Viagem das Cavernas (Intervales/PETAR/Caverna do Diabo) (jan/2012)

Viagem de motocicleta realizada entre os dias 02/01/2012 e 08/01/2012 aos parques estaduais Intervales, PETAR e Caverna do Diabo. Região do Alto do Paranapanema e Vale do Ribeira, sudeste de São Paulo / Brasil.

1º Dia – 02/01/2012 – Cornélio Procópio/PR até Ribeirão Grande/SP (Parque Intervales) (467km)

Esta pequena viagem começou numa ensolarada manhã procopense, às 08:55h no horário brasileiro de verão, me despedindo dos meus pais.

Como teria pela frente pouco mais de 400km, seria um passeio agradável e com muitas paradas. Segui pela rodovia BR-369 sentido a cidade paulista de Ourinhos/SP até a entrada para Cambará/PR onde acessei a rodovia PR-431 (uma região canavieira). Em Jacarezinho/PR contornei a cidade pela rodovia BR-153 e retornei para PR-431 com destino a Ribeirão Claro/PR. Esta região é muito bonita cheia de vales e pequenas elevações que deixam a paisagem bela, e aumentam o número de paradas fotográficas. As estradas no geral boas de tráfego, porém a estadual com alguns pontos irregulares.

Após uma pequena parada em Ribeirão Claro/PR, uma agradável cidadezinha de interior. Segui pela rodovia PR-151 rumo a cidade de Carlópolis/PR, acompanhado de belas paisagens proporcionadas pelo relevo e pelas águas da represa de Xavantes. Cerca de 8km de Ribeirão Claro/PR um mirante demonstra bem esta beleza.

Aproveitando o espírito de aventura resolvi conhecer o povoado Cachoeira do Espírito Santo, que fica a 5km das margens da rodovia PR-151 e possui várias casas de veraneio e ao fundo um pico que se destaca na paisagem.

Em Carlópolis/PR segui para a divisa de estados Paraná-São Paulo pela rodovia PR-218. Por volta das 12:20h estava cruzando as águas represadas do Rio Itararé que alimenta a represa de Xavantes. No trajeto inicial pelo estado paulista, a rodovia SP-249 apresentava várias irregularidades, mas sem maiores problemas de trafego.

Em Fartura/SP acessei a rodovia SP-287 rumo a Piraju/SP, estrada com belas paisagens, não fotografei muito por causa da falta de acostamento.

Alcançando a rodovia Raposo Tavares (SP-270), fiz o primeiro abastecimento da viagem num posto junto ao trevo para a rodovia SP-261. Aproveitei para comer e beber algo. Conversei com alguns motoristas sobre a Lis (a V-Strom 650) e segui pela rodovia SP-270, cruzando a ponte sobre a represa de Jurumirim por volta das 13:50h.

Depois do trevo de acesso à cidade de Paranapanema/SP o tráfego, principalmente de caminhões, se intensificou. E comecei a “disputar” uma pequena corrida com um motociclista de Sorocaba/SP com uma moto 150cc.  Ele ultrapassava caminhões e carros com muita imprudência, não respeitando a sinalização e ganhava certa vantagem. Quando conseguia escapar do tráfego, o ultrapassava e nos encontrávamos novamente na próxima seqüência de veículos, e assim foi por vários quilômetros.

No acesso a cidade de Itapetininga/SP segui sentido ao sul pela rodovia BR-373/SP-127. Logo após um pedágio (que motociclistas não pagam), aproveitei para abastecer a moto. Após Capão Bonito/SP tomei a rodovia SP-181, acompanhado por um leve chuvisco. Percorridos 10km chega-se a cidadezinha de Ribeirão Grande/SP, seguindo várias placas de sinalização e uma estrada de chão de 23km chega-se ao Parque Estadual de Intervales. Somente esta estrada já vale o passeio, além do relevo acidentando ao fundo muitas árvores floridas dando um tom rosa a exuberante e conservada Mata Atlântica da região. Por volta da 17h cheguei ao parque (sob uma leve garoa).

Depois de registrar minha entrada na portaria, segui para recepção onde fiz o “check-in” e fui procurar meu quarto que era na Pousada da Onça Pintada (as pousadas são administradas pelo parque).

Meu quarto possuía 2 beliches e uma cama de solteiro, além de banheiro privativo. A diária era R$25,00 sem nenhum adicional. O parque possui ainda outras duas pousadas (Pica-Pau / Esquilo), um bom restaurante com lojinha de souvenires, um centro de lazer e quiosques, além é claro de suas várias atrações naturais.

Banho tomado, aproveitei para fazer um pequeno reconhecimento de área, jantei e fui descansar, já que o dia seguinte prometia.

No parque conheci um casal simpático de Indaiatuba/SP Tiago e Ana (estava na mesma pousada), os amigos de São Paulo/SP Cásio e Cesar (jantando) e a atendente do Restaurante, a Nina.

2º Dia – 03/01/2012 – Intervales – Mirante da Anta / Gruta dos Paivas

Tomei café da manhã no restaurante do parque e me dirigi a administração do parque, para me informar com os guias, sobre minhas intenções de conhecer o máximo possível de atrações. Eles até riram um pouco porque o que queria conhecer era muita coisa para pouco tempo.

O parque possui cinco guias que moram no ali mesmo. Existem outros guias autônomos, a diferença básica entre eles é o preço do serviço de guia. O parque cobra R$10,00/dia pelo serviço de seus guias e os autônomos o preço é negociável, conforme o tamanho do grupo e o passeio.

Meu guia era o Faustino, um senhor bem simples e com um ótimo preparo físico cultivado ao longo dos seus 25 anos de trabalho na região do parque.

O passeio começou às 8:40h sob uma leve neblina, muito comum nas primeiras horas da manhã. Como não estava muito bom para fotografias, eu falei ao guia para fazermos a trilha no sentido oposto que ele havia sugerido. Assim chegaríamos ao Mirante da Anta um pouco mais tarde, apostando na melhora do tempo.

Passamos ao lado do viveiro de mudas e seguimos por uma estrada de terra um pouco molhada. Entramos na mata um pouco depois da Sede de Pesquisas. Enquanto caminhávamos o guia sempre alertava sobre os sons que vinham das arvores, dizendo o nome comum e o nome científico das aves.

Pouco a pouco o som da Cachoeira do Mirante denunciava sua presença. É uma pequena e bela queda em meio a Mata Atlântica. Da cachoeira seguimos um pequeno percurso cruzamos o leito do rio, pulando de pedra em pedra. Segundo Faustino uma pequena amostra da Trilha da Caçadinha, que desta vez não faria.

A sensação que tive era que sem um guia para percorrer estas trilhas seria muito complicado, principalmente por ter vários cruzamentos de trilhas.

Pouco adiante às 10:00h chegamos a Lagoa Negra, com sua água barrenta. Deste ponto em diante a trilha aumentou seu grau de dificuldade, a subida era um pouco forte e serpenteava pela mata. Estávamos num ritmo bom, mas cansava um pouco. Parava para fotografar e aproveitava para tomar um novo fôlego enquanto secava o suor do rosto.

O guia me explicou o motivo do nome do “Mirante da Anta”. Estes animais sempre procuram lugares altos para ficarem, pois se aparecer um predador a chance de fuga é maior, pois morro abaixo todo santo ajuda. Ficamos brincando com a idéia de uma anta aparecer e descer morro abaixo, queria ver algo segurá-la!

Por volta das 10:20h alcançamos o Mirante da Anta, que esta a 1005 metros sobre o nível do mar, a sede de administração do parque está a 840m.  A visão é simplesmente espetacular, muito verde da mata, o azul do céu e tons de rosas das flores das árvores. O relevo é repleto de ondulações. Tem-se uma ótima panorâmica do parque como um todo.

Uma pequena pausa para a água e admirar a beleza do lugar e retornamos para fim da trilha. O trajeto total foi de 6,6km e terminamos o passeio às 10:50h.

Passei no restaurante para tomar uma coca e aproveitei que o passeio terminou cedo para votar à alguns lugares para melhorar as fotos. Comecei pelo Lago Novo, fui aos Quiosques e ao Morro do Cruzeiro.

Quando cheguei ao Lago Antigo, conheci Tonho e Leandro, pai e filho que trouxeram um grupo de turista para conhecer o parque.

Voltei para o restaurante e me esbaldei com o almoço, simples, mas muito bom.

Conforme combinado com o guia às 13:30h estava na recepção para irmos de moto até a Gruta dos Paivas. Quando ele viu minha moto, disse que era melhor ir junto na moto dele, pois não conseguiríamos chegar até a entrada da caverna em função da estrada, teríamos que deixar as motos um pouco longe.

Passamos na pousada deixei a moto e segui na garupa do guia-motoqueiro. A princípio a estrada era toda cascalhada sem maiores problemas, na seqüência saímos da estrada principal e situação ficou mais complicada com alguns trechos com barro. Quando achava que não poderia piorar, acessamos uma estrada em descida que era mais parecida a uma trilha. Muitas vezes pensei que iríamos para o chão.

A Cavernas ou Gruta dos Paivas esta na área de entorno do parque, em terras de propriedade da empresa Votorantim.

Caminhamos alguns metros e encontramos a entrada da gruta, preparamos as coisas para entrar na gruta (capacete, lanternas, tripé para máquina fotográfica e flash externo).

No começo era apenas passar por enormes pedras e não era tão escuro, mas pouco a frente começamos a caminhar com água geladíssima até no máximo o joelho. As formações eram incríveis, algumas pareciam esculturas ou quadros de Arte Moderna. A caverna possuía em alguns pontos uma grande amplitude, não tive problemas de deslocamento como trechos apertados, a caminhada de 1h e 20 min. foi bem tranqüila. Esta é uma caverna com grande variedade de formações como estalactites, estalagmites, colunas, cortinas e principalmente a grande quantidade de formações de bacia de travertinos.  Não poderia ter começado tão bem minha expedição pelas cavernas do parque.

Bem o problema agora era o retorno, de moto no barro. O guia se divertia com a minha apreensão. Na volta filmei todo o percurso, felizmente para subir é menos traumático e foi tudo bem.

De volta para a pousada, tomei um banho para recuperar as energias. Eram quase 17:00h e como estava ali para aproveitar o tempo, segui pela “Trilha Auto-Guiada” para conhecer um pouco mais o parque.

Segui uma trilha contornando o Lago Antigo, passei pelo Castelo de Pedra (a primeira construção inacabada do governo do estado paulista) e pela pousada do Esquilo. Continuei o passeio fotografando as aves que apareciam pela frente até o restaurante.

Às 19:50h estava jantando a deliciosa e merecida refeição. Conheci Marcio, um rapaz de Indaiatuba/SP que estava na mesma pousada.

Voltamos para a pousada, quando estávamos chegando uma pequena cobra passou pelo nosso caminho, se ele não me alerta eu teria passado por cima. Ficamos batendo papo no Centro de Convivência, que possui até lareira, e combinamos fazer a Trilha Divisor de Águas no dia seguinte.

Fim de mais um dia!!!

3º Dia – 04/01/2012 – Intervales – Trilha Divisor de Águas (Gruta do Fendão, Mão, Santa e Fogo)

Fui ao restaurante para o café da manhã, conheci Franklin de Barueri/SP que estava com seu filho Vini (7 anos). Eles estavam conhecendo as belezas do parque, só que de uma maneira mais calma em função do ritmo de uma criança.

Peguei o “Lanche de Trilha”, encomendado na noite anterior e continha uma fruta, dois sanduíches de presunto e queijo, suco e água. Retornei a pousada para organizar os equipamentos para caminhada de 14km que prometia.

Na recepção aguardamos um pouco pela chegada do Marcio, como não apareceu saímos para a estrada por volta das 9:00h da manhã. Além do guia Faustino, a estagiária Edna nos acompanhou.

Faustino explicou que faríamos a trilha inversa em função do calor e sol forte, começaríamos pela estrada de cascalho e depois voltaríamos pela trilha na mata, e assim fizemos.

Caminhamos 3,6km pela estrada cascalhada e entramos numa estrada de chão mais estreita e um pouco molhada. Percorremos mais 1,8km até o início da trilha em mata fechada. Até a primeira gruta do dia, a Gruta do Fendão, foram mais uns 300m.

Pouco antes da entrada na caverna, fomos até a Figueira Amarela, uma árvore enorme de mais de 500 anos que luta para ficar em pé na encosta íngreme que se desenvolveu.

Na entrada da caverna (10:32h) observa-se claramente o motivo de seu nome, uma enorme fenda. Na entrada da caverna encontramos os opilhões (uma espécie de aranha das cavernas) e poucos metros abaixo chegamos ao leito de um curso de água. A princípio sem precisar se molhar, mas na seqüência tem percursos com água até a cintura. Dentro da caverna existem muitas formações e em alguns pontos a água deu um toque especial, esculpindo as rochas ao longo de milhares de anos.

A Gruta do Fendão possui uma característica especial, é a presença de clarabóias que fazem os raios solares adentraram em seu interior. Em alguns trechos era um pouco apertada a passagem, mas a maior parte a caminhada de 1h foi relativamente fácil. No fim do percurso uma queda da água embeleza e dá um toque a mais de adrenalina a caverna.

A poucos metros da saída da Gruta do Fendão, entramos na Gruta da Mão (Mãozinha). É uma caverna pequena, com o chão levemente inclinado e escorregadio. Em seu interior uma pequena formação que lembra o formato de uma mão incrustado na rocha.

Voltamos pela mesma trilha até a estrada de acesso, e em outro ponto dela entramos na mata novamente. Pouco adiante encontramos outro grupo em sentido contrário, nele estava o Marcio. Seguimos um pouco mais e paramos para fazer um lanche, por volta do meio-dia.

Continuamos pela trilha, sempre com alguma surpresa, as vezes um pássaro, outras um sapo e até uma pequena cobra (que Faustino e Edna passaram por cima e nem viram).

Às 13:00h chegamos a Gruta da Santa, na entrada algumas morcegos e opilhões. A caverna é pequena e com poucas formações.

Seguindo mais 1km pela mata chegamos a Gruta do Fogo, que recebe este nome em função dos cristais de calcita, que brilham refletindo a luz. Na parte final da caverna a dificuldade para transitar aumenta tem alguns pontos bem apertados, principalmente para conseguir um bom ponto para fotografar o lugar com maior concentração de calcita.

Seguimos mais 760m pela mata e retornamos a estrada cascalhada que havíamos passado pela manhã. E mais 1,2km chegamos a minha pousada. Eram 14:25h estava um pouco cansado e não me animei a fazer outros passeios.

Tomei um relaxante banho e na pousada conheci uma família de São Paulo/SP, Mateus, Shirley e filhos.

Fui até a recepção do parque carimbar meu Passaporte de Trilhas de São Paulo, e fui conversar com os guias. Assistimos ao vídeo da volta de moto de trilha que havíamos feito no dia anterior.

No restaurante tomei umas cervejinhas já que sou filho de Deus e conheci melhor a Nina (a moça do restaurante).

Como ainda na era horário da janta (das 19:30h as 21:00h), fui até Capelinha de Santa Inácio de Loyola.

Voltei para o restaurante para jantar, conversei com os novos amigos e fizemos algumas fotos (com certa dificuldade por causa do self-timer).

 

4º Dia – 05/01/2012 – Intervales a PETAR – Mirante da Boa Vista / Cavernas de Santana, Morro Preto e Couto (127km)

Organizada as bagagens, comi o restante do meu “lanche de trilha” e fui para a recepção do parque acertar os valores da minha estadia e passeios. Como o restaurante é uma empresa terceirizada é necessário acertar a parte os valores. Tudo certo, eu conversei um pouco mais com alguns dos novos amigos e segui para estrada de chão rumo a Guapiara/SP, era pouco mais de 8:30h da manhã.

A estrada é a mesma da trilha do dia anterior, era cascalhada e sem maiores problemas. Do restaurante até a portaria do parque são 4,8km. Percorridos 6,2km na mesma estrada chega-se a uma estrada secundária asfaltada (que maravilha) e mais 7,3km à rodovia BR-373/SP-250 pouco antes de Guapiara/SP. A média de velocidade na estrada de chão foi de 25km/h, ou seja, estava muito tranqüilo.

A rodovia BR-373/SP-250 até Apiaí/SP não possui acostamento, o que dificultava parar e fotografar as belas paisagens da região. Parei na entrada da cidade na entrada do Parque Natural Municipal do Morro do Ouro e busquei algumas informações. Fui ao centro da pequena e histórica cidadezinha para abastecer.

Voltei para o trevo de acesso a estrada de terra (SP-165) que liga aos Núcleos Santana e Ouro Grosso do PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira), Bairro da Serra e Iporanga/SP.

A estrada estava boa, cascalhada e em mau tempo não deve comprometer a viagem de um veículo com tração comum. A mata e o relevo ao redor era um show a parte, pena não poder admirar muito em função da pilotagem.

Após percorrer 13km cheguei ao acesso para a Cachoeira Arapongas, uma atração particular, e mais 2,3km de uma leve subida ao Mirante Boa Vista que está na divisa das cidades de Apiaí-Iporanga/SP e que pelo nome se têm uma boa idéia da magnífica vista do lugar.

A estrada oscilava em trechos asfaltados nas regiões de serras e trechos em terra nas baixadas. As paisagens ao redor eram maravilhosas e já valiam o passeio. Por volta do meio dia e depois de mais 10,6km cheguei a pousada do Quiririm, onde ficaria hospedado no Bairro da Serra (bairro de Iporanga/SP). Base para conhecer os Núcleos Santana e Ouro Grosso do PETAR.

Não perdi muito tempo, mau me instalei pedi ajuda para a dona da pousada (Marizete) para me ajudar com guia e alguma sugestão de passeios. Ela ligou para um guia e combinamos os valores. Para o dia completo R$80 e meio dia R$60.

Pouco depois das 13:00h o guia Jeovani estava na pousada para seguirmos de moto para o Núcleo Santana e tentarmos conhecer três cavernas (Santana, Morro Preto e Couto).

O Núcleo Santana fica a 3,5km da pousada voltando pela mesma estrada que cheguei ao Bairro da Serra. Para acessar o núcleo é obrigatória a presença do guia, que assina um termo de responsabilidade na portaria, sem ele nada feito. Nesta portaria tinha um quati aprontando para cima de uma turista.

Seguimos um pouco mais até o estacionamento, próximo ao restaurante, banheiros e acessos as trilhas para as cavernas.

A primeira caverna foi a de Santana, a segunda maior do estado de São Paulo. É bem estrutura com passarelas, corrimões e escadas que facilitam o acesso. Possui muitas formações (espeleotemas) como estalactites, estalagmites e travertinos. Algumas destas formações lembram figuras como o “cavalo”, “macaco”, “bailarina”, “asa de anjo”, “Jesus”, “coração”, “peixe” e o que mais a imaginação criasse.

Junto a uma bacia de travertinos, o guia demonstrou como o ser humano pode interferir no  meio ambiente. Nesta “bacia” havia uma leve camada de pó, quando ele assoprava constantemente sobre ela, formava-se um círculo sem pó.  Quando parava de soprar o círculo rapidamente se fechava. Repetiu o processo duas outras vezes e na terceira inseriu o dedo antes que o círculo fecha-se e quando retirou um pequeno círculo do tamanho da circunferência de dedo se formou e não fechou mais.

Quando estávamos no interior da caverna Jeovani, sugeriu para fazer um “black-out” para sentir o que é a escuridão total. Apagamos todos os eletrônicos e lanternas, é uma sensação angustiante não enchergar nada. Em meio a escuridão contou-me algumas histórias sobre as situações que podem ocorrer numa caverna. Uma delas um antigo guia do parque, emprestou seu isqueiro para outro guia para acender sua lanterna (antiga era de carbureto) e não devolveu. Após apagar sua lanterna e fazer um “black-out” o guia, sem o isqueiro, percebeu o problema. Ele sem alternativas pediu para todos do grupo ficassem (naquela escuridão) e que ele buscaria ajuda. Ele decidiu rastejar até a saída da caverna. Passado algumas horas conseguiu sair da caverna e voltou para buscar seus guiados e ficou conhecimento como o “Homem Lagarto”.

No caminho de volta, ele me disse que nesta mesma caverna, houve uma quebra de record.  Um homem ficou 76 dias no interior da caverna sem sair e na escuridão total, apenas recebia alimentos por meio de uma corda. Tem louco pra tudo!

Depois de 1h e 13min na Caverna de Santana, seguimos para a Caverna Morro Preto e às 14:47h estávamos em sua entrada. No início da caminhada pelo seu interior no deparamos com um grande salão chamado “anfiteatro”. Na caverna há a presença de morcego e vestígios da presença de povos primitivos (sambaquis). Se fosse descrever a caverna de uma maneira básica falaria que parece que em alguns pontos foi bombardeada. Segundo Jeovani nesta caverna houve um acidente com um rapaz, na época o acesso não era controlado, ele e sua namorada entraram e se perderam, pediu para ela ficar e saiu para procurar a saída e acabou caindo num buraco.  Até ouvir esta história estava imaginando como alguém pode morrer numa caverna dessas.

Chegamos a Caverna do Couto às 15:34h e para variar era completamente diferente das outras. Após alguns metros estávamos passando por um enorme túnel esculpido caprichosamente pelas ressurgência das águas que vêm da Caverna Morro Preto.  Em alguns pontos dos 471m de extensão tivemos que molhar os pés. Na saída da caverna em outro ponto da caverna uma grande abertura cercada por um belo jardim.

Voltamos para a trilha e passamos pela Cachoeira do Couto (16:24h), uma queda de 7m das águas que provém da Caverna do Couto.

Passamos no restaurante do parque e tomamos um suco de Jussara (um palmeira nativa da região).

Saímos do parque por volta das 17:00h, voltei para a pousada e combinei com Jeovani o passeio do dia seguinte. Tomei um bom banho e fiquei lendo algumas matérias sobre o parque, enquanto tomava uma coca bem gelada.

A noite fui a pousada do Abílio para jantar, voltei e como não havia outros hóspedes assisti um pouco TV na sala de estar, antes de dormir.

 

5º Dia – 06/01/2012 – PETAR – Trilha do Rio Betari (Cachoeira das Andorinhas e Beija-Flor, Cavernas Cafezal e Água Suja)

Depois do café da manhã, conforme combinado, o guia Jeovani passou na pousada, e fomos até o Núcleo Santanta e iniciamos o passeio pela Trilha do Rio Betari, que está no Passaporte de Trilhas de São Paulo.

Era pouco mais de 9h quando começamos percorrer a trilha à margem do belo e transparente Rio Betari. Este percurso inicial era bem fácil com as algumas escadas e corrimões de madeiras, e às vezes pelas pedras do leito do rio. Vinte minutos de caminhada e encontramos o ponto da primeira travessia do rio com nível de água um pouco acima dos joelhos, onde há uma corda para auxiliar a tarefa. O problema é que a água é bem gelada!

Ao longo da trilha passamos por alguns afluentes do Rio Betari e ao lado de uma vegetação exuberante e com muitas árvores centenárias, como figueiras.

A 1,83km do portal do início da trilha encontramos a Torre de Pedra e na outra margem do rio o Paredão de Calcário. Paramos para tomar um pouco de água e comer algo, eram 9:55h.

Encontramos outro grupo, pouco mais a frente e com eles o quati do dia anterior. Para variar estava aprontando, subiu nas costas e urinou sobre um turista. Continuamos um pouco mais a frente do outro grupo e do quati, que se juntou ao passeio.

Seguimos por uma trilha cheia de pedras ao lado do rio, e todo cuidado é pouco. Estava distraído fotografando quando em uma dessas pedras escorreguei e cai de costas. Bati o para-sol da lente da câmera numa pedra e por sorte nada ocorreu.

Cruzamos o rio duas outras vezes e na segunda o quati voltou a fazer das suas. Ele hesitou ao atravessar o rio já que se molharia. Ficou angustiado, como se pedisse ajuda. Como ninguém se prontificou, ele arriscou um salto para escapar do banho. Infelizmente para ele e para nossa alegria, ele escorregou ao chegar à pedra do outro lado e caiu nas águas geladas do Rio Betari. Ele teve que nadar um pouquinho, mas chegou à outra margem.

Continuamos pela trilha até avistarmos a belíssima Cachoeira das Andorinhas, uma imagem cinematográfica e espetacular desta queda de 30m de altura formada pelo Rio Pedra Branca (afluente do Rio Betari). Cheguei bem próximo a queda ao lado de paredões com muitas andorinhas aproveitando o spray de água para se refrescarem.

Eram 11:00h da manhã paramos para lanchar, junto com o outro grupo e claro, o quati. Neste momento tivemos uma noção que animais selvagens e seres humanos às vezes tem uma relação um pouco delicada. O quati ao sentir cheio de comida avançou sobre um turista, que pra se livrar teve que chutar o animal que tentava morder sua perna.

Seguimos até a Cachoeira Beija-Flor ou Betharzinho que fica a 3,6km do Núcleo Santana. A queda possui 13m de altura. Pensei, pensei, mas não resisti. Deixei a câmera com o Jeovani e fui brincar um pouco na água. Fui seguindo até a base da cachoeira, onde tive um susto. Fiquei sem chão, o nível da água não dava mais pé. Como não sei nadar, ferrou!!! Fiquei tranqüilo, boiei um pouco e movimentei os braços e até voltar a ter chão. Nossa quase tive aprender a nadar na marra. O maior problema é que estava atrás de umas pedras o guia não tinha minha visão. Um segundo de bobeira e já era!

Ao meio dia estávamos voltando pela mesma trilha da ida, encontramos outro grupo de turistas e seguimos até a Caverna Cafezal (12:32h).  Esta caverna não possui muitas formações, ela é praticamente um grande salão. Recebeu este nome, pois no passado era utilizava para estocar café.

Após 50min. no interior da caverna, seguimos para a próxima. A Caverna Água Suja possui um córrego em seu interior e para conhecer os 400m abertos a visitação é obrigado a se molhar um pouco (até o joelho). A maior parte do caminho é pelo leito do córrego, repleto de pedras arredondadas, visíveis graças as suas águas transparentes (e geladas). O que contradiz um pouco seu nome. No fim do percurso chegamos até a uma singela cachoeira. Como estava sem agasalho senti um pouco de frio.

Voltamos para a entrada da caverna às 15:05h e continuamos pela trilha.  Encontramos o quati novamente, mas desta vez ele não estava tão cordial. Ele estava a frente e não nos deixava passar. O guia com um ramo de Napoleão e tentou afugentar a “fera” e quanto mais ia pra cima do quati, mais ele o enfrentava. Quando de repente Jeovani escorregou e caiu. Eu passei pela “luta” e segui um pouco a frente. O quati continuou nos perseguindo e o guia tentou se livrar dele novamente e levou outro tombo. Pena não ter filmado esta batalha!

Seguimos nossa caminhada, e o quati nos perseguindo. Chegamos até a travessia do rio e neste ponto provavelmente despistaríamos o dinâmico animal. Quando atravessamos, começamos a provocar o quati, quero ver atravessar o rio? Quando o improvável aconteceu. Ele voltou até a margem subiu na corda e começou a atravessar o rio numa espécie de tirolesa. Incrivelmente ele conseguiu! Este quati é um espetáculo, salta, nada, corre, luta com os guias e faz tirolesa!

Voltamos para a entrada do parque (15:45h), onde carimbei meu passaporte, com a nova conquista. O guarda me informou que minha mãe estava precisando falar comigo urgente. Deram o recado via rádio e todo mundo estava sabendo. Que vergonha, um cara com 30 anos nas costas e a mãe atrás.

Na entrada do Bairro da Serra, paramos para comer um pastel e tomar um caldo de cana. Enquanto esperava o pedido, aproveitei para ligar para casa e tranqüilizar minha mamãe.

Terminado o lanche, me despedi de Jeovani e segui para a pousada.

Depois do banho, aproveitei para ler alguns artigos e matérias sobre o PETAR, que a Marizete mantinha para os hóspedes se informarem um pouquinho mais sobre as belas atrações da região. Aproveitei e tomei minhas cervejinhas.

Estava me sentindo um pouco sozinho na pousada, mas neste dia (sexta-feira) começaram a chegar outros hóspedes, como uma família de Praia Grande/SP, dois casais de São Paulo capital e outra família de Gov. Valadares/MG.

Pouco mais a noite jantei na mesma pousada do dia anterior, voltei e fui descansar.

 

6º Dia – 07/01/2012 – PETAR – Cavernas Ouro Grosso e Lambari de Baixo

Pouco antes das 8:30h estávamos, eu e o guia Jeovani, caminhando até outro núcleo do Petar, o Ouro Grosso. O tempo, assim como na maioria dos dias, estava um pouco fechado pela neblina nas primeiras horas da manhã.

Dada entrada na recepção do núcleo seguimos até a Caverna Ouro Grosso. Às 8:45h estávamos entrando na caverna por uma pequena entrada fechada por uma grade. No interior o acesso é um pouco dificultado por garrafões (pequenas aberturas), dá a impressão que se está nascendo das entranhas da terra. Todo o percurso é feito com água transparente e bem gelada. As rochas das paredes da caverna são em tons parecidos com ouro, doce de leite ou chocolate, e possuem claramente traços esculpidos pela água. No final do percurso, liberado para visitação, uma pequena cachoeira.

Após 25min. voltamos para entrada da caverna, em outras bibliografias constava que esta caverna tinha um percurso que demoraria 5h (ida e vota) para fazê-lo. Portanto, conheci muito pouco de sua extensão.

Continuamos a trilha, passamos pelo interior de uma imensa figueira e voltamos para a recepção no núcleo (9:25h).

Voltamos para o Bairro da Serra e tomamos um acesso para a Caverna Alambari de Baixo. Percorremos aproximadamente 2,3km (30min) até a entrada da caverna (10:08h). No início do percurso na caverna o chão era um pouco escorregadio, mas logo estávamos dentro das águas geladas do rio Vale do Alambari. Em pontos mais críticos com água até o peito e com uma corda para auxiliar na travessia. A caverna em si não possui muitas formações, seu atrativo maior é a água e o desafio que ela impõe.

Saímos por outro ponto da caverna às 10:34h e seguimos por uma antiga trilha até ao Bairro da Serra.

Passamos no camping do Jeovani, onde me deu mais materiais sobre o parque e a região. Paramos numa pequena mercearia, a intenção era beber uma cerveja, mas foram chegando outros guias e as cervejas continuaram até 12:30h. Os guias tinham muitas histórias e foi muito bem proveitoso o happy-hour. Voltei à pousada um pouco alterado e resolvi descansar um pouco!

Por volta das 16:20h começou a chover um pouco forte e abandonei qualquer perspectiva de conhecer algo mais. Aproveitei para falar e conhecer os outros hóspedes.

À noite jantei e fim de mais um dia.

 

7º Dia – 08/01/2012 – Carvena do Diabo até Cascavel-PR (847km)

Tomei café-da-manhã, ajeitei a bagagem na moto, fiz o check-out e me despedi do pessoal da pousada (Marizete e sua mãe) e agradeci a hospitalidade (me senti em casa).

Parti às 9:00h rumo a Iporanga/SP pela SP-165, uma estrada cascalhada sem maiores problemas, a não ser em um pequeno trecho de 20m com lama, que consegui superar com um pouco de medo, pois a moto deslizou um pouco para cada lado.

Bem como o trecho na chegada de Apiaí/SP até o Bairro da Serra, o trecho até Iporanga/SP é muito bonito e vale o passeio, principalmente ao se avistar o rio Ribeira.

Depois de 12km e 20min cheguei a Iporanga/SP uma antiga cidade de 1576. Continuando pela rodovia SP-165, agora asfaltada, mas sem acostamento. Segui rumo leste contornando o rio Ribeira. A estrada é muito bonita e o rio de águas barrentas quase sempre visível ao lado esquerdo. Passados 32km acessei o trevo para Núcleo Caverna Diabo. Graças a esta caverna passei a pesquisar a região e descobrir todas as outras cavernas deste relato. Então nada mais justo que conhecê-la.

A estrada de acesso a caverna tem 4,5km de extensão, cheia de curvas e esta toda asfaltada. Contorna uma mata exuberante, uma maravilha!

Do estacionamento até a entrada da caverna são mais alguns metros, onde tem um ponto de controle de acesso. São formados os grupos para entrar junto com um guia na caverna em horários específicos. Consegui com que me deixassem seguir com o grupo das 10:30h que havia recém saído.

A Caverna do Diabo ou Gruta da Tapagem é a maior do estado de São Paulo, dos seus mais 6,5km conhecidos apenas 700m são liberados para a visitação. Esta parte turística possui passarelas, escadas com corrimãos e iluminação artificial. Possui muitos e belíssimos espeleotemas.

Diferentemente de todas as outras cavernas que havia conhecido esta, infelizmente não aproveitei muito, pela quantidade de turistas do grupo. Eu procurava ficar sempre no fim do grupo e as vezes as fotos eram prejudicadas por um ou outro que cruzava a frente da câmera, mas faz parte!

Voltei para a estrada às 11:40h da manhã e segui rumo a Eldorado/SP. Na entrada da cidade passei por uma leve e passageira chuva.

Em Jacupiranga/SP acessei a rodovia BR-116, a Régis Bittencourt, rumo a Curitiba/PR. Na saída da cidade fiz o primeiro abastecimento depois de percorrer 118km no dia, ou seja, mais de 700km por percorrer e já eram 12:45h.

A rodovia é muita boa, com até três faixas de trafego e muito bem conservada. Justificado pelos pedágios. No trecho de serra na divisa de estados São Paulo-Paraná passei por chuvas alternadas, mas sem grandes problemas.

Ingressei no meu estado às 13:46h e ainda tinha muito que percorrer, quase cruzar o Paraná de leste a oeste.

Contornei aproximadamente 50km para desviar de Curitiba/PR e tomar a rodovia BR-277 até Cascavel/PR, eram 15:02h. Neste ponto tive um pequeno stress com o comportamento de alguns que se denominam “motoristas”, mantinham fila dupla (em rodovia duplicada) travavam todo o trânsito e não deixavam ninguém passar. Alguns permaneciam na faixa esquerda e não davam passagem, o jeito foi ultrapassar pela direita e continuar (por favor não façam isso, mas estava ficando perigoso para mim).

Em Fernandes Pinheiro/PR (pouco antes de Irati/PR) parei para abastecer novamente e desta vez comi e bebi algo antes de seguir viagem.

No pedágio da praça do Relógio, antes da serra para chegar a Guarapuava/PR alcancei um grupo de motoqueiros (17:30h). Subi a serra seguindo as motos, foi bem bacana, me senti enturmado novamente. Um pena que pararam num posto antes da cidade.

Segui sem maiores novidades, já o que caminho era bem familiar. Fiz uma pequena parada no SAU (Serviço de Atendimento ao Usuário) de Laranjeiras do Sul/PR e outra para abastecer em Guaraniaçu/PR.

Finalmente cheguei a minha casa em Cascavel/PR pontualmente às 21:00h e fim de mais uma inesquecível viagem!

Telefones Úteis:

PETAR

  • Pousada do Quiririm: (15) 3556-2021 / 3556-1273
  • Pousada do Abílio: (15) 3556-1405

Referências:

http://www.geografia.fflch.usp.br/mapas/Atlas_Intervales/oparque.html

http://www.fflorestal.sp.gov.br

http://coopervales.blogspot.com/search/label/Parque%20Intervales

http://www.pick-upau.org.br/expedicoes/bandeirantes/parque_intervales/parque_intervales.htm

http://www.petarinfo.com.br

http://www.feriasbrasil.com.br/sp/iporanga/

http://www.parqueaventuras.com.br/

http://www.pousadadoquiririm.com.br

http://www.pick-upau.org.br/expedicoes/bandeirantes/petar/petar.htm

http://www.mochileiros.com

http://www.cavernadiabo.com.br

3 Respostas para “Viagem das Cavernas (Intervales/PETAR/Caverna do Diabo) (jan/2012)

  1. Muito legal sua viagem, apenas gostaria de corrigir uma questão colocada por você na hora do apagão. Ser cego não é angustiante, afinal fazemos exatamente as mesmas coisas que vocês fazem, porém de forma diferente. Alias, eu e minha esposa passamos pelos mesmos pontos e cavernas que você passou, só que de olhos fechados. Parabéns pela viagem e abraços.

    • Boa tarde, Luiz! Obrigado pelos comentários.

      Perdão sobre questão “do apagão”, não era essa minha intenção. Vou melhor e revisar o texto.

      Muito obrigado pelo retorno, abraço

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