Viagem aos Cânions – Cambará do Sul (set/2010)

MOTIVAÇÃO

Conhecer esta região que dividi os dois estados mais ao sul do Brasil é uma excelente aventura. Com espetaculares e grandiosas paisagens dignas de cinema. Como outrora retratadas em séries e filmes na televisão.

Neste caso, a proximidade de cerca 900km, me possibilitava fazer este roteiro em algum feriado “prolongado” e a grande oportunidade aconteceu num “Sete de Setembro”.

ROTEIRO

Partir de Cascavel/PR e seguir pelo interior de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, até a cidade de Cambará do Sul/RS, base para conhecer os Cânions Itaimbezinho e Fortaleza. Retornar pela famosa Serra do Rio do Rastro, sul de Santa de Cantarina e voltar para a cidade de partida no oeste paranaense, em quatro dias.

A VIAGEM

1º Dia – 04/09/10 – Cascavel/PR – Bom Jesus/RS (752km)

Em Cascavel, Paraná, amanheceu com um clima levemente fri oe o tempo muito limpo e convidativo para o início da viagem, neste feriado prolongado de Sete de Setembro.

Moto preparada, a primeira vez com GPS, adaptado de uma forma um pouco improvisada, com um pequeno ajuste técnico (vulgo “gambiarra”).

Deixei o aconchego do meu lar às 7:25h (não sei até hoje porque ainda faço isso) e parti para estrada. Primeiramente pela rodovia BR-277 sentido Foz do Iguaçu/PR e poucos quilômetros a frente a rodovia BR-163 rumo ao sul.

Em Lindoeste/PR, às 8:06h, a temperatura em um painel indicava 12ºC, estava um pouco frio e sob uma leve e momentânea neblina.

Como era um trecho já conhecido de outras viagens, não me ative muito as fotos. Passei por Capitão Leônidas Marques/PR e Francisco Beltrão/PR, e em Marmeleiro/PR (10:13h) fiz o primeiro abastecimento da viagem depois de rodar 190km.

Seguindo viagem tomei um trevo para a rodovia PR-180 rumo a divisa de estados Paraná-Santa Catarina. Neste trecho passei pela primeira chuva da viagem, não muito forte mas incomodou um pouco, principalmente pela sensação térmica que era um pouco desagradável.

Faltando dez minutos para as onze da manhã, cheguei a Campo Erê/SC, já no estado catarinense. Segui pela rodovias SC-157, BR-282 e SC-156 até Chapecó/SC.

Ao passar por Chapecó/SC segui para o Rio Grande do Sul pela rodovia SC-480. Ainda estava me acostumando com o novo companheiro (GPS), e tentando seguir a risca suas orientações.

O tempo estava fechado e sempre passando por chuvisqueiros, que deixava o passeio um pouco tenso. Desta forma cruzei a bela região da divisa de estados Santa Catarina-Rio Grande do Sul por volta da uma hora da tarde.

Seguindo as “ótimas” orientações do GPS acessei a rodovia RS-480 (via Goio-En/RS), e para minha surpresa onde estava a estrada? Antes de São Valentim/RS a estrada estava em reforma e tive que passar por uma estrada de chão enlameada devido a chuva. Que desespero! Segui com as duas pernas esticadas e com a moto patinando muito.

Quase provoquei um acidente, quando parei para perguntar a um motorista de um carro se aquela estrada continuava daquela forma por muitos quilômetros a frente. O outro motorista em uma caminhonete que vinha atrás, derrapou e quase colidiu com o carro que estava parado me passando  informações.

Por sorte após São Valentim/RS, a rodovia voltou a ser transitável, pelo menos em melhores condições (sem barro). Muy amigo este tal de GPS, não?!

Em Barão de Cotegipe/RS fiz mais uma parada para abastecimento e e segui para Erechim/RS, onde parei para beber algo quente já que estava muito frio. Aproveitei para reforçar as vestimentas com mais blusas. Eram pouco mais de 14:15h.

Segui pela rodovia RS-135 até a cidade de Coxilha/RS, onde acessei o trevo para Tapejara/RS via rodovia RS-463.

A estrada estava em boas condições e o clima estava um pouco nublado, mas seco. Na seqüência passei pelas rodovias RS-463, RS-467 e RS-126 até chegar a rodovia BR-285 rumo a Vacaria/RS.

Em Vacaria/RS, às 17:25h, outro abastecimento. Como estava ficando tarde, e logo estaria escurecendo, fiquei um pouco apreensivo e não chegaria durante o dia à Cambará do Sul/RS. Segundo informações do frentista, se fosse por Bom Jesus/RS passaria inevitavelmente por estrada de chão, divergindo do meu guia de estradas e do GPS (conforme configuração o aparelho estava sempre apontando o caminho mais curto). Resolvi seguir até onde me sentisse confortável, ou encontrasse uma boa hospedagem.

Cheguei à Bom Jesus/RS a noite, e na saída da cidade parei num posto para pedir informações quanto a estrada. O frentista me disse que realmente havia um trecho sem asfalto. Resolvi ficar por ali mesmo. Um cliente que escutava a conversa me guiou com seu automóvel até um hotel.

Devidamente instalado e após o banho fui a um restaurante na praça central da cidade. Jantei enquanto assistia a um jogo de futebol (Botafogo e Grêmio pelo campeonato Brasileiro).

Na volta para o hotel aproveitei para fotografar algumas construções antigas desta histórica cidadezinha gaúcha.

2º Dia – 05/09/10 – Bom Jesus/RS – Cambará do Sul/RS (125km)

Tomei café da manhã e conversei com os proprietários do hotel (Sr. Felisbino e Sra. Sandra), um casal de mais idade, o senhor me deu várias dicas da região e alguns folhetos turísticos. Esta região tem um grande potencial turístico. Quando o asfalto possibilitar o acesso mais cômodo a alguns pontos, acredito que o turismo será muito mais explorado.

Infelizmente não havia chegado a Cambará do Sul/RS no dia anterior, mas tinha algumas vantagens em seguir descansado e bem disposto para aproveitar as belezas locais. Por volta das 8:30h estava seguindo rumo ao sul pela rodovia RS-110 sentido a São Francisco de Paula/RS. A estrada, a princípio, era asfaltada, simples e serpenteava uma região acidentada e bela.

O clima estava um pouco frio e havia um pouco de neblina em alguns lugares.

Cerca de 36km percorridos depois de Bom Jesus/RS, na intersecção de acesso a Princesa dos Campos/RS, o asfalto deu lugar a estrada de chão. Tranquilamente percorri os quase 20km sem pavimento, por volta das 9:40h. Apenas o trecho final estava sendo asfaltado, onde tive mais dificuldade com as pedras soltas.

Depois do reinício do asfalto, foram mais 16km até encontrar a rodovia RS-453.

O dia estava ótimo, limpo e com temperatura muito agradável, perfeito para pilotar uma motocicleta. Na rodovia RS-453 foram mais 16km, e no trevo de acesso à Tainhas/RS acessei a rodovia RS-020 rumo à Cambará do Sul/RS, a 34km dali.

Faltando alguns minutos para as 11:00h da manhã, na entrada da cidade de Cambará do Sul/RS, parei na Agência de Turismo da Colina, para buscar informações quanto a hospedagem e passeios. Eles foram muito prestativos, ligaram para um hotel e uma pousada para consultar a disponibilidade e preços. Acabei optando pela pousada (Pousada Alvorada), principalmente pelo valor.

Quanto aos passeios, precisaria fechar um grupo para fazê-los. Anotaram meu celular e caso algum grupo se formasse me ligariam.

Fui até a pousada, descarreguei todas as malas e me instalei. Como já eram quase meio-dia e a fome estava apertando, pesquisei com a dona da pousada um restaurante e fui até ele. Antes uma pequena pausa na praça central da cidade para fotografar a Igreja Matriz São José, inaugurada em 1947, em estilo barroco possui uma torre com 32m de altura.

Fui ao restaurante Galpão Costaneira que apresentava instalações bem rústicas e comida regional, estava muito bom e me fartei com aquela abundância.

Voltei para a pousada, como já era mais 13:30h da tarde e não haviam ligado da agência, estava quase decidido a ir de moto até o Parque Nacional Aparados da Serra, para conhecer o Cânion Itaimbezinho.

Quando estava preparando a moto para sair, o pessoal da agência ligou e confirmou um grupo para o passeio. Ótimo, iria com uma turma e como não conhecia muito sobre as condições da estrada preferi esta opção.

Pouco antes das 14:00h a van passou na pousada, e seguimos buscar os demais turistas para o passeio.

Percorremos cerca de 18km até o Parque Nacional Aparados da Serra, a estrada de terra estava em boas condições e tranquilamente poderia ter percorrido de moto.

Neste parque é cobrado ingresso,  porém oferece banheiros, lancheria, salas de exposição e vídeo e serviço de informações. Estava aberto ao público de terça-feira a domingo, das 8:00h às 17h.

O Parque Nacional Aparados da Serra, foi criado em 17/12/1959 e é considerado um dos mais antigos do país.  Ocupa uma área de mais 13 mil hectares, abrangendo os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Tanto o Parque Nacional Aparados da Serra quanto o vizinho Parque da Serra Geral (17,3mil hectares) são administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Estes parques abrangem uma região inserida na Formação Geológica da Serra Geral. Devido ao relevo que apresenta um planalto levemente ondulado e abruptamente encerrado por paredões de 700m de altura, com se fosse “aparado” por uma faca é a razão da denominação da região.

A principal atração do parque é o Cânion Itaimbezinho, que possui extensão de 5,8km, largura de 600m e profundidade de 720m.  Em tupi-guarani seu nome quer dizer pedra afiada ou cortada (“ita” – pedra / “aimbé” – cortada ou afiada).

Como as trilhas eram auto-guiadas e de nível fácil não era necessária a presença de guias. Para início optei pela mais longa com cerca de 6km ida e volta, a Trilha do Cotovelo. E na seqüência fazer a Trilha do Vértice.

Um dos primeiros aspectos que notei quanto a vegetação era a forte presença de Floresta de  Araucárias.

O Arroio Preá é o formador da Cascata Véu da Noiva, que possui uma queda de cerca de 500m de altura.

Cerca de 35min de caminhada cheguei ao primeiro ponto onde comecei a admirar o Cânion Itaimbezinho.

Um cânion é formado principalmente pela lenta erosão provocada por um rio ao longo de milhões de anos, formando uma fenda profunda e sinuosa. E outros fatores como deslocamento das placas tectônicas que criam fraturas e elevam gradativamente relevo, acentuam a velocidade das águas e o aprofundamento dessa fendas.

Continuando a trilha pela borda do cânion, a cada metro avançado vai se revelando a beleza e grandiosidade do lugar.

O retorno foi pelo mesmo caminho, fiz os 6km da Trilha do Cotovelo em um hora e quarenta minutos. Não é o ideal, já que poderia ficar mais tempo admirando a paisagem, mas já eram 16:20h e queria fazer a Trilha do Vértice.

Iniciei a Trilha do Vértice, mais curta com cerca de 1,4km de extensão. Como estava no fim da tarde, não tive as melhores condições de luz para fotografar o Cânion e as Cascatas, principalmente pelas sombras e o sol contra.

O primeiro mirante fica ao lado do topo da Cascata das Andorinhas, uma queda de cerca de 300m formada pelo Arroio Perdizes. No segundo mirante, que fica a frente do “vértice” (início) do Cânion Itaimbezinho, e é possível ver a Cascata Véu da Noiva ao fundo.

Após uma hora de caminhada, voltei para o estacionamento do parque, e aguardamos o restante do grupo terminar o passeio. Fiquei conversando com o pessoal, o guia Cipriano e um casal gaúcho e seu filho.

Voltamos para a cidade, passei na agência para acertar o passeio do dia seguinte e voltei para pousada.

Depois do banho, fui jantar numa pizzaria, onde reencontrei o casal gaúcho, conversamos mais um pouco. Voltei para a pousada e fim de mais um ótimo dia.

Cambará do Sul/RS é uma pequena cidade com cerca de 6500 habitantes, suas principais atividades econômicas são o turismo, industria de madeira e celulose, agropecuária, agricultura e a apicultura. Sendo a maior produtora nacional de mel, por isso o título de “Capital do Mel”. E pode perfeitamente ostentar o título de “Terra dos Cânions”.

Cambará é uma palavra em tupi-guarani que significa “folha de casca rugosa”. É uma árvore comum nos Campos de Cima da Serra, e deu origem ao nome da cidade.

A cidade nasceu da doação de 200 hectares de terras  à igreja, em pagamento a uma promessa à São José, em 17 de abril de 1964. Antes estas terras pertenciam ao município de São Francisco de Paula/RS.

3º Dia – 06/09/10 – Cambará do Sul/RS (47km)

Na pousada não havia café da manhã, então fui até uma padaria. Resolvi fazer um teste, e pedir um “cacetinho” e um copo de leite para a atendente da padaria. A moça não esboçou surpresa nenhuma, e me trouxe um “pão-francês” e um copo de leite. Cacetinho é o nome que os gaúchos dão ao pão francês e pude comprovar sem malícia nenhuma.

Voltei para a pousada e esperei o pessoal da agência para seguirmos rumo ao Parque Nacional da Serra Geral. Aproveitei para conversar com outros hóspedes da pousada, incluindo o Sr. Paulo que participava de lutas livre em Curitiba/PR, com o pseudônimo de Cavaleiro Fantasma.

Por volta das 9:00h da manhã, a guia Patrícia chegou e seguimos para as outras hospedagens e para o parque.

A estrada não era melhor que o acesso para o Parque Nacional Aparados da Serra, mas poderia ser percorrida por um carro baixo ou uma motocicleta. Havia alguns trechos com maiores dificuldades, mas sem maiores problemas.

Passamos por um ponto de controle do parque (não paga-se ingresso) e chegamos a um estacionamento, já com vários carros e turistas.

Nosso grupo iniciou a Trilha do Mirante (que se pode observar 95% do Cânion Fortaleza), por volta das 10:30h da manhã. Toda a vegetação ao redor era de pequeno porte e em tom marrom, segundo a nossa guia é a própria natureza se encarregando de preparar o solo para o desenvolvimento de árvores maiores.

Conforme subíamos começamos a ver no sentido leste ao fundo a cidade de Torres/RS que está a aproximadamente 40km dali. O tempo e a visibilidade estavam ótimos que permitiu ver tão longe.

Pouco a pouco ao lado oeste do percurso da nossa “escalada”, começamos a “notar” o Cânion Fortaleza.

O Cânion Fortaleza apresenta extensão de 7,5km e largura de 2km, e está a 1240m sobre o nível do mar. Recebe este nome por lembrar muralhas de uma “Fortaleza”.

Toda aquela beleza era de “encher os olhos”, um espetáculo da natureza que impõe como somos pequenos neste mundo.

Voltamos pela mesma trilha e fizemos uma pequena pausa para comer algo para repor as energias (12:00h), e seguir para as Trilhas da Cachoeira do Tigre Preto e Pedra Segredo.

Voltamos para a van, e retornamos pela estrada de acesso até o ponto de início da Trilha da Cachoeira do Tigre Preto (12:45h). Esta trilha têm um percurso de 3km (ida e volta), onde se visualiza cerca de 10% do Cânion Fortaleza.

Passamos por um lajeado para atravessar o rio que forma a cachoeira, e alguns metros de caminhada conseguimos ver a Cachoeira do Tigre Preto, composta por três quedas d’água com 400m de altura.

Tomamos a Trilha da Pedra Segredo, até chegar a uma pedra de 30 toneladas e 5 m de altura, apoiada sobre uma base de 50cm. Caprichos da natureza!

Depois desse passeio espetacular pelo Parque Nacional da Serra Geral retornamos para a van, e às 14:00h seguimos para a cidade. O parque ainda conta com dois grandes Cânions, o Malacara e o Churriado, mas fica para a próxima vez.

Como estava bem cedo, tinha muito tempo para aproveitar no dia. Eram apenas 15:00h da tarde, ou seja, pelo menos mais três horas de sol. Passei para abastecer a poderosa Suzi e parti para as Cascatas dos Venâncios.

Para chegar foram 8km de asfalto saindo de Cambará do Sul/RS (sentido Tainhas/RS – rodovia RS-020) e mais 14km de terra rumo a Jaquirana/RS.

Não tive problemas com as estradas e estavam bem sinalizadas. O único trecho mais crítico foi dentro da propriedade, havia uma descida um pouco íngreme, cheia de buracos e cascalhos. A moto (de pneus lisos) derrapou um pouco e ficou um pouco perigoso.

Iniciei o passeio pelas cascatas (16:00h), e logo avistei os paredões de queda com 6m de altura e 100m de extensão.

Segui o curso do Rio Camisas por uma trilha em sua margem, até outra queda que limitava o percurso. O lugar tinha sua beleza particular.

Eu e minha companheira voltamos para cidade. Parei um pouco na Agência da Colina, para bater um papo com meninas e trocar mais algumas informações.

Voltei para a pousada, e descobri que havia perdido a chave do quarto. Com muita vergonha, falei com o dono da pousada e ele conseguiu uma chave extra (improvisada). Paguei um valor para que ele fizesse outra chave.

Pouco mais a noite, fui comer Fondue num recomendado restaurante. Era bem aconchegante e o rodízio de Fondue era muito farto. Começou com legumes como brócolis, cenoura e batata acompanhado de pão (com queijo), na seqüência carne e frango e por fim frutas (com chocolate).

A conta saiu um pouco cara para uma pessoa, mas valeu a pena. Voltei para a pousada empanzinado e fui dormir cedo, já que no dia seguinte tinha um bom trecho a percorrer.

4º Dia – 07/09/10 – Cambará do Sul/RS – Cascavel/PR (1096km)

Bem era hora de voltar para casa, em pleno feriado Nacional da nossa Independência. Como o percurso no dia era um pouco longo, mais de 1000km. Optei por acordar bem cedo, e nem tomar café da manhã. Com o termômetro marcando 7ºC, às 6:34h iniciei a viagem de regresso.

O clima estava frio, mas para compensar as paisagens iniciais na rodovia RS-020 eram belíssimas.

Segui em direção à Tainhas/RS e acessei a rodovia RS-486, a chamada Rota do Sol (imagino por causa do sol, diretamente nos olhos em determinados pontos), rumo ao litoral, a 68km dali. Este percurso é muito bonito, com região de serras e ao lado do Parque Estação Ecológica de Aratinga.

Acessei a rodovia BR-101, e segui sentido norte. Resistindo a vontade de passar por Torres/RS que outrora havia conhecido.

Estes primeiros quilômetros pela rodovia BR-101 eram numa região bela cercada de um lado por serras e do outro pela Lagoa de Itapeva. Alguns trechos estavam em duplicação com algumas barreiras. O tráfego de outros veículos era intenso.

Por volta das 8:20h da manhã passei sobre o rio Mampituba, na divisa de estados Rio Grande do Sul-Santa Catarina. Segui para Criciúma/SC, via rodovia SC-445, onde fiz a primeira parada do dia para abastecer e comer algo.

Neste ponto da viagem estava muito ansioso, iria conhecer a famosa “Serra do Rio do Rastro”, um dos lugares que todo motoqueiro que se preze faz questão de serpentear por suas curvas. E eu estava a pouco mais de 50km dali.

Saí de Criciúma/SC e tomei a rodovia SC-446, passando pelas charmosas cidadezinhas catarinenses Cocal do Sul/SC, Urussanga/SC e Orleans/SC, até chegar à Lauro Müller/SC.

Em Lauro Müller/SC a altura sobre o nível do mar era de aproximadamente 200m, eram por volta das 10:30h. Como não poderia ser diferente, as paradas fotográficas foram muitas e a vontade era que fossem ainda mais. O tempo estava muito bom e limpo, e permitiu boa visibilidade e belas fotos.

A história desta serra é fortemente ligada aos tropeiros, que eram encarregados de fazer o intercâmbio comercial entre o litoral de Laguna/SC e a região serrana de Lages/SC. Certa vez, ao aquecerem seu almoço descobriram que uma determinada pedra exposta ao fogo, exalava um odor de enxofre e pegava fogo, eles associaram a algo demoníaco.  O governo imperial brasileiro ao investigar, descobriu se tratar de carvão mineral. Em meados de 1860 inicia-se a exploração do carvão e em 1884 foi construída a Ferrovia Teresa Cristina para levar este produto de Lauro Muller/SC ao porto de Imbituba/SC. Isto possibilitou o desenvolvimento e originando outras cidades na região.

A sensação de viajar por esta estrada é muito interessante, ver os caminhões zig-zagueando por suas curvas, dando a impressão que vão cair sobre você ou irão perder os freios a qualquer momento.

No alto são pouco mais de 1400m sobre o nível do mar, ou seja, um desnível de 1200m em cerca de 23km (desde Lauro Müller/SC) e no meu  caso em 1:16h de passeio.

Era meio-dia e ainda estava um pouco longe de Cascavel/PR, depois da diversão, o negócio era a obrigação de voltar para casa. Segui para Bom Jardim da Serra/SC e São Joaquim/SC. Entre estas cidades resolvi acelerar um pouco mais, como não conhecia a estrada isso foi um risco muito alto.

Havia recém ultrapassado um carro, e trafegava a uns 140km/h, quando encontrei uma curva muito fechada a direita e em elevação.  Deitei a moto e foi insuficiente para fazer a curva, inclinei um pouco mais até a pedaleira tocar no asfalto e mesmo assim estava indo em direção a pista contrária, levei um susto ao escutar o barulho da pedaleira, voltei um pouco a moto e tornei a incliná-la até novamente raspar a pedaleira, finalmente domei a fera encima da faixa que dividi as duas pistas. Isto tudo em décimos de segundos, que sufoco. Sorte não vir nenhum veículo em sentido contrário que poderia me apavorar um pouco mais e ser inevitável o acidente.

Naturalmente depois do susto reduzi a velocidade, e segui para São Joaquim/SC. Na saída da cidade uma pequena pausa num mirante e dá-lhe estrada.

Segui para Lages/SC pela rodovia SC-438 (ou SC-114), onde fiz o segundo abastecimento de moto e piloto.

No posto em Lages/SC, me informei com um frentista sobre a melhor rota para o oeste do Paraná. Segundo ele a mais curta seria pela rodovia BR-282, mas ela não estava bem conservada. Como alternativa sugeriu seguir pela rodovia BR-116 e acessar a rodovia BR-470 sentido a Curitibanos/SC, uma rodovia pedagiada, mas em boas condições. Optei pela segunda só por prudência.

De volta a estrada, cheguei em Xanxerê/SC às 17:45h, e estava ficando escuro. Aproveitei para abastecer e comer algo.

Segui para Bom Jesus/SC e segundo meu glorioso GPS, eu deveria acessar a rodovia BR-480. Quando cheguei ao início da estrada, estava em reformas. Pedi informações a um senhor que me sugeriu ir por Abelardo Luz/SC pela rodovia SC-115, e assim procedi.

Por volta das 19:00h passei pela divisa de estados Paraná-Santa Catarina, finalmente estava no meu já saudoso estado.

Pouco antes de Clevelândia/PR, o GPS caiu, por causa da perda de um parafuso. A sorte que estava com a alça pendurada no espelho da moto. Estava muito escuro e era impossível encontrar algo no acostamento. Para ajudar a rodovia estava bem movimentada. Guardei o GPS e segui viagem.

Em Francisco Beltrão/PR outro abastecimento, e às 23:08h estava em casa em Cascavel/PR, finalizando mais uma aventura.

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