um grupo de turistas sem guia (o que é estritamente proibido). Nosso guia orientou que eles voltassem a recepção e regularizassem a situação. Pouco mais adiante paramos num pequeno veio de rio, com uma “mini” cachoeira, uma beleza.

Encontramos a Caverna Aroe Jari as 11:26h da manhã. Esta é a maior caverna de arenito do Brasil com 1,6km de extensão. Adentramos no primeiro salão da caverna e nos deparamos com uma queda d’água em seu interior. Este tipo de caverna não possui formações como estalactites ou estalagmites, como nas cavernas de calcário do PETAR e Intervales. Possui um amplo salão. Nesta época do ano só é possível percorrer 200m, em razão do nível da água. E o leito é barrento, que impossibilita percorrê-lo com água até a cintura por exemplo.

Voltamos para a entrada e fomos até a outra entrada, a chamada Boca do Boritizal. Onde existe várias dessas palmeiras a frente da entrada da caverna. Nela encontramos alguns morcegos e até um cágado.

Voltamos para a trilha (13:15h) e fomos até o Lago Azul, a cor azulada de suas águas são um show a parte.

Aguardamos por quase uma hora, que o sol chegasse a ponto que iluminasse o lago interior da caverna, mas começou a nublar e não foi possível.

Desistimos da espera, e seguimos o caminho de retorno ao receptivo. Passamos pela Pedra das Três Pontas, uma rocha com várias toneladas equilibrada por três pontos de sustentação.

No receptivo, almoçamos uma comida simples e saborosa.

Saímos acompanhados pela chuva que se aproximava. Devido ao mau tempo, não conseguimos conhecer a Cachoeira Alméscar. Uma pena! Fabiano nos levou até uma formação parecida com uma cruz ou um gavião. Enquanto fotografamos duas seriemas apareceram e também queriam sair na foto.

A 7km da cidade, passamos pelo Mirante do Centro Geodésico da América do Sul e voltamos para Chapada dos Guimarães/MT por volta das 18:00h.

06º Dia – 03/04/2012 – Chapada dos Guimarães/MT – Vale do Rio Claro (Crista do Galo/Flutuação) (4km)

Conforme combinado fomos a agência de turismo as 9:30h para o passeio ao Vale do Rio Claro, seria o meu último dia de passeio na já saudosa Chapada dos Guimarães.

Nesta manhã encontraram o corpo de um homem num lugar chamado “Portão do Inferno”. Supostamente era de um italiano que havia desaparecido na Chapada. Na nossa passagem pelo local havia bloqueio na estrada com várias viaturas.

Passamos pela portaria do parque para pegar a chave e fomos até a portaria de acesso ao Vale do Rio Claro, pela rodovia MT-251 sentido a Cuiabá/MT. A estrada de acesso até a Crista do Galo, a primeira atração do dia, era bem complicada cheia de bancos de areia. Que deixava a aventura mais emocionante.

Depois de deixar o carro, caminhamos por uma trilha de acesso a Crista do Galo, eram 10:45h da manhã. No alto tivemos uma vista panorâmica espetacular desta região da Chapada, com inúmeras formações gigantescas de arenito ao redor, inclusive a que lembrava a crista de um galo.

Ficamos ali, eu, Luciana e Fabiano, admirando e contemplando toda aquela beleza por algum tempo. A única coisa que me chateava um pouco era que o dia estava nublado e as fotos não ficaram como gostaria, mas tudo era compensado pela beleza do lugar.

Voltamos ao carro, e seguimos pela estrada, até as proximidades do Rio Claro. Alguns metros a mais de caminhada e chegamos a suas águas transparentes, próximo de sua nascente. Havia muitos peixes pequenos, principalmente Lambaris. Preparamos-nos com a máscara de Snorkel e fomos para água. Fabiano me emprestou sua câmera com case aprova d’água e pude filmar e fotografar este maravilhoso mundo submerso, uma maravilha.

Voltamos para a estrada e descemos um pouco mais percurso do Rio Claro, e fizemos alguns metros de flutuação.

Um pouco mais de aventura nas estradas arenosas e voltamos para a rodovia sentido a cidade de Chapada dos Guimarães/MT.

Fomos ao restaurante Morro dos Ventos, mas com era 15:53h da tarde, estava fechado para almoço. Voltamos para o centro da cidade e almoçamos em outro restaurante. Voltamos para pousada, nos despedimos de Fabiano.

Aproveitei para abastecer a moto, para seguir viagem no dia seguinte. Quando abastecia a moto, conheci um senhor, Genaro, que também era motoqueiro e trocamos várias informações sobre viagens.

Saí as 19:30h (horário local) com a Luciana e fomos tomar nossas últimas cervejas na Chapada dos Guimarães/MT.

07º Dia – 04/04/2012 – Chapada dos Guimarães/MT – Transpantaneira – Poconé/MT (490km)

Fim da moleza, hoje voltava para a estrada. Levantei as 6:00h (horário local) e arrumei as malas. Separando a roupa suja e organizando as coisas novamente. Estava finalizando o café da manhã e tive a honra da companhia da Luciana. Conversamos um pouco mais e nos despedimos novamente.

Por volta das 8:00h estava na estrada, o caminho inicial era o mesmo do dia anterior para o Vale do Rio Claro. Seguindo sugestão do guia Fabiano, entrei na estrada para o CINDACTA. Cheguei até o fim do asfalto, parei para conversar com um motoqueiro que vinha no sentido oposto pela estrada de chão. Como ele me alertou que estava um pouco molhada a estrada, então desisti de ir ao Alto do Céu, uma pena, mas segurança em primeiro lugar. Isso me deixou um pouco apreensivo quanto a Transpantaneira.

Seguindo viagem, fui contemplando os paredões da Chapada dos Guimarães ao lado. A única decepção era que a estrada era movimentada, não tinha acostamento e as paradas fotográficas eram perigosas.

Cheguei a capital mato-grossense às 9:00h da manhã. Com o auxílio do GPS, logo saí da cidade e segui para Poconé/MT. Alguns quilômetros pela rodovia BR-070, acessei a rodovia MT-060 que apresentava alguns buracos (panelas).

Passei pela cidade de Nossa Senhora do Livramento/MT e povoado de Cangas/MT, e finalmente cheguei a Poconé/MT, a Capital do Pantanal e das Tradições Culturais, uma cidade de 231anos.

Nesta região pouco a pouco já passei a notar a vegetação característica do Pantanal. Em Poconé/MT abasteci e conversei com o frentista, que me animou dizendo que fazia duas semanas que não chovia por ali. Só me preocupava se tivesse um trecho arenoso na estrada, como estava muito seco dificultaria a situação.

Eram 10:30h da manhã e segui rumo a Transpantaneira com destino a Porto Jofre/MT. Poucos quilômetros da cidade, comecei a enfrentar estrada de chão, a princípio com algumas irregularidades, e um pouco de areia. Ao lado da estrada, a vegetação e as aves ao redor eram espetaculares.

A cerca de 15km de Poconé/MT o famoso portal de entrada a Estrada Parque da “Transpantaneira”. Tirei algumas fotos e fui conversar com um senhor, em uma casa ao lado. Era o Sr. Francisco, um senhor muito simpático e até me apresentou seu “amigo” Zico, um grande jacaré no alagado ao lado da estrada. Ele me tranqüilizou sobre a estrada e disse que poderia ir tranquilamente, a última chuva tinha sido a dois dias. E caso chovesse, em um dia de sol, a estaria seca novamente.

Segui viagem, a velocidade que trafegava era 60 a 70km/h e alguns momentos 80km/h. A todo momento tinha a vontade de parar e fotografar. O lugar era muito interessante e magnífico.

O clima estava muito quente e parar significava passar ainda mais calor. Nas horas mais quentes do dia, as aves eram mais difíceis de avistadas.

O ritmo de viagem não era dos melhores, e a todo o momento pensava em retornar, mas percorrer toda a Transpantaneira, seria praticamente uma oportunidade única, principalmente nesta época do ano que ainda faz parte da estação chuvosa.

Bem as teóricas 122 pontes de madeira ao longo da estrada não pude confirmar, já havia perdido a conta. Na maioria das vezes, um pequeno alagado abaixo e normalmente com alguma garça ou outro tipo de ave. As pontes estavam bem conservadas, com exceção de uma próxima a Porto Jofre/MT que uma das laterais estava rebaixada, para moto sem problema.

Alcancei o quilômetro 100, as 13:15h da tarde, e neste já não queria desistir do desafio. A partir deste ponto, a estrada passou a ter ondulações, indicando o trânsito de vários veículos em meio a chuvas anteriores. Fazendo montes de barro seco ao lado da trilha dos pneus.

Faltando 30km para Porto Jofre/MT, o cenário ao lado era magnífico, uma área gigantesca alagada repleta de vida, aves, capivaras e jacarés. E alguns invadiam a rodovia.

Finalmente as 14:23h cheguei a Porto Jofre/MT, fui até uma pequena pousada para tomar algo. Lá encontrei alguns pescadores que me interrogaram. Sugeriram-me que ficasse por ali mesmo, mas isso não queira em função de uma possibilidade de chuva durante a noite. Tomei uma coca e uma água, enquanto comia uma maçã. Eu estava ensopado de suor, o clima além de quente estava muito úmido.

Falei com outros pescadores e voltei para a estrada, eram 15:00h da tarde, ou seja, pilotaria um pouco a noite. As paradas foram poucas, para evitar o máximo possível viajar durante a noite.

Quanto a pilotagem estava mais confiante, as vezes surrava um pouco a moto (pobre Lis), mas fazer o que?! Outro receio era quanto a chuva, ao longe sempre avistava uma região sob chuva. Tinha medo que passasse pela estrada, mas isto não aconteceu.

O ritmo foi razoável, e só os últimos 15km foram efetivamente no escuro. Cheguei a Poconé/MT as 18:05h, aproveitei para abastecer no mesmo posto do período da manhã.

Procurei um hotel, me instalei e depois do banho fui a um barzinho comer um “espetinho completo”, com direito a arroz, vinagrete e a tradicional farofa de banana mato-grossense.

Voltei para o hotel, hoje fiquei bem desgastado pelo calor, e para o dia seguinte não havia definido se passaria em Cuiabá/MT ou seguiria adiante.

08º Dia – 05/04/2012 – Poconé/MT a Rio Verde de Mato Grosso/MS (720km)

Esta noite foi mal dormida, seria a falta de cerveja? Não sei, talvez a indecisão de conhecer ou não Cuiabá/MT me tirou a concentração e o sono. Entre um sono e outro, decidi por conhecer em outra oportunidade a capital mato-grossense.

Por volta das 6:00h da manhã (horário local) fui tomar café da manhã, não era tão variado como a último pousada, mas tudo bem.

Moto preparada, fui até o centro da cidade repleto de casas e construções antigas. Aproveitando que estava na região, resolvi conhecer Porto Cercado/MT a 45km de Poconé/MT.

O caminho era uma pista reta e plana, com 6 pontes (essas consegui contar) onde só passa um veículo por vez. Ao lado da rodovia muitas pastagens, que foram pouco a pouco sendo tomadas pelas águas originando os alagados, característico do Pantanal. Principalmente após a sexta ponte até Porto Cercado/MT, a vegetação ao lado da rodovia é esplêndida, a natureza ali tem seu espaço.

Chegando a Porto Cercado/MT se avista um complexo turístico do SESC Pantanal e no fim da estrada se avista o Rio Cuiabá, vários barcos de passeio e as Chalanas (barcos maiores para a organização de pescarias).

Voltei para Poconé/MT, e as 8:30h estava seguindo rumo a Cuiabá/MT pela rodovias MT-060 e BR-070.

Em Cuiabá/MT o tráfego de caminhões lentos era intenso e impressionante, em ambos os sentidos, que fez o ritmo da viagem cair bastante. Aproveitei para abastecer, comer e beber algo. Eram 10:00h da manhã, e já um calor bem intenso.

Após Cuiabá/MT o fluxo diminuiu um pouco, e as ultrapassagens eram mais fáceis. Na região de Águas Quentes/MT passei por uma serra de uns 9km e segui para Rondonópolis/MT.

Na vila Boa Vista parei para tomar outro refrigerante, o calor estava muito complicado. Em Rondonópolis/MT mais um abastecimento e elogios da frentista. Claro para a Lis!

Entrei no estado do Mato Grosso do Sul as 14:35h.

No trevo de acesso a Pedro Gomes/MS, no mesmo posto da ida, parei para tomar algo e abastecer. Ali os frentistas me orientaram quanto a Cachoeira das Palmeiras, que ficava a alguns quilômetros dali.

Seguindo viagem, foram 17km sentido Campo Grande/MS, até chegar ao início da estrada de chão e mais 5km até a bifurcação, onde pode escolher em qual propriedade deseja ir, eu optei pela da esquerda. A parti dali mais 2km e chegasse ao balneário, com uma estrutura, possui pousada, área de camping e lanchonete. Possui como atração principal uma bela cachoeira, baixa e extensa.

Fiquei na dúvida em acampar por ali mesmo ou seguir viagem, mas como eram 16:30h e ainda teria algum tempo com luz do dia, para diminuir a distância até a casa dos meus pais em Cornélio Procópio/PR.

Voltei para a rodovia BR-163 e segui rumo ao sul. Faltando quinze minutos para seis da tarde e já bem cansado, parei num hotel a beira da estrada na entrada da cidade de Rio Verde de Mato Grosso/MS. Baixei as malas e dá-lhe banho! Pedi um lanche e fiquei no hotel descansando.

09º Dia – 06/04/2012 – Rio Verde de Mato Grosso/MS a Cornélio Procópio (887km)

Começava numa Sexta-Feira Santa, as 6:00h (horário local) o último dia de viagem até a minha terra Cornélio Procópio/PR.

Tomei café da manhã, arrumei minhas malas e conheci três hóspedes do hotel. Conversávamos enquanto preparava a moto. Na saída até me fotografaram (cada um!).

Pouco antes das 7:00h da manhã, havia deixado o hotel e abastecido a moto num posto ao lado. Segui viagem sem muitas paradas, já que teria que percorrer mais de 860km no dia. A sorte era que a estrada estava muito tranqüila.

Pouco depois de São Gabriel do Oeste/MS, um homem, sua bicicleta e seu cachorro me chamaram a atenção. No segundo dia da viagem, havia passado por eles a vários quilômetros ao norte, não sei bem ao certo, mas este transeunte era uma boa pessoa para bater um papo.

Faltando alguns minutos para as 9:00h e uns 200km percorridos. Fiz o segundo abastecimento do dia, tomei e comi algo em Campo Grande/MS.

Em Nova Alvorada do Sul/MS a 120km de Campo Grande/MS, saí da rodovia BR-163 e tomei a rodovia BR-267, rumo a Bataguassú/MS e divisa de estados Mato Grosso do Sul-São Paulo. A estrada estava em boas condições e ao lado muitas pastagens. O céu estava fechado, sem chuva, por isso o calor estava ameno.

Faltando 90km para a divisa de estados, parei para abastecer e almoçar.

Iniciei a travessia da ponte sobre o rio Paraná as 13:00h horário local, em São Paulo, o relógio passou a ter uma hora a mais, conforme horário de Brasília/DF. A ponte estava em reforma, e com apenas uma via liberada, que gerou um grande engarrafamento. Para minha sorte fiquei pouco tempo esperando.

Em São Paulo minha rota foi a Raposa Tavares (SP-270), uma rodovia com enormes retas e infelizmente pedagiadas. Foram cinco pedágios até Assis/SP.

O ritmo da viagem era bom, passei por Presidente Venceslau/SP e Presidente Prudente/SP.

Antes de Assis/SP fiz mais um abastecimento e segui para o Paraná, pela rodovia SP-333.

Cheguei na casa dos meus pais em Cornélio Procópio/PR às 17:40h e fim de outra grande aventura.

2 Respostas para “Chapada dos Guimarães e Transpantaneira (abr/2012)

  1. O Genaro que você conheceu no posto faleceu ontem a noite na estrada Cuiaba/Chapada, grande perca para o motociclismo de Mato Grosso.

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