Viagem Belém-Nordeste-Brasília (dez/2009-jan/2010)

MOTIVAÇÃO

Não poderia ser diferente a grande motivação por que concluir um sonho, conhecer os limites litorâneos do nosso país.

Nesta que seria a terceira etapa dessa grande viagem pela cultura, história e as infinitas atrações desse grandioso Brasil, de dimensões continentais e de grande diversidade.

Somando a isso o prazer de viajar, principalmente de moto!

ROTEIRO

A viagem planejada inicialmente cortava o “Coração do Brasil”, passando por Goiânia/GO, Palmas/TO e Imperatriz/MA, até encontrar a capital paraense.  A intenção inicial seria fazer esta primeira etapa de sul a norte em três dias, caso tudo ocorresse perfeitamente, mas isso é quase impossível. A próxima etapa, em oito ou nove dias, seria contornar parte do litoral do Norte e praticamente todo o litoral nordestino até Salvador/BA. E na última parte voltar à cidade de partida Cornélio Procópio/PR, pela região da Chapada Diamantina e por Brasília/DF.

A VIAGEM

1º Dia – 26/12/09 – Cornélio Procópio/PR – Goiânia/GO (897km)

Esta viagem começou às 6:00h (horário de Brasília) de um sábado, com os preparativos iniciais para a viagem. Desta vez saindo de Cornélio Procópio/PR, ou seja, a família ao lado e a minha mãe, como sempre, colocando mil e um empecilhos sobre a viagem.

Saí de casa às 7:00h da manhã, o tempo estava bem nublado e alguns pontos com cerração. Segui rumo ao estado de São Paulo, passando pelas cidades de Leópolis/PR e Sertaneja/PR. Onde a agricultura é predominante e a cultura da época o soja.

Pouco antes da divisa de estados Paraná-São Paulo há um dos poucos pedágios de toda viagem.

Trinta e oito minutos após o início da viagem, cruzava a primeira divisa de estados.

Poucos quilômetros após a cidade de  Marília/SP saí da rodovia SP-333 e encontrei a BR-153, a famosa “Transbrasiliana”, que corta o Brasil de norte a sul e seria uma das principais estradas desta etapa da viagem até o norte do país.

No caminho até o primeiro abastecimento (e lanche), foram 333km até Brady Brassitt/SP. As paradas foram poucas, principalmente por já ter passado por estas estradas (SP-333 e BR-153) na viagem à Salvador/BA.

Por volta das 11:15h passei pela cidade de São José do Rio Preto/SP e daquele ponto em diante as paisagens e rodovias passaram a ser novidades para mim.

Antes de cruzar o rio Grande (12:00h) e mais uma divisa de estados, agora entre São Paulo e Minas Gerais, parei para fotografar a usina hidroelétrica de Marimbondo, e senti os primeiros pingos de chuva da viagem. O curioso era que a frente estava sol e logo atrás a chuva dando o ar de sua graça.

Seguindo pela rodovia BR-153 na região de Frutal/MG, ao lado da estrada havia várias barraquinhas de abacaxi. E as plantações alternavam entre o soja, a cana-de-açúcar, abacaxi e pomares de laranjas.

Em Prata/MG mais uma parada para abastecimento, ir ao banheiro e beber algo. Na saída do posto com a ameaça de chuva parei para colocar a proteção nas malas contra a chuva. Afortunadamente a chuva estava se aproximando e eu estava escapando pela tangente, quando percebi que havia perdido a capa da mala banco e tive que voltar e procurá-la, retornando uns 6km até  encontrá-la. Voltando ao sentido inicial, mas sem a mesma sorte, a chuva me encontrou a frente. Durando poucos quilômetros e logo o asfalto estava seco novamente. A estrada estava má conservada até o trevo para Uberlândia/MG.

Ingressei no estado goiano às 15:21h, pela cidade de Itumbiara/GO. A rodovia no início era duplicada e estava muito boa. Depois da cidade de Panamá/GO a estrada passou a alternar trechos simples e duplicados.

Nas proximidades da cidade de Professor Jamil/GO a chuva desta vez veio com maior intensidade e durou até a cidade de Hidrolândia/GO.

Por volta das 18:00h, cheguei ao centro de Goiânia/GO, com aquela velha e peculiar dificuldade com o transito. Abasteci a moto e conversei com o pessoal do posto sobre os atrativos turísticos da cidade. Indicaram-me a igreja matriz e o bosque dos Buritis, além da praça cívica.

Primeiramente fui à igreja, na seqüência ao bosque.

No bosque muitas famílias passeavam naquele fim de tarde pós Natal, o clima estava bem agradável, com temperatura amena e o sol radiante.

Buriti é o nome de uma planta dos gêneros Mauritia, Mauritiella, Trithrinax e Astrocaryum, da família das Arecáceas.  É uma palmeira muito alta, que fornece palmito, fécula e madeira, além de óleo e fibras para artesanato.

Depois do passeio ao Bosque dos Buritis encontrei um hotel com certa dificuldade. Meus grandes problemas foram os retornos que eram bem complicados, ainda por se tratar do centro da cidade.  Havia muitas indicações proibindo fazer determinados retornos ou dobrar um cruzamento.

Ao deixar a moto aos cuidados do guarda do estacionamento conveniado ao hotel, fui à Praça Doutor Pedro Ludovico Teixeira, o centro cívico da cidade.

Fotografei algumas atrações como o monumento às Três Raças, o Palácio das Esmeraldas e o Museu Goiano Zoroastro Artiaga.

Caminhei um pouco pelas ruas centrais da cidade, com um pouco de receio da vizinhança, já que estava sozinho e carregando meus equipamentos fotográficos. Em terreno desconhecido todo o cuidado é pouco.

O doutor Pedro Ludovico Teixeira foi nomeado interventor federal no estado de Goiás, após a Revolução de 1930 e em 1932 criou uma comissão para escolher o novo local da construção da nova capital. Que teve sua pedra fundamental simbólica lançada em 24 de outubro de 1933. Em 1937 Goiânia foi oficializada como a capital goiana (anteriormente era a cidade de Goiás) e em 1942 a inauguração oficial da cidade. Pedro Ludovico seguiu a carreira política sendo eleito Deputado Constituinte, Governador e Senador, e por sua importância histórica está presente em várias obras e homenagens na cidade, sendo considerado o fundador de Goiânia/GO.

Voltei ao hotel, jantei e fui descansar. Estava terminando o primeiro dia da grande viagem que me aguardava.

2º Dia – 27/12/09 – Goiânia/GO – Palmas/TO (885km)

Depois de uma noite mal dormida, acordando inúmeras vezes. Ao levantar fui surpreendido pela chuva que caía. Fiquei bem apreensivo, resolvi esperar o tempo melhorar e tomar o café-da-manhã sem muita pressa.

Quando a chuva acalmou um pouco, fui até o estacionamento e busquei a moto. Terminei de arrumar as malas e fechei a conta do hotel.

Por volta das 8:00h da manhã estava seguindo rumo a Nerópolis/GO sob uma leve e contínua chuva.

Encontrar a rodovia GO-080 não foi tarefa muito fácil, errei um trevo (rótula) e estava indo em direção a Inhumas/GO. Acabei percorrendo uns 16km a mais (ida/volta). Erro corrigido, continuei viagem.

Pouco antes de Nerópolis/GO a chuva se intensificou e foi bem difícil continuar, requeria muito cuidado. E foi dessa forma até São Francisco de Goiás/GO, antes de reencontrar a BR-153.

Reencontrei a rodovia Transbrasiliana às 10:07h, neste ponto com tráfego mais intenso de carros e caminhões. Poucos quilômetros ao norte a chuva cessou e a estrada ficou mais segura de trafegar.

Em Uruaçú/GO, já às 12:20h, fiz o primeiro abastecimento do dia e completei o óleo da moto. Havia percorrido pouco mais de 300km. Aproveitei para fazer um lanche (almoçar).

Seguindo pela BR-153, passei novamente por forte chuva entre as cidades de Mara Rose/GO e Cariri de Tocantins/TO.

Passei para o estado de Tocantins sob chuva, e os quilômetros iniciais nesse novo estado estavam maus conservados e o tráfego de veículos pesados era intenso. Tive um pouco de dificuldade com a visibilidade por causa da viseira do capacete e os óculos que embaçaram, além dos caminhões que jogavam barro. Obrigando-me a parar para limpar a sujeira.

Em Cariri do Tocantins/TO fiz mais um abastecimento às 16:38h e um lanche. Segui rumo a Palmas/TO à aproximadamente 280km dali.

Para minha sorte o tempo melhorou (ficou sem chuva) até a capital tocantinense, aonde cheguei por volta das oito horas da noite.

Ao chegar a cidade conheci o motoqueiro paulista Mauro, que me indicou um hotel, e combinamos seguirmos juntos até Belém/PA.

Hospedei-me no hotel indicado, arrumei as malas e tomei meu merecido banho.

Fui reabastecer a moto e segui para a Praça dos Girassóis, a segunda maior praça pública do mundo, que abriga os principais órgãos administrativos da capital tocantinense.

Palmas/TO começou a surgir após a Constituição de 1988 que criou o estado de Tocantins. A pedra fundamental foi lançada na Praça dos Girassóis em 20 de maio de 1989 pelo então governador Siqueira Campos. Em 01 de janeiro de 1990 a cidade assumiu definitivamente a condições de capital do estado (provisoriamente estava com Miracema do Tocantins/TO), se tornando a mais nova capital estadual do país.

Seu nome é em homenagem ao primeiro movimento separatista da região em 1809, cuja sede era na Comarca de São João da Palmas (atual Paranã). Sendo outro fator a quantidade de palmeiras presentes na vegetação da região.

Na Praça dos Girassóis comecei fotografando o Palácio Araguaia, a sede do governo estadual, a Assembléia Legislativa, Tribunal de Justiça e, finalizando, o interior do Palácio Araguaia.

Voltei para o hotel, onde encontrei o Mauro e fomos a uma pizzaria próxima ao hotel. E fim do segundo dia de viagem.

3º Dia – 28/12/09 – Palmas/TO – Imperatriz/MA (691km)

Acordei às 6:30h (horário de Brasília/DF) e fiz a velha revisão na moto. Em Tocantins/TO não têm horário de verão, assim como os estados das regiões Norte/Nordeste, naquele momento era uma hora mais cedo (5:30h). Outro detalhe era quanto à duração dos dias, que sensivelmente apresentavam cada vez menos horas de sol, pois estávamos nos aproximando da linha do Equador.

Quando começou a ser servido o café-da-manhã às 7:00h, reencontrei o Mauro e tomamos o café. Fechamos a conta e saímos do hotel às 8:15h.

Conhecemos o Memorial Luis Carlos Prestes, projetado pelo arquiteto Oscar Niemayer, fomos a um posto de combustíveis para Mauro abastecer sua moto e passamos no balneário municipal às margens do rio Tocantins, antes de seguir viagem rumo à Belém/PA.

Antes de alcançar a cidade de Paraíso do Tocantins/TO passamos por um pouco de neblina. Na cidade passamos por uma rua na contramão (sem intenção) e chegamos a BR-153.

Passamos por uma barreira de reforma antes de Barrolândia/TO (a cidade do mel). Na cidade Mauro fez outro abastecimento.

Em Guaraí/TO, a 230km da capital Palmas/TO, mais uma pausa para um refrigerante. A poucos quilômetros de Nova Olinda/TO foi minha primeira parada para abastecimento, já com a reserva bem adiantada (359km). Comemos um pão-de-queijo acompanhado de uma coca.

Fizemos uma parada em Araguaína/TO para que o Mauro comprasse um par de luvas. Enquanto esperava, observava a vida agitada no comércio da cidade.

Continuamos pela rodovia BR-153, até a cidade de Wanderlândia/TO onde acessamos a rodovia BR-226 rumo a Darcionópolis/TO.

No caminho encontramos algumas formações rochosas muito interessantes e belas, e a pausa para fotografar foi inevitável.

Na cidade de Darcinópolis/TO, mais uma pausa para Mauro abastecer sua moto. E isso foi nossa sorte, pois caiu uma chuva muito forte repentinamente, e se estivessem longe do abrigo do posto seria um banho daqueles.

A chuva nos acompanhou até a divisa de estados Tocantins-Maranhão, na seqüência o trecho seguiu sem chuva até Imperatriz/MA.

Na chegada no hotel, conhecemos o Junior, irmão do dono do hotel, que ligou para um amigo motoqueiro, que se dispôs a mostrar-nos a cidade.

Por volta das 20:00h vieram ao hotel e saímos, eu, Mauro, Chimba, Zé Luiz, Capeta, seu filho e sua GS500 modificada.

Jantamos na orla do rio Tocantins, e com o tempo foram chegando outros motoqueiros amigos do pessoal. E fomos até privilegiados por uma “roda” de repente.

Depois fomos passear por Imperatriz/MA a segunda maior e mais importante cidade do estado do Maranhão e conhecer alguns pontos turísticos.

Os jesuítas foram os primeiros a utilizar o lugar onde esta situada a cidade, no ano de 1658. O povoado foi fundado em 26 de junho de 1849 pelo Frei Manuel Procópio do Coração de Maria. Inicialmente com o nome oficial de Povoação de Santa Teresa do Tocantins, que quatro anos mais tarde foi alterado para Vila de Imperatriz em homenagem a Imperatriz Teresa Cristina. Com o passar do tempo a própria população foi simplificando o nome, até que em 22 de abril de 1922 a vila foi elevada a condição de cidade utilizando simplesmente o nome Imperatriz.

Quando estávamos na nova ponte minha moto falhou, e como pensei que estava acabando o combustível, voltei rapidamente para o hotel.

Estava me preparando para dormir, quando meus novos amigos motoqueiros foram ao hotel para nos despedirmos.

4º Dia – 29/12/09 – Imperatriz/MA – Belém/PA (594km)

Por volta das 8:00h (horário de Brasília/DF), eu e Mauro estávamos saindo de Imperatriz/MA rumo a Belém/PA. Uma pequena pausa para abastecer com o combustível mais barato da viagem, e aproveitei para complementar o nível de óleo.

Seguindo pela BR-010 rumo a Açailândia/MA e logo pela manhã com o sol bem quente.

Por volta das 10:40h saímos do estado do Maranhão e ingressamos no estado do Pará. Acompanhando alguns motoqueiros sem capacete e com algumas mulheres sentadas de lado na moto por causa da saia.

A primeira parada para abastecer e tomar algo foi em Dom Eliseu/PA. Onde conhecemos outro motoqueiro da cidade chamado Di Pádua que possui um lava-car na cidade.

Seguimos nosso caminho pelo estado paraense. A paisagem mudou um pouco, principalmente pela coloração mais clara do solo e do aspecto da vegetação.

As pausas para se recuperar do calor foram aumentando. Passamos por Ulianópolis/PA e paramos em Paragominas/PA para almoçar e reabastecer as motos.

Voltamos para a rodovia às 13:25h, o calor estava bem forte e um pouco abafado.

Em Aurora do Pará/PA paramos numa vendinha para tomar um refrigerante.  Enquanto nos preparávamos para sair, uma motoqueira chegou e ficou elogiando a “motona” do Mauro. Eu fiquei observando a cena, ela percebeu e disse que se a olhasse novamente, eu iria apanhar. Claro que olhei novamente, mas ela não fez nada.

Por volta das 17:10h estávamos na rodovia BR-312 que segue direto a Belém-PA. E no caminho mais uma pausa para o Mauro abastecer sua Yamaha Dragstar.

Na cidade de Castanhal/PA resolvemos trocar o óleo das motos. Procurávamos uma oficina, quando vi um moto-taxi, não tive dúvida, pedi para que ele nos guiasse.

Enquanto trocavam o óleo, conhecemos o Eloi (BMW GS 1200), seu amigo Marcelo e o dono da loja Moto House, o Boni. Que relataram-nos algumas de suas aventuras pela América do Sul afora.

Com o óleo das motos trocado seguimos para Belém/PA. Sob chuva fomos adentrando na cidade, e com muita dificuldade por causa do intenso movimento de carros e ônibus, no horário das 18:40h. Foi uma situação muito complicada, paramos num posto para pedir ajuda. Seguimos em frente com todos os automóveis querendo nos atropelar, era uma selva. Até que encontramos um hotel, próximo a rodoviária da cidade.

Depois do banho (num banheiro minúsculo) fomos de taxi até a Estação das Docas, principalmente em função do clima chuvoso, preferimos dar um descanso para nossas amigas guerreiras.

Belém do Pará é também conhecida como “A Cidade Morena”, devido à miscigenação do povo português com os índios Tupinambás (nativos da região), ou popularmente denominada de “Cidade das Mangueiras”, pela abundância desta planta em suas ruas, ou ainda a “Metrópole da Amazônia” por ser a principal cidade da maior área metropolitana da região Norte com quase 1,5 milhões de habitantes.

O marco inicial da cidade é considerado a fundação do Forte do Presépio em 12 de janeiro de 1616, em virtude da conquista da foz do rio Amazonas por forças luso-espanholas. A princípio com a denominação de Feliz Lusitânia, passando por nomes como Santa Maria do Grão Pará, Santa Maria de Belém do Grão Pará e finalmente Belém.

Nestes quase quatro séculos de existência, a cidade passou por várias eras econômicas, a principal na Era da Borracha, a cidade foi considerada a mais próspera do mundo, inclusive gozando de tecnologia inexistente no sul e sudeste do país.

A Estação das Docas é um complexo cultural e gastronômico construído a partir de conjuntos de armazéns de porto abandonados às margens da baía do Guajará. Possui uma bela estrutura em ferro inglês com paredes de vidro e ar-condicionado, reunindo bares, restaurantes, exposições e cinema.

Experimentamos um prato típico da culinária paraense, o Pato no Tucupi com Jambu. Feito com pato assado e cozido ao molho do tucupi. O Tucupi é um tempero e molho amarelo feito a partir da mandioca brava, no qual é descascada, ralada e espremida. O molho é posto em repouso extraindo o amido (goma) e separando o líquido (tucupi), o líquido é cozido por horas até formar o molho e eliminar o veneno (ácido cianídrico). O Jambu ou Agrião-do-Pará é uma erva típica do norte do Brasil que têm propriedade anestésica e causa uma leve sensação de tremor na língua.

Ao finalizarmos a degustação exótica do Pato no Tucupi, passeamos pela Estação das Docas, que aos poucos foi ficando movimentada.

Seguimos caminhando pela orla em direção ao Mercado Ver-o-Peso, pelo aspecto estranho do local resolvemos desistir e retornar ao hotel. Ligamos para o mesmo taxista da vinda e voltamos para o hotel por uma rota duvidosa. Tivemos a impressão de o taxista estar fazendo um caminho maior que o necessário, mas valeu o passeio e pelas informações adicionais do local, como uma curiosidade sobre a regularidade das chuvas na cidade, segundo nosso guia antigamente as pessoas marcavam encontros para ”antes da chuva” ou “depois da chuva” em razão da tamanha “precisão” do tempo.

5º Dia – 30/12/09 – Belém/PA – São Luis/MA (714km)

Comecei cedo os preparativos para a viagem desse dia. Dessa vez iria sem meu amigo dos últimos dois dias, já que Mauro estava voltando para São Lourenço do Sul/SP.

Com a moto preparada, fui ao Mercado Ver-o-Peso, para conhecê-lo. Creio que no melhor horário do dia, pois estava repleto de pessoas, barracas e barcos, numa incrível e agitada desordem.

O Mercado Ver-o-Peso é a maior feira livre da América Latina e considerado a maior atração turística da cidade e uma das sete maravilhas do Brasil. Está localizado na Cidade Velha às margens da baía do Guajará, em sua fundação em 1688 era um posto fiscal no Porto Piri, onde era obrigatório ver o peso das mercadorias que saíam e chegava à Amazônia, originando sua denominação.

Continuei um pouco mais à frente, passei pela praça do Relógio onde localiza-se um relógio inglês instalado na década de trinta com doze metros de altura.  E segui para a Catedral da Sé, onde se inicia a famosa procissão do Círio de Nazaré, a maior procissão católica do mundo com cerca dois milhões de participantes, celebrada desde 1793.

A Igreja da Sé fica em frente à praça Frei Caetano Brandão e ao museu de Arte Sacra. Numa pequena área da cidade pode-se explorar (com tempo) uma parte da história de Belém/PA, além de admirar a antiga arquitetura desta importante capital.

Pedi informações a um policial, que me atendeu prestativamente e me indicou o caminho para a saída da cidade, pela Avenida Alm. Tamandaré.

Parei para abastecer, e quando me preparava para continuar, presenciei um acidente num cruzamento, um carro cruzou a preferencial de um motoqueiro.

Parei para fotografar a belíssima Catedral de Nazareth, onde termina a procissão do Círio de Nazaré. Posso dizer que é uma das igrejas mais belas que conheço.

Com muita facilidade consegui sair de Belém/PA, o oposto da chegada. Segui rumo a Castanhal/PA, onde aproveitei para tentar comprar na concessionária Suzuki da cidade a lâmpada do pisca-pisca traseiro-direito, que desde o primeiro dia de viagem não estava funcionando. Como não a tinham, fui até a oficina do dia anterior, e aproveitei para levar duas bisnagas de graxa branca para lubrificar a corrente.

Conversei novamente com o Boni, que me deu algumas dicas, principalmente sobre a travessia da balsa em Cajupe/MA para São Luís/MA, que economizaria uns 200km a viagem.

Por volta das 10:00h voltei para a estrada (BR-316). Após 9km da intersecção com a rodovia BR-010 acessei a rodovia PA-324.

Em Santa Luzia/PA segui rumo a Salinópolis/PA pela rodovia PA-124. Pelo tempo disponível, conheci a orla da praia de Maçarico e a praia da Corvina em Salinópolis/PA, onde tomei um refrigerante e conversei com alguns moradores locais. Nestas horas por volta das 12:20h o clima estava muito quente.

Na saída do estacionamento deixei uma moeda para o guardador e segui as placas para a saída da cidade. No caminho duas bandeiras enormes lado-a-lado me chamou a atenção, uma do Paysandu e outra do Remo. Mostrando como é grande clima de rivalidade no futebol das torcidas locais, sem dúvida o futebol é a paixão nacional.

Voltando a estrada, percorri uns 5km desde a saída da cidade até encontrar um trevo e foram mais 8km para a praia do Atalaia, o lugar mais ao norte do planeta que já cheguei.

No local havia muitas lojas, bares e restaurantes, além dos inúmeros turistas dividindo espaço com veículos em suas areias brancas.

Novamente na rodovia PA-124, ultrapassei um carro com placa de Curitiba/PR, cumprimentei meu teoricamente conterrâneo e segui para Santa Luzia/PA. Na cidade uma pausa para abastecer, o único posto do local e o primeiro na viagem que não havia possibilidade de usar o cartão.  Enquanto abastecia, conversei com o pessoal com o carro de placa paranaense e descobri que o carro era alugado e os ocupantes de Belém/PA.

Fui poucos metros à frente numa lanchonete bem movimentada, fiz um pequeno lanche e dá-lhe estrada.

Após a cidade de Capanema/PA passei por um pouco de chuva, mas pouco duradoura que serviu para refrescar o clima.

Quando parei para cobrir minhas malas, descobri que uma das proteções havia se extraviado, ela cobriria a mala tanque onde estavam os mapas, que acabaram sofrendo as conseqüências no restante da viagem.

Às 16:00h estava re-ingressando ao Maranhão, desta vez pela cidade de Boa Vista do Gurupi/MA.

Em Governador Nunes Freire/MA pausa para reabastecer num posto bem diferente dos que já havia passado, o piso era de chão batido.

Ali aconteceram duas cenas engraçadas, na primeira quando o frentista disse que era para passar o cartão com uma moça, ele flagrou meu sorriso e ficou brincando com a situação. Na outra, três moças que estavam no balcão da loja de conveniência ficaram elogiando a moto, a câmera fotográfica e o piloto. E uma delas queria andar de moto e que eu ficasse na cidade, imagine!

Logo na saída da cidade acessei uma estrada (MA-106) à esquerda (trevo sem sinalização) com sentido a Turilândia/MA.

Estava com uma boa média de velocidade, até que nos últimos 50km antes de Turilândia/MA passou a apresentar muitos buracos na pista e às vezes sem asfalto. Neste trajeto havia um acidente, com um carro perdido na mata ao lado da estrada.

Passei por algumas pequenas cidades, com características bem diferentes da minha realidade, como Santa Helena/MA e Pinheiro/MA, além de vários povoados.

Finalmente às 19:00h (18:00h horário local) cheguei a Cojupe/MA já a noite. Comprei o bilhete para travessia e fiquei esperando para embarcar.

Na balsa conheci Márcio, um delegado que trabalha na cidade de Pinheiro/MA. Conversamos a travessia praticamente toda, ele me passou várias dicas da região.

Finalmente às 22:00h a balsa atracou. Um casal de motoqueiros me guiou até o centro da cidade, e quando avistei uma pousada por ali fiquei.

Era uma pousada bem simples e barata (sem ar condicionado). O único problema, além do calor,  foram algumas formigas (aleluias) que incomodaram um pouco, mas logo estava descansando.

6º Dia – 31/12/09 – São Luis/MA – Lençóis Maranhenses – São Luis/MA (535km)

Este dia começou bem cedo já que queria ir a Barreirinhas/MA e voltar a São Luiz/MA o mais cedo possível, principalmente para evitar viajar durante a noite.

Depois de abastecer ainda em São Luís/MA, segui para a rodovia BR-135. O tempo como de costume estava todo fechado e a chuva era iminente.

Em Bacabeira/MA acessei a MA-402 rumo a Barreirinhas/MA. Num pequeno povoado na região de Morros/MA tomei café-da-manhã numa simples padaria. Na saída conversei um pouco com três motoqueiros do lugar, interessados na Suzi.

Passei por pontos com pista molhada e por um chuvisco. Cheguei às 10:00h (9:00h horário local) na cidade base para conhecer os famosos Lençóis Maranhenses, Barreirinhas/MA.

Um motoqueiro me abordou na frente de um centro de informações turísticas (que estava fechado) e me guiou até a agência de turismo “São Paulo”, que organizava os passeios.

Tive que me apressar para me arrumar e encontrar o grupo das 10:30h que já haviam ido à balsa.

Nesta correria esqueci a carteira junto aos meus outros pertences deixados na agência. Emprestei dinheiro do guia turístico (Célio) para comprar água, item obrigatório para visitar o parque.

Depois da travessia de balsa, nosso grupo entrou numa caminhonete 4×4 e começou uma aventura de trinta minutos pelas estradas arenosas até as dunas, que apresentava alto grau de dificuldade. Em alguns momentos o motorista tinha dificuldade em controlar o veículo. Esta parte do passeio já havia sido muito legal, imagine o que nos aguardava.

Nas dunas, começamos a caminhar por suas trilhas, orientados pelo guia, e fomos conhecendo as lagoas de água doce formadas pelas chuvas, a primeira delas a Lagoa da Preguiça.

Na seqüência encontramos a Lagoa Azul (que não estava tão anil assim devido à época), segundo o guia o melhor período para visitar o parque é logo após o período de chuvas, nos meses de julho a setembro, pois as lagoas ainda estão cheias.

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses abrange uma área de 155 mil hectares, é repleto de dunas e lagoas. Essas dunas podem atingir 40m de altura, no qual suas areias são trazidas do litoral por até 50km em direção ao continente e se estendendo por  70km de praias.

Após uma hora de passeio pelas dunas, chegamos a Lagoa do Peixe, a mais cheia e a única que possui peixes (a razão de seu nome). Ali o pessoal parou para nadar junto aos inúmeros turistas que já o faziam. No meu caso fiquei fotografando e caminhando pelo local. A areia estava quente, aquecida pelo sol da uma hora da tarde, e como estava descalço incomodou um pouco.

No passeio conheci várias pessoas interessantes, como a Natália e sua mãe, um senhor carioca que me chamava de paulista (por causa da minha camisa são-paulina) e estava com sua família, e três argentinas de Buenos Aires que acamparam no parque durante a noite anterior e juntaram-se ao nosso grupo na volta para a cidade. Claro aproveitei para treinar o espanhol, sendo a Nadia a menina que mais conversei (“la chica que más hablé”).

Na saída de Barreirinhas/MA parei para abastecer, e experimentei o famoso guaraná Jesus, que é comercializado apenas no estado do Maranhão.

Voltei para São Luís/MA, chegando às 18:36h, o que me ajudou bastante, evitando viajar a noite. Porém tentando chegar à pousada perdi o caminho (errei um trevo), mas no fim e com algumas informações a encontrei.

Quando estava perdido pelas ruas de São Luís/MA presenciei uma cena, que me pareceu ser um assalto. Vários meninos investiram sobre a janela de um automóvel parado no semáforo, o motorista reagiu ao ataque, eu não fiquei bobeando e tratei de sair do local rapidamente.

Depois do banho fui jantar no último dia do ano, meu pedido foi um pouco exagerado a porção era para duas pessoas, infelizmente pude comer tudo.

Na saída do restaurante o garçom me chamou e disse que uma moça queria meu telefone. Eu lhe informei e disse que eu era do Paraná e estava partindo no dia seguinte. Resultado: Ela não ligou para o “super sincero”.

Desta vez na virada de ano passei sozinho, mas faz parte da vida de um viajante. Amenizei um pouco a saudade, ligando para minha família.

7º Dia – 01/01/10 – São Luis/MA – Teresina/PI (463km)

O dia começou com uma leve garoa e o tempo todo fechado, por isso resolvi levantar uma hora mais tarde (7:00h – horário de Brasília/DF).

Saí da pousada, abasteci a moto e fui ao Centro Histórico ludovicense, tombado em 1997 pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade, conhecer algumas de suas inúmeras atrações como a Praça Gonçalves Dias, a Catedral da Sé e a Igreja do Carmo.

São Luís do Maranhão, inicialmente denominada França Equinocial, foi fundada em 08 de setembro de 1612 por franceses, data marcada pela celebração de uma missa e pela construção do forte Saint Louis (São Luís) em homenagem ao rei francês da época Luís XIII e ao patrono da França Luís IX. Após três anos os portugueses expulsaram os franceses da cidade, em 1620 se estabeleceram e impuseram sua influência na arquitetura dos casarões históricos da cidade, com o uso de azulejo nas fachadas. Em 1641 os holandeses depois de já comandarem Pernambuco tomaram São Luís, dominando a cidade por três anos até Portugal recuperar novamente o domínio.

O período áureo da economia de São Luís foi em meados do Séc. XVIII, ligada a produção de algodão, influenciada pela Guerra da Secessão nos Estados Unidos que interrompeu sua produção, abrindo espaço para fornecimento à demanda inglesa. Porém no Séc. XIX com a abolição da escravatura e a recuperação da produção norte-americana este ciclo entrou em decadência. Atualmente sua economia baseia-se na indústria de transformação de alumínio, alimentícia, turismo e nos serviços.

São Luís/MA é conhecida como “Jamaica Brasileira”, devido ao reggae, o ritmo sempre presente. Outra atribuição a cidade é de “Atenas Brasileira” em função do número de escritores locais que exerceram papel importante na literatura brasileira a partir do romantismo, como Aluísio de Azevedo, Gonçalves Dias e Graça Aranha.

Outro atrativo cultural muito reconhecido é a representação folclórica do Bumba-Meu-Boi que ocorre nos meses de junho e julho.

A Igreja da Sé Nossa Senhora da Vitória, foi construída em 1629 em homenagem a santa protetora dos portugueses na Batalha de Guaxenduba, contra os franceses. Possui fachada em estilo neoclássico (adquirida em 1922 após uma reforma) e altar-mor talhado em ouro.

Em frente a Igreja e Convento do Carmo conversei com uma freira, e nos desejamos um Feliz Ano Novo. Esta igreja foi erguida em 1627 e usada como fortaleza em 1643 na expulsão dos invasores holandeses. A partir de 1866 teve sua fachada adornada com azulejos portugueses.

A utilização de azulejos nas fachadas das construções não serviu apenas como adorno, mas também foi importante a adaptação dos portugueses ao clima equatorial, pois refletem a luz do sol e amenizam o forte calor da região.

Depois de conhecer de forma rápida o Centro Histórico de São Luís/MA, segui para a saída da cidade pelo Anel Viário. Parei para comer algo num posto em frente a um trevo de acesso à cidade de Anil/MA. Segui novamente para a rodovia BR-153, infelizmente com o tempo não muito bom. A estrada estava molhada e às vezes uma leve chuva incomodava.

Em São Mateus do Maranhão/MA, fiz outro abastecimento e um lanche numa padaria logo à frente. Fui atendido por uma senhora muito simpática, e pelas vestimentas (saia e uma camisa bem simples) e pelos cabelos longos imaginei que era evangélica.

Desta vez as perguntas foram pouco diferentes. Primeiramente a senhora me questionou quanto a minha religião, respondi que era católico. Perguntou se era praticante, e eu lhe disse que infelizmente não era como gostaria, mas de certa forma quando estava viajando era o momento que mais me aproximava de Deus e era a ocasião que mais sentia sua presença, como se fosse minha igreja. Ela simplesmente sorriu e me desejou uma boa viagem e um bom ano novo.

Em Peritoró/MA acessei a rodovia BR-316. Foi um trecho muito tranqüilo e sem chuva, mas com o tempo todo nublado. Duas coisas me chamaram bastante a atenção neste trajeto, a primeira era que ao lado da rodovia havia vários pequenos cemitérios e a outra eram os materiais utilizados na construção das casas.

Passei por Caxias/MA a cidade natal do poeta romancista Gonçalves Dias e de uma unidade da cervejaria Schincariol.

Cheguei à Timon/MA e entrei no estado piauiense, por sua capital Teresina/PI, por volta das 15:00h (14:00h horário local).

Segui para o centro da cidade, incrivelmente vazio. Parei na praça Conselheiro Saraiva em frente a uma delegacia policial e ao tradicional Colégio Diocesano São Francisco de Sales, para fotografar a Catedral Nossa Senhora das Dores, que teve sua pedra fundamental lançada em 25 de março de 1865, sendo o segundo templo católico de Teresina/PI (o primeiro é a Igreja do Amparo).

Caminhei pela praça deserta que circundava a igreja com um pouco de cautela e atento a qualquer movimentação suspeita, pois a sensação era de receio em função da falta de pessoas no local.

Na caminhada passei pela Casa da Cultura e cheguei a um posto de combustível, aproveitando para tomar algo e tirar algumas dicas do frentista.

Segui algumas quadras a frente para visitar outros pontos turísticos. Quando fotografava o Teatro 4 de Setembro, conheci a senhora Carmelina Alcântara, que me deu uma bela aula de história sobre a cidade, e eu pacientemente a ouvi por quase uma hora, dentre o que me disse, ela enfatizou a seguinte frase: “O Sândalo perfuma o machado que o corta”.

Enquanto tentava me despedir da “prolixa” (como ela se autodenominou), eu vi ao longe um andarilho rodear minha moto e começou a mexer nas malas. Eu saí correndo para evitar que roubasse algo. Ele percebeu e veio em minha direção, abrindo uma sacola, mostrando que não havia furtado nada e dizendo que apenas queria algo para comer.

Então me pediu dinheiro, e eu aliviado lhe dei uns R$2,00 em moedas. Ele (cheio de razão) disse para que eu tirasse a moto dali. Sem melhores alternativas assim o fiz, levando a moto até a outra esquina onde se encontrava a Dona Carmelina.

Depois do susto, ela tomou um taxi e me guiou até a frente de um hotel, me indicando um lugar para hospedar.

No Hotel Ceará, conheci seu dono, o Sr. Eraldo, que me deu várias informações acerca da cidade, como a localização do encontro das águas dos Rios Poti e Parnaíba, que tentei chegar, mas a chuva não permitiu.

Voltei para o centro e fui conhecer a Igreja São Benedito, situada na Praça da Liberdade, e o Palácio Karnak (sede do governo estadual). Enquanto fotografava percebi que um rapaz vinha em minha direção, dei a volta e parei numa banca de revista para disfarçar. O homem parou ao meu lado, e me pediu dinheiro, contrariado disse que já havia dado para outro amigo dele.

Com a negativa, ele pediu ao jornaleiro e com outro revés foi embora. Porém fiquei apreensivo pela possibilidade dele estar escondido. Conversei com o dono da banca, que me deu “cobertura” para tirar as fotos restantes e sair do local.

Sobre a cidade, Teresina foi fundada em 16 de agosto de 1852, sendo a primeira capital brasileira a ser planejada para assumir tal condição, anteriormente a capital estadual era a cidade de Oieiras/PI no centro do estado. O então Presidente da Província, o Conselheiro José Antônio Saraiva planejou e efetivou a mudança da capital.

O nome da cidade é remetido à imperatriz Tereza Cristina Maria de Bourbon, que teria intermediado a idéia de mudança da capital junto ao imperador Dom Pedro II, e por tal intervenção foi homenageada cedendo seu nome (no diminutivo em italiano) a nova capital.

A cidade está localizada entre os rios Poti e Parnaíba (o maior do Nordeste), que se encontram e deságuam no Oceano Atlântico (a pouco mais 350km), e por essa característica é chamada de a “Mesopotâmia do Nordeste”. É a única capital nordestina não banhada pelo oceano.

Outra menção a cidade é a “Capital dos Raios” por estar sobre uma região que apresenta a terceira maior incidência de descargas elétricos do mundo a “Chapada do Corisco”.

Voltei ao hotel, tomei banho e fui a uma padaria fazer um lanche. Passei novamente no posto de combustíveis para abastecer e comprar um litro de óleo para a moto.

E fim de mais um dia!!!

8º Dia – 02/01/10 – Teresina/PI – Camocim/CE (599km)

No hotel tomei café-da-manhã e me despedi do Sr. Eraldo. A perspectiva do tempo era melhor, até era possível admirar alguns raios solares, porém o tempo ficou nublado quase todo o dia.

Minha jornada começou às 8:05h, a princípio com destino a Fortaleza, no Ceará, aproximadamente 626km, mais o acréscimo dos desvios que faria durante o dia.

Segui as orientações do Sr. Eraldo e facilmente cheguei à rodovia BR-343. A paisagem no início era exuberante com muito verde que aos poucos foi mudando conforme o trajeto.

Passei por Altos/PI e Campo Maior/PI, um pouco adiante encontrei um casal de motociclistas da Paraíba parado sob o Monumento em homenagem a Batalha de Jenipapo, nos desejamos feliz viagem e dá-lhe estrada.

A Batalha de Jenipapo ocorreu em 13 de março de 1823, às margens de um riacho de mesmo nome, próximo a cidade de Campo Maior/PI. Foi a única batalha no qual houve derramamento de sangue (mais de 300 pessoas), entre os brasileiros que desejavam a independência e os portugueses que desejavam manter uma colônia no norte Brasil (Pará, Maranhão e Piauí). Apesar da derrota dos patriotas, esta resistência foi considerada muito importante no processo de independência brasileira.

Este fato histórico foi ignorado por muito tempo, e atualmente vem ganhando seu devido valor, inclusive a data histórica foi incorporada a bandeira do estado do Piauí (desde 1995).

Após Cocal de Telha/PI, levei o maior susto da viagem.  Comumente nesta região encontrava animais soltos e ao encontrar duas vacas no acostamento, reduzi a velocidade. Um pouco a frente um ônibus parado no acostamento e um carro vindo em minha direção. Prontamente lhes dei sinal de luz para alertá-los do perigo dos animais na pista.

Ao cruzar os dois veículos, várias crianças (umas cinco) atravessaram logo a minha frente. Por Deus consegui frear a moto, evitar o atropelamento e o fim da viagem. No momento apenas escutei o cantar dos pneus da moto e o grito desesperado da mãe das crianças. Graças ao cara lá de cima foi só um susto. As pernas bambearam por uns minutos, respirei fundo e continuei.

Em Piripiri/PI continuei na rodovia BR-343 com sentido ao Parque Nacional das Setes Cidades e em Piracuruca/PI fiz o primeiro abastecimento do dia e tomei um refrigerante.

Segui até Parnaíba/PI acompanhando a transição da vegetação típica do cerrado para a caatinga.

Na cidade tive dificuldade para encontrar a praia da Pedra do Sal, a primeira do dia, pois estava seguindo para Luís Correia/PI e tive que retornar um pouco. Passei pela ponte sobre o rio Iguaraçu e segui em direção ao Delta do Parnaíba até encontrar uma placa de acesso a estrada secundária para a Pedra do Sal.

Era um pouco mais de uma da tarde, a praia estava bem movimentada. Parei para fotografar, fui próximo a usina eólica e voltei para Parnaíba/PI.

Parnaíba é a segunda cidade mais importante do estado, perdendo em importância apenas para a capital, e é um dos quatro municípios litorâneos do Piauí (outros são Ilha Grande, Luís Correa e Cajueiro da Praia).

Foi elevada à condição de cidade em 14 de agosto de 1844, mas mesmo antes, a partir do Séc. XVI, a região já apresentava sua importância econômica e histórica. No período da independência do Brasil, ainda na condição de vila de São João da Parnaíba, declarou sua independência ante a coroa portuguesa, sendo a primeira Vila do Norte do Brasil a fazê-la.

Conhecida como “Capital do Delta” por localizar-se na bacia do Delta do Parnaíba, o maior em mar aberto do continente americano. É banhado pelo “rio” Iguaraçu, que é o braço mais meridional do delta do rio Parnaíba. Em tupi-guarani a palavra “Parnaíba” significa “rio de águas barrentas”.

Na cidade encontrei um motoqueiro, e ao perguntar pelo caminho para sair da cidade, ele prontamente me guiou até a saída.

Faltando poucos quilômetros para Luís Correia/PI, acessei uma estrada de paralelepípedos de 3km para a Lagoa do Portinho. Lá tentei comer algo, mas o atendimento estava horrível, principalmente pelo excesso de turistas.

Fui para Luís Correia/PI e ali almocei, não abasteci a moto por falta de gasolina (o que gerou uma certa preocupação).

Estava preocupado com o horário já que eram três da tarde e estava longe de Fortaleza/CE. Segui para as praias Atalaia, Coqueiro, Maramar e Macapá.

Um detalhe que ainda estava me acostumando era com o novo equipamento fotográfico, a câmera e as lentes 100-400mm, 24-105mm e 18-55mm. Que geravam um pouco de incômodo tanto para a troca das lentes como o volume que ocupavam.

A ameaça de chuva no caminho até Camurupim/PI era grande, mas só alguns pingos d’água caíram.

Resolvi ir até Cajueiro da Praia/PI (a última praia do litoral piauiense antes do Ceará), onde conheci Roger e seus amigos muito animados e com muito som. Ele me sugeriu ir para a praia da Barra Grande, já que o caminho era muito bonito (e realmente era).

O único problema foram os cinco quilômetros de paralelepípedos até a praia Barra Grande.

Voltei para Camurupim/PI, eram seis horas da tarde, e fiz outro abastecimento. Por causa do tempo todo nublado, estava ficando bem escuro e faltavam mais de 400km para Fortaleza/CE, ou seja, era impossível chegar antes de escurecer, resolvi ficar em Camocim/CE e continuar no dia seguinte.

Pouco depois da divisa de estados Piauí-Ceará uma leve chuva começou a incomodar.

Ao passar pela cidade de Chaval/CE, a moto deu uma “engasgada” e falhou um pouco, o que me preocupou muito, mas segui sem maiores problemas até Camocim/CE (já à noite).

Encontrei uma pousada em frente ao mar, me instalei e fui comer uns pastéis (Pastelaria Pastel Paulista) e voltei para descansar.

A cidade de Camocim/CE foi fundada 29 de setembro de 1879, impulsionada pela construção da Estrada de Ferro Sobral-Camocim, anteriormente era conhecida como Barra de Camocim. A origem do nome vem das palavras cambucy, camucym ou camotim do tupi-guarani que têm o significado de “buraco para enterrar defunto” ou “pote”.

9º Dia – 03/01/10 – Camocim/CE – Fortaleza/CE (383km)

Meu plano inicial para este dia era chegar a Natal/RN, ou pelo menos o mais próximo possível, o mais provável em Mossoró/RN. Para isso acordei cedo às 6:30h (5:30h horário local) e dispensei o café-da-manhã.

Aproveitei para conhecer a orla de Camocim/CE, passando pelas praias de Camocim (Barreiras), do Farol e chegando à Lagoa Seca.

Por um caminho de terra (areia) a partir da Lagoa Seca, segue-se para as outras praias como Caraúba, Maceió e Barrinha. Sendo estas duas últimas de acesso somente por veículos 4×4, de acordo com meu Guia de Praias, portanto resolvi não conhecê-las e seguir viagem.

Fui para a estrada com destino a Sobral/CE, segui pela rodovia BR-402 até a cidade de Granja/CE, logo à frente numa bifurcação com as rodovias estaduais CE-364 e CE-362, optei pela segunda (as duas aparentemente tinham a mesma distância até Sobral/CE). Passei por uma região com várias cidadezinhas e ao lado um relevo com várias montanhas e serras (bonito apesar da aridez).

Pouco depois de Meruoca/CE a chuva pela primeira vez no dia deu o ar de sua graça e fez uma breve pausa (após Sobral/CE). O que me obrigou a alterar meus planos novamente. Abdicando de conhecer algumas das praias até Fortaleza/CE, como Lagoinha, Paracuru, Pecém e Cumbuco, e optando por passar a noite na capital cearense.

Na entrada de Sobral/CE fiz o primeiro abastecimento do dia e tomei um refrigerante antes de seguir viagem.

Na saída da cidade passei por um grande açude, junto à rodovia BR-222. A estrada estava muito movimentada. Mesmo com o relevo hora interessante da região (com algumas elevações), evitei parar por causa da intensa movimentação que tornava perigosas essas paradas.

A partir da cidade de Urauçuba/CE a chuva retornou e não cessou durante o restante da viagem até Fortaleza/CE.

Numa barreira devido a reforma de uma ponte, conversei com um senhor em uma caminhonete, que me passou algumas dicas.

Em Umirim/CE parei para almoçar num restaurante ao lado da rodovia BR-222, onde conheci o Sr. Morales, que me deu informações quanto à cidade e uma pousada em Fortaleza/CE, além de presentear-me com um mapa.

Na saída da cidade um acidente envolvendo um trem e um caminhão, atrapalhou um pouco o transito, mas continuei sem maiores contratempos numa estrada movimentada e com alguns pontos de asfalto ruim (além da chuva, é claro).

Cheguei às 14:30h sob uma leve chuva à cidade de Fortaleza/CE. Parei para abastecer e pedi para que um taxista me guiasse até a pousada indicada pelo Sr. Morales.

Realmente estava num dia atípico no meu padrão de viagem. Como estava todo molhado aproveitei para tomar um banho e secar meu equipamento fotográfico que estava um pouco úmido. Fiquei assistindo filme, atualizando meu diário de bordo e planejando os próximos passos do passeio.

Depois de a chuva dar uma pausa, já no fim da tarde, com o mapa debaixo do braço passeei pela orla de Fortaleza/CE. Neste dia me senti um turista “normal”, ao circular em meio a muitos outros.

Aproveitei para ligar para casa, falar um pouco com meu pai e colocar minha família a par das últimas novidades.

Caminhei alguns quilômetros até chegar ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), também conhecido como Centro Chico da Matilde, que reúne teatros, cinema, espaço para shows, galerias de arte, um planetário, etc., e onde circulei por suas modernas instalações. Este importante espaço cultural da capital cearense foi inaugurado em 1998 e objetivava revitalizar o bairro de Iracema, que naturalmente ocorreu com a reforma de vários edifícios antigos ao seu redor.

Segui fotografando e escondendo minha câmera, para evitar chamar a atenção de possível mau olhado. Principalmente por já estar iminente a noite, estava ficando um pouco inseguro quanto a minha segurança.

Fui proibido de fotografar uma base militar, um soldado me repreendeu a distância com veemência. Por mim tudo bem, eu tiro a foto de mais longe.

Finalmente alcancei a Catedral da Metropolitana de Fortaleza e fiz algumas fotos sob olhares de algumas pessoas estranhas, me deixando muito apreensivo. Até que um homem mal trajado, me advertiu da periculosidade do lugar durante a noite. O que me fez desistir de seguir caminhando até o Theatro José Alencar, fui a um hotel e pedi para que o recepcionista por gentileza me chamasse um taxi.

A Catedral Metropolitana São José ou Catedral Metropolitana possui estilo gótico e românico com torres que alcançam 75 metros de altura e capacidade de 5.000 pessoas. Inspirada na catedral de Colônia, na Alemanha (parecida com a Catedral de Chartres, na França) e projetada pelo arquiteto francês George Maunier. Foi inaugurada em 22 de dezembro de 1978, após 40 anos de construção, sobre a antiga Igreja da Sé na Praça Dom Pedro II.

Desta vez em quatro rodas, pedi para o taxista aguardar um momento, e fui fotografar o Theatro José Alencar que possui fachada em Art Nouveu, sendo o principal da cidade, e que homenageia o escritor de Iracema nascido em Fortaleza.

Terminado o registro fotográfico, tomei o taxi e voltei para a pousada.

Jantei nas proximidades da pousada e voltei para descansar.

A ocupação do território onde hoje está Fortaleza, ocorreu a partir de 1603, com a construção do Fortim São Tiago pelos portugueses (que em 1613 passou a ser chamado de Fortim São Sebastião) junto à foz do Rio Ceará e a criação do povoado de Nova Lisboa. Os holandeses dominaram a região entre 1637 e 1654, e neste período construíram em 1649 o Forte Schoonenborch às margens do riacho Pajeú, que faz alusão a origem do nome da cidade. Os portugueses recuperaram o domínio do povoado e rebatizaram o Forte para Nossa Senhora de Assunção. Em 13 de abril de 1726 foi elevada condição de vila e esta data passou a ser considerada a data da fundação de Fortaleza. Em 1799 passou a ter a condição de cidade e de capital devido ao desmembramento da capitania do Ceará de Pernambuco.

10º Dia – 04/01/10 – Fortaleza/CE – Natal/RN (527km)

O dia começou às 6:30h, fui até o estacionamento onde ficou a moto, fiz a revisão básica. Conheci e conversei com Márcio (guarda do estacionamento) e fui conhecer alguns atrativos de Fortaleza/CE, já que o dia estava ótimo.

Seguindo as sinalizações, fui primeiramente à praia do Futuro que possui oito dos 25 quilômetros da orla da Fortaleza/CE, fiz algumas fotos e segui para o Farol de Mucuripe, construído em 1845.

Voltei para a pousada sem maiores problemas com o trânsito, e como o café-da-manhã ainda não estava servido, fui caminhando até a orla para fotografar um pouco mais.

Depois do café-da-manhã, segui para a saída da cidade rumo ao sul orientando-me pelas placas indicando “Litoral Leste”.

Ao acessar a rodovia CE-025, percebi que o velocímetro não estava funcionando, e isso comprometia todo meu controle de abastecimento, além é claro do limite de velocidade.

Em Aquiraz/CE encontrei uma oficina, mas não tinham o cabo do velocímetro para minha moto.

Continuei a viagem pela rodovia CE-040 até Cascavel/CE, homônima a cidade que resido no Paraná. Encontrei uma oficina de motos e o Esterlânio, um rapaz muito esforçado e persistente que precisou usar dois cabos de velocímetro de outras motos para fazer um que servisse na Suzi.

Como o tempo estava cada vez mais comprometido, aproveitei para trocar o óleo e o filtro de óleo. Enquanto aguardava a manutenção na moto, conheci várias pessoas, que me orientavam sobre algumas atrações e me contavam curiosidades da região. Um deles torcedor do alvinegro Ceará e arquirival do tricolor Fortaleza me explicou a rivalidade futebolística do local. No geral eram pessoas simples e muito amistosas.

Por volta do meio-dia e meia, me despedi do pessoal e segui para Beberibe/CE, onde conheci a praia do Morro Branco, que pude admirá-la de um mirante espetacular. Conheci o Monumento Natural das Falésias em uma caminhada, por uma trilha de areia e sob um sol escaldante. Eu simplesmente jorrava suor (ajudado pela roupa de motoqueiro), fui até uma tenda na praia e tomei uma água de coco geladíssima. Na volta junto à moto não resisti e pedi outra água de coco, desta vez fiquei admirando a praia do alto.

De volta a rodovia CE-040 por volta das 14:00h segui para Aracati/CE, onde acessei a estrada para conhecer a famosa praia de Canoa Quebrada. A praia era belíssima, mas como estava muito cansado não consegui admirar muito a beleza do local. O sol que em outros dias havia se ausentado, neste dia pelo menos foi terrível, o que influenciou no meu desgaste.

Cheguei à divisa de estados Ceará-Rio Grande do Norte por uma estrada (BR-304) muito irregular, com muitos pontos com reparos que dificultava a direção, pois era necessário desviar dos remendos. O que não ocorreu mais em solo potiguar, a rodovia voltou a ser muito bem conservada.

Em Mossoró/RN fiz o primeiro abastecimento do dia, comi e bebi algo. Eram 16:00h e havia que percorrer mais ou menos por três horas os 280km até a capital do Rio Grande do Norte.

Passei por uma região com uma vegetação bem distinta e com muitas rochas.

Os últimos 120 quilômetros (já durante a noite) foram bem complicados, principalmente pelo grande movimento de veículos e de alguns desvios na estrada, além do cansaço que estava bem forte. No acesso para a cidade de Macaíba/RN passei por um acidente que complicou ainda mais o tráfego. Cheguei a Natal/RN por volta das 20:00h e parei para abastecer minha companheira e perguntar sobre um hotel.

Depois de encontrar o hotel, me hospedar e tomar meu restaurador banho. Fui à caça de jantar, andei um pouco pela praia dos Artistas e conversei com um senhor do centro de informações turísticas. Jantei num belo restaurante e como prato, a famosa Carne de Sol. (Que ainda não havia experimentado e gostei bastante).

11º Dia – 05/01/10 – Natal/RN – Recife/PE (451km)

Natal é uma cidade de mais de 400 anos de história e atualmente possui população superior a 800 mil habitantes. É chamada de a “Cidade do Sol” ou a “Noiva do Sol” por ser a cidade com mais dias de sol no Brasil, chegando a aproximadamente trezentos dias. Ou ainda a “Capital Espacial do Brasil” por ter a primeira base sul-americana de foguetes aeroespaciais, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno.

A primeira tentativa de colonização da região ocorreu 1535, frustrada pela resistência dos índios Potiguares e pelo ataque constante de piratas franceses. Em 25 de dezembro de 1597, os portugueses voltaram à barra do rio Potenji e desta vez com objetivo de construir a Fortaleza da Barra do Rio Grande, iniciada 12 dias depois (06 de janeiro de 1598) no dia dos Reis Magos, e por isso ficou popularmente conhecida como Fortaleza ou Forte dos Reis Magos. Após o término da construção em 24 de junho de 1598 ao seu redor formou-se um povoado chamado de Cidade dos Reis, que futuramente veio a ser denominado de Cidade do Natal em função da data de chegada dos portugueses ou, segundo outra versão, devido à demarcação de um sítio primitivo ocorrida no Natal de 1899.

Com o domínio holandês no período de 1633 a 1654, a cidade passou a ser chamada de Nova Amsterdã e começou a se desenvolver. O Forte dos Reis Magos construído anteriormente em taipa passou a ser em alvenaria e foi rebatizado para Forte de Kenlen.

A cidade está localizada numa região conhecida como “esquina do continente”, sendo a capital brasileira mais próxima da Europa e considerada uma das quatro posições estratégicas no mundo, pelo departamento de guerra norte-americano. Por este motivo foi utilizada como base de abastecimento dos aviões americanos na Segunda Guerra Mundial.

Voltando a viagem, logo ao acordar (6:30h) tive a grata surpresa em ver o oceano no fundo das instalações do hotel, eu não imaginava que estava tão próximo. Como no começo do dia anterior, passeei pela cidade, enquanto o café-da-manhã não era servido.

Saí da praia de Areia Preta (onde estava hospedado) e fui para as praias do Meio, do Forte e Redinha. Nas duas últimas a atração principal era a vista da nova ponte chamada de “Ponte de Todos“ ou Newton Navarro (liberada para o tráfego em 21 de Novembro de 2007) e do Forte dos Reis Magos.

Depois de voltar ao hotel, o café-da-manhã estava servido em frente ao mar (um luxo não?!).

Depois de arrumar as malas na moto segui para o sul contornando o oceano Atlântico pela Via Costeira (Av. Senador Dinarte Mariz), passando entre a Praia de Barreira d’Água e o Parque das Dunas (a maior área de lazer de Natal/RN) até chegar à praia de Ponta Negra, uma charmosa enseada.

Voltando para a estrada passei pelo estádio de futebol do ABC de Natal e pela Barreira do Inferno, uma Base da Aeronáutica inaugurada em 1965, que é o primeiro centro de foguetes aeroespaciais da América do Sul.

Seguindo pela Rota do Sol (RN-063) encontrei mais uma praia e a fotografei. Para confirmar perguntei a um senhor que caminhava em suas areias qual era o nome da praia, e ele gesticulou mostrando seu cotovelo, ou seja, a praia do Cotovelo. Desta forma é difícil esquecer, não?!

Em Pirangi do Norte/RN além da praia conheci o “maior cajueiro do mundo”, que fica em meio a uma grande plantação de cajueiros. Em principio fui a uma plataforma com vista panorâmica do local e na seqüencia fui até a árvore que recebe tal denominação, e segundo consta possui 8400 metros quadrados de copa e é considerado o maior cajueiro do mundo.

Mais ao sul na Ponta de Tabatinga parei para tomar água de coco, quando choveu a única vez durante todo o dia, mas como foi tão passageira que posso até desconsiderá-la.

Passei por uma região repleta de coqueiros e pela cidade de Nísia Floresta/RN, que anteriormente chamava-se Papari e foi rebatizada em homenagem a educadora, escritora e poetisa Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto que ali nasceu. Sendo uma das primeiras mulheres a romper tabus discriminatórios da época.

Em Goianinha/RN acessei uma rodovia repleta de canaviais para Tibau do Sul/RN. Parei na entrada da cidade num portal turístico com visão privilegiada para a Lagoa Guaraíras e sua desembocadura no Oceano Atlântico. Ali também conversei com alguns turistas.

Um pouco a frente mais uma parada num local belíssimo, com vista esplêndida para a praia de Cacimbinha e do pessoal do para-pente, que flutuavam sobre minha cabeça.

Por volta do meio-dia cheguei à praia da Pipa, umas das mais belas de toda a viagem. Estava bem movimentada e o calor estava forte.

Na saída da praia tive dificuldade com o trânsito. Em um momento chegou a parar por alguns minutos. O sol e o calor me incomodaram muito, chegando a irritar. Com um pouco de paciência o trânsito voltou a circular, e através de um desvio em estrada de chão voltei para a rodovia. Retornei a Goianinha/RN e a BR-101, onde parei num posto de combustíveis para comer e beber algo. E na seqüência seguir para o estado da Paraíba.

Pouco antes de chegar à capital paraibana, na cidade de Bayeux/PB fiz um abastecimento estratégico, tanto pelo combustível como para buscar mais informações sobre João Pessoa/PB.

Entrei na cidade e segui as indicações para o centro. Aproveitei para sacar dinheiro num caixa eletrônico (Av. Gov. Flávio Ribeiro Coutinho) e segui pela orla até Jacumã/PB.

João Pessoa é a terceira capital mais antiga do país, foi fundada às margens do rio Sanhauá em 05 de agosto de 1585 com o nome Nossa Senhora das Neves em homenagem a santa padroeira da data.

Depois o nome da cidade passou a ser Cidade de Filipeia de Nossa Senhora das Neves (em homenagem ao rei Filipe II de Espanha, quando da União Ibérica em 1600), Frederikstad (Cidade Frederica durante a ocupação holandesa em homenagem ao príncipe de Orange, Frederico Henrique), Cidade de Parahyba (após a reconquista portuguesa), Imperial Cidade (em 1859 durante a visita temporária de D. Pedro II) e finalmente em 1930 o nome de João Pessoa, um político paraibano assassinado em Recife/PE.

É conhecida como a “Porta do Sol” por estar localizada a “Ponta do Seixas” o ponto mais oriental das Américas, ou seja, onde o sol nasce primeiro no continente americano. João Pessoa é considerada a “segunda cidade mais verde do mundo” (perde apenas para Paris, França), com mais de 7m2 de floresta por habitante.

Após cinco quilômetros de Jacumã/PB e pouco antes das 16:30h, acessei um trevo para uma estrada sem identificação rumo a BR-101 e Recife/PE. Por essa decisão não conheci as praias seguintes até a cidade de Pitimbu/PB.

Estava circulando por uma estrada que somente constava no meu guia de praias e mesmo assim deveria ser de chão, ao invés de asfalto. Não havia em outros mapas nada que a indicasse. Por isso pouco antes de voltar à BR-101 estava um pouco desorientado, e num trevo pedi ajuda a um motorista que parou seu automóvel e me indicou o caminho correto. Neste ponto estava a aproximadamente cinco quilômetros em linha reta da cidade de Alhandra/PB.

Em Goiana/PE, já no estado de Pernambuco, parei para tomar e comer algo. Os efeitos de toda a viagem estavam fazendo efeito, eu estava ficando bem cansado.

Segui para Recife/PE passando pelas cidades de Paulista/PE e Olinda/PE, sem perder muito tempo.

Na capital pernambucana fui adentrando a procura de um hotel e quando percebi estava circulando numa rua tomada por pedestres e não era possível definir quem estava errado, eu ou eles. Tentei encontrar um hotel naquela rua, mas desisti e solicitei ajuda a um guarda local, que me indicou um hotel próximo.

Numa esquina enquanto falava com um motoqueiro, ele perguntou ao outro (Edmilson) se estava indo para o bairro da Boa Viagem, onde poderia ter um bom hotel para ficar. O motoqueiro Edmilson, me guiou até uma ótima pousada, próximo a praia da Boa Viagem.

Na pousada conversei com outro hóspede, que me deu algumas dicas e me informou da proximidade do mar, que até então não sabia muito bem onde era (estava a três quadras do mar).

À noite fui até uma feirinha na praça onde fica a Igreja da Boa Viagem, fiz um lanche, acompanhado de um bom pastel e voltei para descansar para o próximo dia.

12º Dia – 06/01/10 – Recife/PE – Aracaju/SE (616km)

O nome “Recife” provém da palavra “arrecife”, que é grande barreira rochosa de arenito (recife), presente em toda sua orla.

Recife a princípio era um povoado de pescadores e mareantes, ligado a sede Olinda/PE desde 1537, usado apenas como porto até a invasão holandesa em 1630 (Companhia das Índias Ocidentais – West Indische Compagnie). Os holandeses passaram a construir a Mauritsstad (Cidade Maurícia, ou Mauriceia) e Recife passou a ser a capital holandesa no Brasil, sob o comando de Maurício de Nassal.

Após a volta de Nassal para a Holanda (1644), os novos governantes entraram em conflito com a população, originando a “Insurreição Pernambucana” e culminando na expulsão holandesa em 1654.

Depois da saída holandesa, a região recebeu muitos comerciantes portugueses (mascates) que trouxeram prosperidade e desconfiança dos senhores de engenho em dificuldades. Originando um conflito político e econômico, a “Guerra dos Mascates” (1710-1711).

Superado o conflito o povoado do Recife continuou seu crescimento, sendo elevado a condição de vila em 19 de novembro de 1709, como Santo Antônio das Cacimbas do Recife do Porto, e posteriormente a condição de cidade em 1823.

Na história de Recife teve ainda outras Revoluções como a 1817, Conferência do Equador (1824) e Praieira (1848).

Outra característica da cidade é estar cercada por rios e possuir muitas pontes, ilhas e mangues, se assemelhando a Veneza, na Itália, e por isso recebendo o título de “Veneza Brasileira”.

Após a rotineira vistoria na Suzi, fui caminhar pela Praia da Boa Viagem, a três quadras da pousada, uma praia urbana e com boa infra-estrutura.

Voltei para a pousada, onde tomei o café-da-manhã. Fiz uma parada para abastecer a moto e dá-lhe estrada.

A saída de uma grande cidade não é muito simples, principalmente pelo volume de automóveis e pelos incontáveis cruzamentos. Sendo que num dele quase cruzei uma preferencial pela falta de sinalização.

Segui para o sul, pelas praias de Piedade e Candeias, sendo que nesta última encontrei um senhor caminhando pela orla, que me deu algumas dicas de praias, uma delas a de Calhetas (município de Cabo de Santo Agostinho/PE) que acabei conhecendo. O único problema foram os dois quilômetros de estrada de chão que tive de enfrentar.

Voltando para a rodovia PE-060, acessei o trevo para a estrada (PE-038) rumo a Porto de Galinhas/PE, uma praia muito movimentada e por esta característica não me atrai muito. Fiz uma pequena pausa para tomar um guaraná e segui viagem.

Em Rio Formoso/PE (a cidade dos manguezais) numa parada fotográfica, uma senhora me ofereceu caranguejos, eu brinquei com ela, falando que era um pouco complicado levá-los, ela disse sorrindo que não era não, já que eu tinha várias malas na moto.

A paisagem ao redor da estrada era incrível com muito verde, em exuberantes árvores. A dez quilômetros de Rio Formoso/PE passei pelo acesso a rodovia PE-076 com destino a cidade de Tamandaré/PE, que fiquei muito tentado por conhecê-la, mas os vinte e dois quilômentros adicionais me fizeram desistir.

Por volta das 12:00h, sob forte calor, passei por São José da Coroa Grande/PE e pelas divisas de estados Pernambuco-Alagoas.

As primeiras impressões sobre o estado alagoano eram os muitos coqueiros, inclusive posso dizer que por todo seu litoral os coqueiros eram como marca registrada, sempre presentes.

Em Japaratinga/AL segui sentido ao interior do estado pela rodovia AL-465, passando pelas cidades de Porto Calvo/AL, Matriz de Camaragibe/AL e São Luís do Quitunde/AL. Uma região canavieira e de relevo acidentado. Ao chegar a Matriz de Camaragibe/AL tem-se uma incrível vista panorâmica da cidade numa curva perigosa na rodovia, e por isso não a fotografei (mas fiquei tentado a fazê-la).

Em Barra de Santo Antônio/AL trafeguei próximo ao mar novamente, seguindo pelo litoral até Maceió/AL.

Nesta região a vista e acesso para o mar começou a ficar mais restrita, devido as casas que ocupavam o local. Uma bela excessão era o chamado “Mirante da Sereia”, com vista para a praia da Pratagi e para uma estátua representando a musa dos mares.

Na capital alagoana fiz o segundo abastecimento do dia e uma pausa para almoçar em frente à praia Cruz das Almas e com direito a camarão a milanesa. Era por volta das 14:30h e estava faminto.

Em virtude do tempo escasso não pude aproveitar as atrações desta bela capital. Saí da Maceió/AL às 15:00h contornando o litoral pela rodovia AL-101.

O nome  “Maceió” vêm das palavras “Maçayó” ou “Maçaió-k”, que em tupi significa “O que tapa o alagadiço”.

A partir do porto de Jaraguá, localizado no bairro de mesmo nome, os navios portugueses transportavam as madeiras das florestas litorâneas e as mercadorias (principalmente o açúcar) das proximidades, no início da colonização no séc. XVII.

A vila de Maceió foi desmembrada em 05 de dezembro de 1815, da Vila de Santa Maria Madalena da Alagoa do Sul (Vila de Alagoas), hoje a cidade de Marechal Deodoro. Passou a condição de cidade e capital da província em 09 de dezembro de 1839, principalmente devido ao desenvolvimento proporcionado pelas operações no porto de Jaraguá.

Errei o trevo e acessei a rodovia AL-215 para a cidade de Marechal Deodoro/AL, a primeira capital alagoana. Voltei para a rodovia AL-101 e dez quilômetros ao sul encontrei a rodovia AL-220 na entrada da cidade de Barra de São Miguel/AL. Poucos quilômetros a oeste encontrei outra intersecção para a AL-101, mudando novamente a direção para o sul com destino as cidades de Coruripe/AL e Penedo/AL.

A próxima atração foi a bela Lagoa do Roteiro, que desemboca no grandioso Oceano Atlântico.

Logo após a Lagoa do Roteiro, apreciei a linda vista panorâmica do mirante do Gunga. A paisagem mesclava incontáveis coqueirais e ao fundo o esplendoroso Oceano Atlântico, a Lagoa do Roteiro e a cidade Barra de São Miguel/AL. Na saída conheci um motoqueiro de Salvador (naquele momento estava de automóvel), que me entregou adesivos de seu moto-clube Dragões das Estradas.

Segui pela rodovia AL-101, passados seis quilômetros da cidade de Poxim/AL, num trevo não sinalizado, acessei a rodovia de ligação à rodovia BR-101, para a cidade de Teotônio Vilela/AL. Neste trecho passei por alguns trevos sem qualquer tipo de sinalização (minha sorte foram as pessoas que fui encontrando pelo caminho) e os últimos quinze quilômetros de estrada até encontrar a BR-101 estavam completamente esburacados (literalmente se desviava do asfalto com tamanha precariedade), atribuo isso ao provável transito de caminhões canavieiros.

Em São Sebastião/AL (17:30h) parei para tomar um refrigerante, enquanto descansava falei com um frentista que me recomendou conhecer a cidade de Penedo/AL, por sua história e arquitetura antiga. Infelizmente lhe disse que dessa vez não teria tempo para conhecê-la.

Seguindo poucos quilômetros à frente dois jovens policiais federais rodoviários me pararam para fazer meu primeiro teste de bafômetro. Um deles me questionou sobre o meu roteiro, tão logo lhe disse, ele comunicou ao outro que eu estava vindo do Paraná. Este ficou inconformado dizendo que não tem coragem de viajar quinhentos quilômetros e eu vinha de tão longe e de moto! Foi uma cena engraçada.

Ao final me deram a parte descartável do bafômetro dizendo que era presente do Presidente Lula. Liberado continuei rumo à Aracaju/SE com o sol nos olhos.

Por volta das 18:20h estava cruzando os estados de Alagoas e Sergipe e faltavam pouco menos de cem quilômetros para Aracaju/SE, a última parada do dia.

Faltando 30km para o chegar a capital sergipana, já estava muito escuro e o tráfego muito complicado (movimentado). Baixou o espírito de motoqueiro, e não havia nada que ficasse na minha frente, ultrapassava sem pensar muito.

A alguns quilômetros de Aracaju/SE um acidente envolvendo dois caminhões, no trevo de acesso a cidade de Nossa Senhora do Socorro/SE, complicou ainda mais o trânsito.

Alcancei meu destino final do dia às 19:45h. Aproveitei para abastecer, e pedir informações quanto a um hotel, e por sorte havia um próximo dali e barato.

Depois do banho fiz um lanche na praça em frente à igreja Nossa Senhora de Lourdes e fim do dia.

13º Dia – 07/01/10 – Aracaju/SE – Seabra/BA (790km)

A região onde se encontra Aracaju/SE era ocupada por indígenas até 1590, quando Cristóvão de Barros atacou e destruiu as tribos do lugar, e fundou a cidade de São Cristóvão (em 01 de janeiro de 1590) junto na foz do rio Sergipe (depois transferida para o rio Paramopama afluente do rio Vaza-Barris) e definiu a capitania de Sergipe.

A partir de 1699 teve-se registro de um povoado próximo a foz do rio Sergipe, chamado de Santo Antônio de Aracaju. Que não apresentou grande crescimento até despertar interesse do governo da província na região pelas dificuldades encontradas com os portos da capital São Cristóvão, que não suportavam grandes embarcações por se tratar de portos fluviais e distantes vinte quilômetros do oceano, e por isso impedia o desenvolvimento da província.

Em 1854 houve a construção de um porto na praia Atalaia e a transferência da Alfândega e a Mesa de Rendas Provinciais para o local, que viria a se tornar cidade de Aracaju e a capital da província Sergipe Del Rey segundo o projeto apresentado no dia 17 de março de 1855 por Inácio Joaquim Barbosa, considerado seu fundador.

A palavra “Aracaju” vem da expressão em tupi-guarani “ará acaiú” que significa “cajueiro (ará) dos papagaios (acaiú)”.

Na minha volta rotineira pela cidade desconhecida, me perdi um pouco pelas ruas de Aracaju/SE, mas consegui conhecer alguns pontos turísticos como a Catedral e a orla da cidade.

Tenho que admitir, eu não estava muito bem, acredito que o reflexo dos já treze dias de viagem. Para exemplificar, numas das paradas fotográficas no centro da cidade, consegui esquecer o capacete num balcão ao fotografar a Catedral e só percebi ao voltar para a moto.

Voltei ao hotel com dificuldade, só o encontrando por causa da torre da Igreja de N. S. de Lourdes, que avistei ao longe.

Tomei café-da-manhã, arrumei as malas na moto e às 8:32h dá-lhe estrada. Segui pela rodovia BR-101 até a cidade de Estância/SE, onde acessei a rodovia SE-318 para Indiaroba/SE, a chamada “Linha Verde” que liga Salvador/BA a Maceió/AL.

O clima estava muito agradável, o que deixou o passeio por esta região repleta de campos de pastagens muito prazeroso.

Depois da cidade de Indiaroba/SE são oito quilômetros até a divisa de estados do Sergipe com a Bahia, que cruzei pouco após as 10:00h.

Em razão do pouco tempo e não conhecer as condições de acesso, deixei de conhecer várias praias no litoral norte da Bahia, como as praias Costa Azul, Poças, Sítio do Conde, Barra do Itarari, Baixio, Sabaúna, Costa do Sauípe, Imbassaí e de Santo Antônio.

Pouco antes da Praia do Forte, numa ultrapassagem a moto começou a falhar, e quanto mais acelerava, mais a moto afogava. Fiquei obviamente muito preocupado com a situação.

Fui a Praia do Forte com a moto falhando e o transito bem movimentado na entrada da praia. Fiz uma pequena pausa para fotografar, enquanto tentava planejar meus próximos passos.

Voltei para a estrada enquanto decidia se iria para Salvador/BA ou continuaria para Camaçari/BA. Em Arambepe/BA (12:30h) desconfiado do combustível parei para abastecer, e tomar e comer algo.

Numa entrada sem sinalização qualquer, a propósito como em outros pontos desta região, acessei (por sorte) a rodovia BA-522 para Camaçari/BA.

Em Camaçari/BA com ajuda de muitos pedidos de informações, consegui chegar à rodovia BA-093 e finalmente à rodovia BR-324 nas proximidades de Simões Filho/BA. E às 13:45h estava seguindo para Feira de Santana/BA.

Em Feira de Santana/BA fiz mais um abastecimento, já que a moto continuava hora ou outra falhando. Aproveitei para tomar outro refrigerante e checar o roteiro.

Segui com um calor insuportável e com muito temor das falhas da moto. Percorri uns 70 km sentido sudoeste pela rodovia BR-116 até encontrar a rodovia BR-242 que passou a ser minha nova estrada.

A região era árida e a estrada estava com o acostamento em más condições, que impedia parar e fotografar mais vezes.

Em Itaberaba/BA pedi ao frentista que retirasse todo o combustível do tanque e que o completasse novamente.

A moto a princípio ainda estava um pouco “fraca”, mas logo foi melhorando. E aparentemente estava tudo bem.

A vegetação e o relevo foram mudando do árido e plano para o montanhoso e arborizado, e aos poucos fui adentrando na região da Chapada Diamantina, uma beleza que merece uma viagem futura.

A 40km de Seabra/BA o tempo escureceu e a viagem seguiu até esta cidade, onde pernoitei.

Estava um pouco cansado e não saí das proximidades do hotel, liguei para casa, fui a uma pizzaria jantar e voltei para descansar.

14º Dia – 08/01/10 – Seabra/BA – Sobradinho/DF (1018km)

O dia começou com uma perspectiva não muito boa, o tempo estava todo fechado, principalmente em direção ao meu destino.

Às 6:30h (5:30h no horário local) estava partindo de Seabra/BA (sem café-da-manhã), para mais um dia de luta contra os quilômetros que me separavam de minha terra.

Passei num posto de combustíveis para reabastecer, logo na saída do hotel, e segui rumo a Ibotirama/BA. A estrada era um show a parte, a região era muito bonita e com várias serras.

No abastecimento em Ibotirama/BA conheci Eduardo e sua esposa de Palmas/TO. Eles estavam planejando ir ao Ushuaia, Argentina. Eu os incentivei, dei algumas dicas e passei meu site para referencia.

Nas proximidades de Javi/BA encontrei uma obra da empresa que trabalho (Comil).

No percurso até Cristópolis/BA haviam várias barreiras, devido a obras na pista, aproveitava para fotografar e conversar com pessoal.

Pouco antes de chegar à Barreiras/BA, a chuva finalmente deu o ar de sua graça e parou apenas próximo a divisa com o estado de Goiás.

Em Barreiras/BA, além do abastecimento e de um pequeno lanche, passei numa concessionária da Suzuki (a Vizuki) para trocar o óleo.

Enquanto o mecânico fazia a troca, o pessoal (principalmente o Sr. Nivaldo) queria fazer de qualquer modo uma troca da minha Suzi por uma Bandit 1250. Chegaram a fazer uma oferta pela GS500. Imaginei a cena, seria até engraçado sair com uma moto e voltar com outra, mas vai ser muito difícil vender minha Suzi.

Quanto ao problema que ocorreu na moto, o mecânico disse para me despreocupar era o mau combustível comum nesta região.

Voltando a estrada, já por volta de uma hora da tarde e acompanhando pela chuva. No caminho até a cidade de Luís Eduardo Magalhães/BA, tive outro grande susto ao fazer uma ultrapassagem sobre uma carreta. A minha viseira e os óculos estavam embaçados, não enxergava praticamente nada, e não havia acostamento em bom estado. Resolvi fazer uma ultrapassagem, sem conseguir ver muita coisa por causa da névoa que o caminhão levantava. Foram alguns segundos às cegas vendo apenas branco na minha frente, por Deus não veio nenhum veículo em sentido oposto.

Após o susto na estrada, parei no primeiro posto de combustível que avistei, para limpar os óculos e a viseira, além de respirar um pouco. Eu estava muito molhado, a minha calça impermeável estava com problema e não resistiu à chuva.  Alguns minutos de descanso e segui viagem.

Saí da rodovia BR-242 e acessei a rodovia BR-020 que segue até Brasília/DF.

A chuva depois de 250km cessou (pelo menos sobre minha cabeça), mas ela foi sempre me acompanhando ao lado da rodovia até Brasília/DF.

Na divisa de estados Bahia-Goiás, fiz mais uma pausa para abastecer e comer algo.

Os últimos 60km da viagem foram durante à noite, chegando a Sobradinho/DF cidade-satélite da Capital Federal por volta das 20:30h (horário de Brasília/DF e de verão).

A moto começou a apresentar um pouco de ruído, quando da retomada de aceleração em marcha baixa, problema este resolvido após esticar a corrente no posto de combustível.

Abasteci, me hospedei, jantei numa lanchonete ao lado do hotel e fui descansar.

15º Dia – 09/01/10 – Sobradinho/DF – Cornélio Procópio/PR (1089km)

Neste dia acordei às 3:30h (horário de Brasília/DF) e não consegui dormir novamente, credito isso à ansiedade.

Comecei a arrumar as malas na moto às 6:30h e fazer a verificação diária. Tomei café-da-manhã e fui ao centro administrativo de Brasília/DF. Meu objetivo era conhecer o Congresso Nacional e os principais edifícios símbolos da Capital Federal. Onde fiz várias fotos e passeei por um dos lugares mais conhecidos do Brasil.

Brasília é Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade desde 1987, segundo a UNESCO. Foi erguida no meio do Planalto Central, no coração do Brasil, em pouco mais de três anos e meio. Inaugurada em 21 de abril de 1960 a terceira Capital Federal brasileira, pelo então presidente Juscelino Kubstichek. O plano urbanístico conhecido como “Plano-Piloto” é assinado pelo arquiteto Lucio Costa e as construções por Oscar Niemayer.

A primeira parada foi em frente à Biblioteca Nacional de Brasília e na seqüência a Catedral de Brasília, infelizmente em reforma.

A Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida ou simplesmente Catedral de Brasília, teve sua pedra fundamental lançada em 12 de setembro de 1958 e inaugurada em 31 de maio de 1970.

Segui pelo Eixo Fundamental em direção a Esplanada dos Ministérios e o Congresso Nacional, estacionando a moto ao lado do Ministério da Saúde e do Palácio do Itamaraty.

Comecei fotografando o Palácio do Itamaraty e tive a honra de acompanhar a cerimônia de hasteamento do Pavilhão Nacional. O Palácio do Itamaraty é a sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE), que é responsável por acessorar o Poder Executivo nas relações com outros países. Este edíficio é também conhecido como “Palácio dos Arcos”, tem seu autor o renomado arquiteto Oscar Niemayer, assim como a maioria dos edíficios públicos da Capital Federal. O paisagismo fica por conta de Burle Max.

Logo a frente da Esplanada dos Ministérios, o imponente Congresso Nacional de arquitetura singular.

Congresso Nacional, é bicameral composto pelo Senado do Brasil (câmara alta), pela Câmara dos Deputados do Brasil (câmara baixa) e por dois edifícios anexos com 28 andares.

Ao se observar as cúpulas do Congresso Nacional, a que me chama mais atenção é a invertida, a da Câmara dos Deputados. Como pode ter sido feita? Ela é um obra arquitetônica incrível, e um dos principais responsáveis por ela, se não o principal, é o calculista de Niemayer, o Engenheiro Civil Joaquim Maria Moreira Cardozo, que em sua época transgrediu as regras de engenharia que impunham o uso de um máximo de 6% de ferro nas estruturas de concreto, ele empregrou 20% de ferro, o que possibilitou colunas  esbeltas e fortes o suficiente para suportar a laje do Palácio do Alvorada ou garantir a tangente da cúpula invertida do Congresso Nacional.

Outro fator pelo uso do aço foi a execução das obras em curto prazo de tempo,  que as estruturas em concreto armado possibilitam. Na época no Brasil raramente esse material era utilizado, obrigando a importação dos Estados Unidos. Para a execução das obras dos Ministérios e dos edifícios anexos ao Congresso Nacional foram utilizados quinze mil toneladas de aço.

Junto ao outro bloco de Ministérios, o Palácio da Justiça mais um exemplo da bela arquitetura empregada na construção da Capital Federal brasileira.

Com algumas orientações do guarda do Ministério da Saúde, de um motorista e um motoqueiro, segui para a chamada “Saída Sul”, rumo a Goiânia, São Paulo e Rio de Janeiro.

Passei por Luziânia/GO, Cristalina/GO e Catalão/GO, uma região muito bela, repleta de serras e vales, além de paisagens verdejantes.

O clima estava muito agradável, a rodovia em excelente estado de conservação e tranquila, o que tornou a viagem muito prazerosa.

Em Catalão/GO foi a primeira pausa para abastecer e aproveitei para comer um pedaço de pizza acompanhado do usual refrigerante. Logo na saída de cidade mais um susto, já estava em velocidade de cruzeiro 110-120km/h e não vi sinalização de lombada, e quando percebi estava encima do perigo, a moto voou sobre o obstáculo e ao aterrissar quase perdi a direção, mas por sorte me equilibrei. Chequei se não havia danificado nada com a moto, principalmente o bagageiro (que já tem solda) e segui a diante.

Ingressei à uma da tarde no estado de Minas Gerais. Passei pela cidade de Araguari/MG, contornei a cidade de Uberlândia/MG e acessei a rodovia BR-497.

O clima não estava tão bom como outrora, estava muito quente e eu não estava muito bem, principalmente pela noite mal dormida

Quando cheguei à cidade de Prata/MG, fui a um posto que me pareceu familiar (e realmente era, havia abastecido na ida), abasteci a moto e tomei um guaraná com energético, para tentar me animar um pouco mais. O que na seqüência da viagem aconteceu.

Às 17:30h passei pela cidade paulista de São José do Rio Preto/SP. Em Bady Bassit/SP fiz mais um abastecimento e conheci outro feliz proprietário de uma GS500, um senhor bem simpático.

Segui pela rodovia Transbrasiliana (BR-153), passando pelas mesmas cidades da ida.

Alguns quilômetros antes de Marília/SP a chuva era iminente, e o tempo estava bem “feio” para o meu lado. Foi até engraçado, eu praticamente corria atrás da chuva, e ela “fugia” (ainda bem!). Abasteci novamente na entrada da cidade, que acabara de receber a chuva.

Quando estava bem próximo da chuva, mudei de direção e segui por outra rodovia, a SP-333, e escapei dela pela tangente.

Depois da cidade de Assis/SP a viagem seguiu durante a noite, o que dificultou minha vida, mas as quase dez horas da noite e mais de 10.200km estava voltando a solo procopense, depois de quinze dias de viagem, e terminando mais uma aventura.

FIM

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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