Viagem a Salvador (jul/2009)

MOTIVAÇÃO

Conhecer os limites do meu país era um sonho a ser realizado, antes mesmo da Viagem ao Atacama, no Chile, e ao Ushuaia, na Argentina. É estranho uma pessoa conhecer outro país e não conhecer o seu próprio. E isto era algo que necessitava ser corrigido o quanto antes.

A primeira etapa deste sonho já foi realizada, na que considero a minha primeira grande viagem, na qual conheci o litoral da região sul em 2007 em dez dias. A segunda etapa do descobrimento do nosso litoral é relatada nesta obra.

Assim como quase todas as viagens realizadas até o momento, meu principal objetivo é fazer um “reconhecimento de área”, conhecer principalmente o macro, o que circunda uma determinada cidade ou atração turística. Não simplesmente cair de pára-quedas e apenas explorar suas atrações sem conhecer o contexto onde está inserida.

O único problema são as inúmeras escolhas que devem ser feitas, muitas vezes é necessário abrir mão, em função do tempo normalmente escasso, de conhecer lugares muito interessantes e belos, lugares estes muito comuns no nosso Brasil.

Como dizem “a vida é feita de escolhas”, então, vamos escolher.

ROTEIRO

A viagem planejada inicialmente consistia em seguir pelo litoral do sudeste e do nordeste (parte). Passando pelas cidades de Santos/SP, Rio de Janeiro/RJ, Vitória/ES, Porto Seguro/BA até chegar a Salvador, na Bahia, onde ficaria por dois dias e retornaria pelo interior da Bahia, Minas Gerais, São Paulo, até chegar a Cascavel no Paraná, a mesma cidade da partida. Não podendo ultrapassar doze dias de viagem.

A VIAGEM

1º Dia – 09/07/09 – Cascavel/PR – Peruíbe/SP (900km)

O primeiro dia da viagem começou às 05:15h, já que não conseguia voltar a dormir, então aproveitei e finalizei os últimos detalhes. Às 6:15h estava partindo com destino a Santos/SP no litoral paulista. Sendo a primeira etapa da viagem até Salvador/BA.

Logo na saída no trevo Cataratas em Cascavel/PR, a pista estava toda molhada por uma chuva anterior. Os quilômetros iniciais foram nesta condição, e às vezes acompanhado por uma leve garoa, o suficiente para entrar água nas botas, que deveriam ser impermeáveis.

Neste trecho de estrada simples fui muito atrapalhado por caminhões que trafegavam em baixa velocidade, e como a visibilidade estava baixa não conseguia me livrar do tráfego pesado. Tornando a viagem mais lenta que o esperado.

Próximo a Guarapuava/PR parei num SAU (Serviço de Atendimento ao Usuário) para usar o banheiro, tomar um cafezinho e colocar uma capa de chuva para proteger-me melhor contra o tempo que estava piorando.

Na saída da cidade fiz o primeiro abastecimento do dia, e segui para Curitiba/PR sob uma leve garoa.

Na capital paranaense, mais um abastecimento e uma pausa para comer algo. Era quase uma hora da tarde e havia percorrido quase 500km, ou seja, aproximadamente quatrocentos quilômetros ou cinco horas para chegar a Santos/SP antes de anoitecer.

Após Curitiba/PR a rodovia Régis Bittencourt (BR-116) possuía um trafego intenso de caminhões, e os carros de passeio eram relativamente raros. A estrada duplicada e seca fez render a viagem.

Às 14:26h cruzei a divisa de estados Paraná-São Paulo, esta região apresenta um relevo acidentado e com várias de serras, uma maravilha para se pilotar uma moto (em condições normais de tempo). A quantidade de fotos aumentou já que a região era muito bonita.

A aproximadamente 90km percorridos no estado de São Paulo, em Jacupiranga/SP acessei o trevo para a rodovia SP-222, e a uns 16km a frente abasteci em Pariquera-Açú/SP.

Na saída da cidade passei pelo trevo de acesso a SP-226 que segue para Cananéia/SP (uma das cidades mais antigas do país), um local que também deve valer a pena conhecer, mas a vida é feita de escolhas e desta vez não poderia visitá-la. Então segui para Iguape/SP, outra cidadezinha histórica e com muitas construções antigas.

Depois de algumas informações, segui em direção ao oceano, onde se atravessa uma ponte (com pedágio) sobre o canal do Mar Pequeno para acessar as praias da Ilha Comprida.

Por volta das 17:00h vi pela primeira vez na viagem o Oceano Atlântico, que devido ao mau tempo, a paisagem não estava tão bonita quanto a expectativa, mas pelo que havia ocorrido durante todo o dia, o cenário estava ótimo.

Voltando para a estrada (SP-222 – sentido a Biguá/SP), percorri mais 44km até alcançar a BR-116 já noite. Resolvi seguir mais 60km até Peruíbe/SP e me hospedar nesta cidade, chegar em Santos/SP neste dia não seria muito interessante, perderia toda a paisagem.
Em Pedro Barros/SP acessei o trevo para a SP-055, e nela encontrei um tráfego um pouco intenso e uma estrada bem escura. Aproximadamente 19:00h cheguei a Peruíbe/SP, circulei um pouco pelo centro da cidade até encontrar um hotel.

Após me instalar e tomar banho, caminhei pelo centro da cidade, com direito a uma volta pela orla. Próximo a praia havia um centro comercial com várias lojas dispostas circularmente (e muito movimentadas) e neste dia havia até um parque de diversões.

Aproveitei para ligar e avisar minha família que eu estava viajando para Salvador/BA (eles ainda não sabiam!). Jantei e voltei para o hotel.

2º Dia – 10/07/09 – Peruíbe/SP – Ubatuba/SP (331km)

O dia começou ao som de uma leve chuva, pensei que seria um mau presságio. Imaginei nas possibilidades e a mais provável seria ficar, esperar passar a chuva e seguir mais tarde. Fiquei um pouco desapontado, já que queria chegar ao Rio de Janeiro/RJ, ainda neste dia.

Procurei relaxar, afinal estava de férias, se não chegasse naquele dia, chegaria no outro.

Dados 7:00h da manhã levantei para confirmar as condições de tempo e estava melhorando. Tomava café da manhã enquanto assistia uma reportagem sobre os tipos de nuvens. Comecei a analisar diferentemente o chamado “mau tempo”, as melhores paisagens dignas de cartão postal deveriam ter de fundo nuvens carregadas e estar chovendo, quer coisa mais maravilhosa do que a chuva. Alguns moradores de uma região árida desse planeta me dariam toda a razão.

Em meio ao café da manhã, um rapaz entrou no hotel, e resolveu se hospedar ali. Seu nome era Diego e viajava com um amigo. Indicaram-me um hotel barato no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro/RJ. Despedi-me deles e parti para estrada já com o tempo seco.

Antes de sair da cidade uma passada na praia “Orla dos Coqueiros”, para conferir a paisagem oculta pela noite anterior.

Segui num bom ritmo por Itanhaém/SP, Mongaguá/SP e Praia Grande/SP, sem parar nas diversas praias urbanas deste trecho. A rodovia SP-055 era duplicada e estava bem movimentada.

Cheguei à São Vicente/SP (fundada em 1532 é a primeira cidade brasileira) contornando a baia e cruzando uma ponte pênsil de 1914. Na cidade me perdi da rota e tive que buscar informações de como chegar a Santos/SP.

No caminho certo, parei na “Prainha” por volta das 09:30h da manhã, onde se avista a Ilha Porchat a esquerda. Na praia algumas pessoas aproveitavam a manhã daquela sexta-feira de inverno na Baixada Santista.

Segui contornando a enseada até chegar a praia José Menino a primeira (neste sentido) em Santos/SP e como não poderia ser diferente o trânsito estava bem mais agitado. O clima estava agradável, mesmo sendo inverno, com 21ºC de temperatura e o céu estava bem nublado. Nesta praia se inicia o Jardim Público.

A orla ajardinada de Santos/SP é a mais extensa do mundo, com 5,3km. Além disso, a cidade possui o mais importante porto brasileiro.

Na praia Ponta da Praia, parei para fotografar numa plataforma (deck) de pesca. Onde um senhor me deixou a vontade sem cobrar pelo ingresso.

Seguindo as orientações de placas, tomei a balsa para Guarujá/SP (neste sentido não precisa pagar). A travessia não é superior a cinco minutos, não dá nem para descansar.

Em Guarujá/SP às 10:47h fiz o primeiro abastecimento do dia e aproveitei para beber um refrigerante e comer um chocolate.

Segui para a praia de Pitangueiras, fiz mais algumas fotos e voltei para a estrada.

Antes de acessar a rodovia Rio-Santos (SP-055/BR-101), levei um susto de outro motoqueiro maluco. Estava na pista da esquerda devido a uma ultrapassagem, acionei a seta indicando que iria para a faixa da direita, e antes de fazer a manobra olhei no retrovisor e vi uma moto se aproximando muito rápida. Eu “gelei” (o cara também) e mantive minha posição, enquanto ele cruzava, reclamando, pela minha direita.

Este trecho da rodovia SP-055/BR-101 é muito bonito, passa entre a Serra do Quilombo e o Canal de Bertioga, a estrada é moldurada por mata Atlântica e serras.

Em Bertioga/SP entrei na cidade, e fui para a praia de Indaiá, por uma rodovia secundária (Av. Anchieta). Nesta praia havia várias famílias e algumas pessoas brincando de um jogo que visava derrubar um pino utilizando uma bola. (Infelizmente não sei o nome).

Três quilômetros à frente na SP-055 depois do trevo para Moji das Cruzes/SP (SP-098) acessei uma estrada cheia de “depressões” (pior que lombadas). Entrei numa região urbanizada e fui até a praia de São Lourenço.

Seguindo novamente pela Rio-Santos passando ao lado da praias Guaratuba (sem acesso por causa dos condomínios) e Boracéia (visível da rodovia).

Mudei de direção passei pela orla Barra do Una e Junquei/SP, onde o calçamento de paralelepípedo estava muito irregular. E até encontrei um cemitério, não que estivesse procurando, mas foi ao acaso.

Neste ponto da viagem havia percorrido pouco mais de 100km e já eram 13:10h da tarde, ou seja, chegar neste ritimo ao Rio de Janeiro/RJ antes de anoitecer era impossível, pois faltavam mais de 400km.

Voltei para a rodovia SP-055 passei pelas praias de Boiçucanga, Maresias e Paúba (onde sai 1,5km da rodovia para conhecê-la), e segui para a cidade de São Sebastião/SP. Este trecho da Serra do Mar era uma estrada sinuosa e espetacular, cheia de curvas e com uma densa mata, uma maravilha para pilotar e apreciar sua beleza.

Num mirante onde se avista a praia Brava, parei para fotografar e conheci Ana Paula e Marisa, ambas de São Bernardo do Campo/SP. Trocamos gentilezas na hora de fotografarmos uns aos outros.

Passei por várias e belas praias em São Sebastião/SP e em Caraguatatuba/SP fiz mais uma parada para repor as energias e descansar um pouco.

Faltando dez minutos para às quatros horas da tarde, estava novamente na estrada. Passei pelas praias de Massaguaçú e Maranduba.

Após 8km de Maranduba/SP saí novamente da rodovia BR-101, acessei uma estrada à direita para as belas praias da Barra do Sul, Vermelho do Sul, do Costa, Brava e da Fortaleza. Havia muitos pontos com vistas panorâmicas dessas praias. A praia da Fortaleza foi a única que cheguei até suas areias, depois de uns 200m de caminhada.

Por volta das cinco e meia da tarde, já um pouco escuro, cheguei em Ubatuba/SP onde resolvi me hospedar.

Na procura pelo hotel, parei por causa do transito em frente a um, aproveitei e perguntei a um motoqueiro (Cleber) que descarregava as bagagens de sua moto, sobre aquele hotel.
Incentivado por ele, estacionei a moto e fui até a recepção, onde acertei a diária e por ali fiquei. Conheci os outros motoqueiros do grupo, eles haviam ido até Parati/RJ e estavam voltando para Diadema/SP. Combinamos jantar depois e conversar um pouco mais.

Fomos até um restaurante ao lado da pousada. Eu, Cleber, Luciano, Jorge, Julio, Fábio e seu irmão. O jantar estava muito bom, um pouquinho caro, mas valia à pena.

Jantamos, passamos numa loja de artesanatos, fomos à uma sorveteria, um shopping e finalmente à um barzinho.

No barzinho, ficaram apenas eu e Fábio, que queria tirar fotos de duas meninas. Então em seu plano, me fez passar por um holandês que gostaria de tirar uma foto delas para “levar” para a Holanda. E assim o fizemos e eu nem abri boca, para não estragar seu plano mirabolante, somente fiz pose para as fotos.

3º Dia – 11/07/09 – Ubatuba/SP – Rio de Janeiro/RJ (383km)

Dormi muito pouco durante a noite, fui dormir as 00:30h e as 5:00h, não consegui mais dormir. Esperei até as 6:00 h e fui ver o mar na praia do Itaguá, a frente do apartamento.

Tomei café da manhã e às 7:30h estava partindo rumo ao Rio de Janeiro/RJ. A viagem seguiu tranqüila e parava algumas vezes para tirar fotos. O tempo estava todo nublado e em alguns pontos com asfalto molhado.

Entrei em Parati/RJ e passeei por suas ruas históricas, repletas de construções antigas e ruas estreitas de paralelepípedos. De certa forma uma viagem na história desta cidade fundada no século XVI.

Aproveitei para abastecer a moto com a gasolina mais cara da viagem até aquele momento. Na saída da cidade passei por um leve chuvisco, mas infelizmente o mau tempo me acompanhou durante todo o dia.

Fiz uma breve entrada em Angra dos Reis/RJ, parei num centro de informações turísticas e segui viagem.

Numa parada para fotografar, encontrei dois hippies que estavam vagando sem destino pelo mundo, me deram algumas dicas e me desejaram boa viagem.

Era uma hora da tarde e faltando uns 50km para o Rio de Janeiro/RJ tive dificuldades para achar o caminho certo para a praia da Barra da Tijuca, por onde desejava entrar na cidade maravilhosa. O tráfico era intenso e me deixou muito tenso e cauteloso.

Entrando na cidade, fiz uma pausa num posto, onde conheci outro motoqueiro. Segui contornando a orla do Rio de Janeiro/RJ, pela praia da Barra (Barra da Tijuca), a praia carioca mais extensa com 18km até chegar a praia do Joá, onde pedi informações para um senhor.

Contornei a Lagoa da Tijuca, passando ao lado da pedra da Gávea, e segui em direção ao oceano. No alto de morro com visão panorâmica para outras praias, conversei com um segurança, que também me deu algumas dicas valiosas e me tranquilizou quanto a “violência” da cidade, dizendo que só não poderia vacilar e entrar em locais perigosos, principalmente a noite, e que o restante era muito seguro.

Continuei por uma estrada sinuosa conhecida como Estrada do Joá, até acessar a Avenida Prof. Mendes de Moraes, que seguia ao lado da praia de São Conrado.

Ao passar pela praia de São Conrado, segui na orla pela Avenida Niemeyer, passando pelas praias do Vidigal, Leblon e Ipanema, até encontrar a sinalização indicando a direção para o Cristo Redentor, que era meu principal objetivo na cidade maravilhosa. E apezar das condições do tempo não serem as ideais, resolvi arriscar e conhecer uma das sete novas maravilhas da humanidade.

Passei pela Lagoa Rodrigues de Freitas e acessei o túnel André Rebouças, cujo tráfego era intenso e o eco dos motores no túnel dava uma sensação muito interessante e as paradas para fotografias eram impossíveis. Na segunda saída à direita, seguindo as placas e as informações do meu amigo segurança, entrei em direção ao Corcovado.

Chegando à entrada do Parque Nacional da Tijuca, estacionei a moto, comprei o ingresso e tomei uma van. A estrada era muito sinuosa, repleta de curvas muito fechadas. Após o zig-zag chegamos ao estacionamento de acesso às escadarias para o Cristo Redentor. Ao chegar à base da estátua era um pouco frustrante não ter a visão panorâmica tão esperada, mesmo assim tentei registrar os melhores ângulos e curtir aquele momento.

Visitado o Cristo Redentor, eram 17:00h, e queria encontrar o hotel sugerido em Peruíbe/SP pelo Diego, preferencialmente antes de anoitecer.

Aproveitei um sinal vermelho e pedi a um taxista para me ajudar a encontrar o hotel. Depois de algumas ruas, idas e vindas, ele me guiou até a rua do hotel. O único detalhe era que eu tinha que ir à contramão alguns metros.

No hotel indicado não havia garagem. Tentei deixar num estacionamento, mas um senhor me informou que é muito difícil encontrar um local que aceite guardar motos, por causa do seguro. Então achei outro hotel com garagem e resolvi o problema.

Depois do banho, eu saí, um pouco receoso, pelas ruas da Lapa (bairro tradicional carioca), já que estava sozinho e com a câmera fotográfica. E não gostaria de ser surpreendido por algum assaltante.

Pouco a pouco fui me acostumando com aquela atmosfera complemente atípica, com ruas escuras e cheias de antigas construções. O primeiro lugar que passei foi pela “Escadaria da Lapa” próxima ao hotel. Conheci o Aqueduto da Carioca, mais conhecido como “Os Arcos da Lapa”, e seus 42 arcos em estilo românico e com 17,6m de altura. Continuei passeando por aquelas ruas movimentadas de um sábado à noite. Encontrei um barzinho/lanchonete e providenciei meu jantar.

Voltando para o hotel, resolvi conhecer a “Igreja da Lapa”, e subi por uma rua escura, um ambiente bem amedrontador. Cheio de ruelas de paralelepídos e pessoas não muito neutras a minha presença. Ao chegar a um ponto, já um pouco cansado pela íngrime subida, perguntei a uma senhora sobre tal igreja, que disse que eu já havido passado, então desisti e voltei para o hotel antes de correr ainda mais riscos que a empreitada estava exigindo.

4º Dia – 12/07/09 – Rio de Janeiro/RJ – Marataízes/ES (559km)

A perspectiva para este dia de viagem era enfrentar um dia todo fechado e prometendo ser bem chuvoso, segundo a previsão do tempo.

O primeiro desafio do dia era sair do Rio de Janeiro/RJ. Uma cidade enorme e repleta de veículos, mesmo num domingo. Uma situação muita tensa, mas tinha que encarar.

Depois de alguma dificuldade consegui chegar à ponte Rio-Niterói, graças a outro motorista que seguia adiante pedindo informações e como a placa de seu carro era de Curitiba/PR resolvi segui-lo.

Errei o trevo para Maricá/RJ e resolvi seguir pela rodovia BR-101 com sentido a Itamboraí/RJ e depois acessar a rodovia para Saquarema/RJ.

Num posto após o trevo para São Gonçalo/RJ, abasteci a moto e bati um papo com um frentista sobre a viagem. O interessante foi o início da conversa. Eu iniciei dizendo: “Tô perdido”, ele me perguntou: “Para onde você vai?”, eu: “para Salvador”, ele complementou: “Tá perdido não!”. Aproveitei e tomei o café da manhã, ali mesmo.

Na estrada encontrei muitos outros motoqueiros no sentido oposto, já que havia um encontro de motoqueiros em Cabo Frio/RJ.

Em Rio Bonito/RJ acessei a rodovia RJ-124, já com um pouco de chuva e a pista molhada.

Quando cheguei à uma cidadezinha, perguntei para uma senhora: “Que lugar é esse?”, e ela disse sorrindo: “Boa Esperança”.

Por volta das 9:00h da manhã, antes do trevo de acesso à Bacaxá-RJ, num pedágio. Encontrei um grupo de motoqueiros que seguiam para o encontro em Cabo Frio/RJ, conversamos um pouco e segui para Saquarema/RJ.

Em Saquarema/RJ o tempo que havia melhorado, voltou a ventar forte e ameaçava chover.

Na cidade fui ao morro da Igreja de Nossa Senhora de Nazareth, onde se tem uma visão panorâmica da região. Como o vento estava forte e com a chuva iminente, rapidamente tirei algumas fotos e voltei para a estrada.

Segui sentido a Araruama/RJ até o trevo para a rodovia RJ-132, onde mudei de direção e tomei a estrada para Arraial do Cabo/RJ. Esta estrada contorna a Lagoa de Araruama, a segunda maior do Brasil, perde apenas para a Lagoa dos Patos no litoral do Rio Grande do Sul.

Neste momento sem a ameaça de chuva, fui curtindo a estrada e quando menos esperava, cheguei a Arraial do Cabo/RJ. Fiquei um pouco desorientado, pois não estava bem posicionado no mapa, e havia passado sem notar pelo trevo para acesso a Cabo Frio/RJ.

Na entrada da cidade havia um mirante, olhei pelo retrovisor para ver se estava livre a estrada, para atravessar a rodovia. Quando estava cruzando um carro apareceu em alta velocidade, me dando um grande susto. (Esses motoristas!)

Um pouco mais a frente, conversei com um senhor que me ajudou a ficar novamente apar da minha posição geográfica. E me sugeriu subir por uma outra estrada, onde no alto poderia ter outra bela visão panorâmica da região.

Segui para Cabo Frio/RJ e para Armação de Búzios/RJ pela RJ-102. Em Búzios fui até a praia Brava e segui para a orla das praias do Canto, Armação e dos Ossos. Na praia da Armação existe uma estátua da atriz francesa Brigitte Bardot.

Em Rio das Ostras/RJ no trevo de acesso a Rio Dourado/RJ, conheci um casal de motoqueiros viajando pela região.

Segui pela rodovia RJ-106, a Costa do Sol. Em Macaé/RJ, a cidade do petróleo, fiz mais um abastecimento, e parei para “almoçar” (quase 14:00h). Conversei com uma frentista de Salvador/BA, e me recomendou muito bem sua terra, e falou que iria gostar principalmente das baianas (Acho que isso foi uma cantada!).

Após algumas dificuldades com as informações e sinalizações para encontrar o caminho certo para Cabiúnas/RJ. Aprendi na prática como os cariocas não costumam usar o nome composto das cidades. Por exemplo, eles chamam Barra do Macaé/RJ, de simplesmente “Barra”, e eu pensava que era um bairro. Outro exemplo, chamam de Campos, a cidade de Campos dos Goitacazes/RJ, antes imaginava que eram duas cidades diferentes.

Seguindo viagem, passei por Cabiúnas/RJ e alcancei a rodovia BR-101 com sentido a Campos dos Goitacazes/RJ. Neste trecho, fora do litoral, a viagem rendeu e as paradas eram poucas. O que me chamou a atenção foi o comportamento de vários caminhoneiros, que me davam passagem trafegando pelo acostamento.

Por volta das 16:30h passei pela divisa de estados Rio de Janeiro-Espírito Santo, o tempo começou a ficar fechado e um pouco adiante passei por uma leve chuva.

Mais uma pausa para abastecimento, no trevo de acesso para Marataízes/ES. Eram 17:15h e o tempo estava ficando bem escuro. Resolvi seguir os quase 40km até a cidade e pernoitar ali.

Logo após alojar-me num hotel em frente ao mar, andei um pouco pela orla da pacata cidade e para finalizar o dia jantei num restaurante indicado pelo porteiro do hotel.

5º Dia – 13/07/09 – Marataízes/ES – Alcobaça/BA (566km)

Depois da revisão cotidiana e colocar a bagagem na moto, tomei o café da manhã oferecido pelo hotel. Às 07:20h da manhã fui para a estrada contornando o oceano Atlântico na Rota do Sol. Uma bela estrada com o mar sempre ao lado.

O tempo estava um pouco nublado, mas foi melhorando no decorrer do dia.

Sempre viajando o mais próximo possível das praias, até encontrar ruas sem saídas, como em Itaoca/ES. Passei pelas cidades de Itaipava/ES, Piúma/ES, Anchieta/ES e Meaípe/ES até chegar por volta das 9:00h da manhã à Guarapari/ES, uma cidade praiana bem estruturada e grande.

Guarapari/ES estava bem movimentada e o trânsito intenso. Permaneci na via principal e não fui até as praias, principalmente pelo tempo escasso.

Novamente na rodovia do Sol segui rumo a Setiba/ES, região onde se encontra o Parque Estadual de Setiba. Apresenta relevo e vegetação bem peculiar e bonita.

Percorridos aproximadamente 120km cheguei a Vila Velha/ES, parei um pouco para tirar mais algumas fotos, onde conheci um pescador e sua “dura” vida, conversei um pouco e voltei para a minha “difícil” vida.

Segui pela orla e a sinalização para chegar a ponte de acesso à Vitória/ES.

Em Vitória/ES passei por belas e urbanizadas praias da capital capichaba. Como não poderia ser diferente em se tratando de uma grande cidade, tive um pouco de dificuldade para encontrar o caminho para Jacaraípe/ES (rodovia ES-010), mas com muitos pedidos de ajuda sempre se encontra o que quer. Só precisa ter um pouco de paciência.

Em Nova Almeida/ES, fui até uma igreja jesuítica de 1860, no alto de morro com vista panorâmica para as praias da região

Segui pela Rota do Sol até o trevo de acesso a Barra do Riacho/ES, tomei a rodovia ES-257 e depois uma rodovia secundária para retornar a BR-101.

Em Linhares/ES, à uma hora da tarde, fiz o primeiro abastecimento do dia. Aproveitei para comer uma barra de cereal e tomar água.

Rumando para o norte, em Sooretama/ES, passei por um grande susto. Uma distinta senhora jogou uma casca de banana pela janela de um carro. Aquilo me chamou a atenção, e quando voltei a visão a frente, o carro estava freando. Juntei o freio com muita força, pensei que não conseguiria parar a tempo. Para se ter uma idéia, cheguei a sentir cheiro de pneu queimado. Graças a Deus foi somente um susto.

Em São Mateus/ES parei novamente para relaxar um pouco e seguir viagem.

Por volta das quatro horas da tarde, cruzei a divisa de estados Espírito Santo-Bahia.

Na entrada de Teixeira de Freitas/BA, acessei o trevo para rodovia BA-290 com destino à Alcobaça/BA, onde ficaria até o dia seguinte.

Alcobaça/BA é um dos pontos de partida para as viagens de barco até o Parque Marinho dos Abrolhos, um conjunto de cinco ilhotas de origem vulcânicas, à 70km da costa baiana.
Já noite andei pelas ruas antigas e má iluminadas da cidade, que tornava um ambiente um pouco inseguro. Algo que me chamou a atenção no povo nas ruas, era a grande presença da raça negra.

Encontrei uma pizzaria, jantei, voltei para a pousada e fui descansar por volta das 21:00h.

6º Dia – 14/07/09 – Alcobaça/BA – Ilhéus/BA (608km)

Faltando alguns minutos para a sete da manhã a viagem recomeçou sob uma leve e momentânea garoa, mas com o tempo todo fechado.

Fui até a orla da cidade e segui rumo ao norte pela rodovia BA-001.

Passei por Prado/BA e por Itamaraju/BA, onde as ruas centrais e de paralelepípedos da cidade, estavam todas molhadas por uma chuva anterior.

Rumo ao norte pela rodovia BR-101, na entrada para o Parque Nacional do Monte Pascoal, havia muita neblina, o que frustrou a possibilidade de avistar o famoso monte ao fundo, como outrora Cabral e sua tripulação o fizeram.

Passei por um pouco de chuva, até a cidade de Itabela/BA. Em Eunápolis/BA acessei o trevo para Porto Seguro/BA, este famoso balneário. Uns 50 km antes de Porto Seguro/BA mais um pouco de chuva, que passou um pouco antes da cidade, um grande alívio. E um belo e forte sol apareceu.

Por volta das dez horas da manhã cheguei em Porto Seguro/BA e fui contornando sua orla até Santa Cruz Cabrália/BA. Na praia Coroa Vermelha, onde foi realizada a primeira missa em solo brasileiro, provei um delicioso açaí (acompanhado de granola e banana).

O clima estava bem quente, como no verão, e as praias bem movimentadas, o que pra mim comprovou a fama desta lindíssima região turística. Sem dúvidas uma das melhores praias visitadas até então.

Segui pela “Costa do Descobrimento” até a última praia antes da balsa para Santo André/BA e Belmonte/BA e retornei sentido ao centro de Porto Seguro/BA.

Na praia Mundaí, mudei um pouco de direção e fui até um mirante com vista panorâmica da região.

Segui pela cidade, até a balsa. E por sorte estava quase partindo. Paguei a travessia e fui para Arraial d’Ajuda/BA. Passei pela praia dos Pescadores, tomei um guaraná e voltei para a estrada.

Parei em frente ao Forte Nossa Senhora d’Ajuda para fotografá-lo. Outro motoqueiro chamado Chaves também parou, se apresentou e me contou que era gaúcho e dava graças à Deus por morar ali naquele paraíso. Realmente eu tive que concordar e lhe dar os parabéns. Além disso, informou-me sobre o site http://www.brasilriders.com.br, que objetiva auxiliar motoqueiros em viagem (bem interessante). Fim da conversa, desejo de boa viagem e roda na estrada.

Voltei para Eunápolis/BA, onde fiz mais um abastecimento, comprei um litro de óleo e tomei um lanche antes de seguir.

Eram quase duas horas da tarde, e decidi seguir direto para Ilhéus/BA, a uns 250km dali, e não passar por Canavieiras/BA e Una/BA, principalmente pelas informações sobre as estradas não serem muito boas e chegaria em Ilhéus/BA um pouco tarde (provavelmente já anoitecendo).

Nesta região eram predominantes uma vegetação muito verde e o relevo levemente acidentado.

Outra parada em Buerarema/BA para abastecimento, e em Itabuna/BA, acessei o trevo para Ilhéus/BA, pela rodovia BA-415.

Na cidade cheguei por volta das seis da tarde, ou seja, horário de pico, o que dificultou encontrar um hotel, mas por fim tudo certo.

Já hospedado fui tomar meu esperado banho, e levei um grande susto, quando quase me tranquei no banheiro do hotel, pois o trinco não permitia abrir por dentro e a chave estava no outro lado da porta. Imagine só, quando sairia daquele banheiro!

Caminhei um pouco pelo centro da cidade repleto de atrações históricas, e jantei feijão tropeiro e picanha na chapa num restaurante em frente ao mar. O grande problema de se estar sozinho num lugar desconhecido, é que não se pode relaxar muito, tem sempre que estar em alerta. Vai saber se não aparece um assaltante.

7º Dia – 15/07/09 – Ilhéus/BA – Salvador/BA (470km)

Como de costume as seis da manhã, estava acordado para cumprir a última etapa da viagem, uns 500km até Salvador/BA.

Neste dia, resolvi tomar o café da manhã, e experimentei pela primeira vez um delicioso bolo de aipim (mandioca, macaxeira, etc.).

Moto preparada, saí contornando a orla de Ilhéus/BA, que na verdade parecia um passeio no tempo, devido as antigas construções. Foram várias paradas fotográficas, tanto para registrar sua arquitetura, quanto suas belas praias.

Na saída da cidade, fui para a estrada rumo a Itacaré/BA (BA-001), para conhecer um pouco a Praia do Norte. E valeu a pena…

A praia estava vazia, fui até as ondas, e pela primeira vez tive vontade de entrar na água, mas logo pensei no sal, que me incomodaria o restante do dia. Fiquei apenas fotografando e admirando o mar, ao som do quebrar das ondas.

Voltando a moto, perguntei a um senhor que varria a calçada se ele morava ali, com a resposta afirmativa, lhe parabenizei e falei que um dia vivo num lugar assim.

Segui rumo a Uruçuca/BA (rodovia BA-262), uma rodovia cercada hora por fazendas de gado e outras vezes por mata nativa e plantações de cacau. Não é por menos que esta região é a chamada “Costa do Cacau”. A estrada estava ótima e ao mesmo tempo com paisagens muito bonitas.

Uns 7 km após Uruçuca/BA, alcancei um trevo e como não havia placas de sinalização, perguntei a uns senhores que ali estavam, e me informaram que aquela rodovia era a BR-101 e para Salvador-BA deveria tomar a direita.

A BR-101 neste ponto estava um pouco ruim, com remendos no asfalto. Ao lado rodeado de árvores.

As paradas foram raras exceções durante o dia, salvo para registrar alguma foto ou para saber o que queria dizer as várias placas: “Beiju feito na hora”.

Para minha surpresa, o tal do “Beiju”, era o mesmo que conhecia por “Tapioca”. Isso já havia experimentado várias vezes, mas aproveitei a parada e comi uma. O pessoal da região chama de “Tapioca” a farinha e de “Beiju” o produto preparado.

Nesta barraca tinham algumas pessoas, que me chamaram de louco, ao saber de onde estava vindo. Pessoalmente, este tipo de loucura é a minha qualidade preferida!!!

Na saída fiz outra descoberta, a farinha usada para fazer a iguaria vinha do meu estado. Ironia do destino. Eu saio do Paraná e na Bahia como tapioca (ou beijú) feita com matéria-prima paranaense.

Estava nas proximidades de Valença/BA, e um pouco antes do trevo de acesso (+ 35km) parei para abastecer a única vez no dia.

Antes de Santo Antônio de Jesus/BA sob ameaça de chuva, coloquei a jaqueta impermeável. O clima estava muito quente e praticamente foi inútil colocar a capa de chuva já que a chuva foi passageira e leve.

Passei por Cruz das Almas/BA e acessei o trevo para a rodovia BR-324, rumo a Salvador/BA distante ainda uns 90km.

Uns 50km antes parei num posto para tomar um refrigerante e comer algo. Lá um senhor me ajudou ao indicar o trajeto que deveria fazer para chegar a uma concessionária Suzuki em Salvador/BA.

Cheguei a capital baiana as 14:15h e segui por uma movimentada avenida, conhecida por Bonoco, até avistar o estádio da Fonte Nova, onde dobrei a direita. Fui me guiando pelas placas com sentido ao dique Tororó. Parei num posto para perguntar sobre o caminho. Contornei o outro sentido do dique. Pedi mais ajuda a um senhor e entrei num bairro com casas extremamente simples e com muitas pessoas nas ruas. Parei para perguntar mais uma vez. O senhor disse que mais fácil que achar a loja daquele ponto era impossível. Cheguei a avistar a loja, mas como toda cidade grande fazer um retorno não é tarefa das mais fáceis, tive que andar várias quadras para conseguir retornar.

Finalmente encontrei a Gonçalves Motos, onde parei para trocar o pneu traseiro (já bem gasto), o óleo e o filtro de óleo.

O pessoal me atendeu muito bem, principalmente o chefe da oficina o Daniel e o dono o sr. Gonçalves. A oficina estava bem movimentada e quase não pude ser atendido no dia, mas o sr. Gonçalves disse que os viajantes tem prioridade.

Conheci alguns motoqueiros, em especial o Wilton, de Camaçari/BA. Que faz parte do motoclube “Os Leões Estradeiros do Pólo”, e inclusive se eu não ficasse ali em Salvador/BA poderia ir para sua casa.

Enquanto esperava pelo atendimento, liguei para Durval e Cristiano, meus amigos que moram em Salvador/BA, para avisar que tinha chegado. Consegui falar apenas com o primeiro, que me passou seu endereço e tentou me explicar como chegar em seu apartamento.

Quando finalizaram a minha moto era quase seis da tarde de uma terça-feira (diga-se horário de pico em qualquer lugar).

Fui acompanhando um motoqueiro (Maurício) que trabalha na Suzuki, até uma parte do caminho para o apartamento do meu amigo Durval, que reside no bairro Pituba em Salvador/BA.

Foi uma loucura seguir uma moto pequena e cruzar entre os carros neste horário. Maurício me deixou na entrada de um supermercado, então resolvi usar a mesma tática do Rio de Janeiro/RJ, pedi para um taxista me guiar até o endereço desejado.

Às sete horas da noite estava esperando na portaria do prédio a chegada do meu amigo. Fiquei conversando e fazendo amizade com o pessoal da portaria enquanto isso.

Estava atualizando o diário, quando uma moça (Daniele) chegou cumprimentando-me. Achei um pouco estranho, e logo ela se apresentou dizendo que era a esposa de Durval. Fiquei bem surpreso, pois não sabia que ele estava casado novamente.

Subimos para o apartamento, conversamos um pouco, e eu fui tomar banho antes da chegada de meu amigo.

Quando Durval chegou, batemos um papo, enquanto Dani se arrumava para sairmos. Passeamos, de carro, pela cidade, passamos pelo Pelourinho para buscar outras duas amigas da Dani, a Cláudia (de Macau) e a Carol (de São Paulo), muito simpáticas e extrovertidas.

Fomos jantar numa “Creperia” chamada “Mariposa”. Passeamos um pouco mais pela orla da cidade, fomos até o Farol da Barra, e outros lugares no Centro Histórico da cidade.

Depois de mais um incrível dia viajando, finalmente havia chegado ao meu destino final, Salvador/BA. Estava muito contente, reencontrei meu velho amigo Durval e conheci a fantástica Dani!

8º Dia – 16/07/09 – Salvador/BA / Pelourinho (41km)

Seguindo orientações do Durval, fui até o Pelourinho, no Centro Histórico da primeira capital brasileira. O caminho pela orla é bem sinalizado. O trânsito bem movimentado, o que deixa a situação um pouco tensa, mas já estava me acostumando.

Pouco antes de chegar ao Pelourinho, a chuva me surpreendeu. No caminho um motoqueiro me guiou até um lugar no Terreiro de Jesus, onde ele conhecia um guardador. A primeira intenção era deixar num estacionamento particular, que acabei por recorrer depois.

Ao perguntar sobre o lugar, guardador resolveu bancar o guia “clandestino”, e insisti que não precisava, ele incomodou tanto que eu consenti, e pressentia que teria de “contribuir” com aquela ajuda.

Foi um “tour” muito rápido, já que o “guia” tinha que fazer o serviço rapidamente. Começamos pelo Terreiro de Jesus, Largo do Pelourinho, onde fica a casa de Jorge Amado e Michael Jackson gravou um de seus clipes, passamos num museu e conheci seu interior, atravessamos a Praça da Sé (onde tirei uma foto com as baianas) até chegar ao elevador Lacerda.

Voltamos para a moto e a “contribuição” para o “guia”, sem maiores comentários, parecia um assalto.

Peguei a moto e deixei num estacionamento particular, assim como deveria ter feito desde a primeira vez.

Voltei ao Pelourinho, e recomecei o passeio, desta vez passeando mais tranqüilamente.

Fui até o elevador Lacerda, paguei R$0,05 (cinco centavos de Real) de tarifa pela viagem de 22 segundos da Cidade Alta para a Cidade Baixa, e fui até o Mercado Modelo.

Pelourinho significa coluna de pedra que possuía um pendente de bronze ou ferro, utilizada para açoitar os condenados (criminosos e escravos faltosos) em praça pública. Em Salvador os pelourinhos foram erguidos em pontos como o Terreiro de Jesus e nas atuais praças Thomé de Souza e Castro Alves. Acabou cedendo seu nome ao conjunto histórico e arquitetônico deste local, onde existem mais de 800 casarões dos séculos XVII e XVIII e várias igrejas que preservam o estilo colonial português. Além disso é declarado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.

O Elevador Lacerda foi inaugurado em 1873, planejado e construído pelo comerciante Antônio Francisco Lacerda. Que liga a Cidade Alta (Praça Thomé de Souza) à Cidade Baixa (Praça Cayru). O elevador têm capacidade para transportar 128 pessoas e opera 24 horas por dia.

Mercado Modelo foi construído em 1861, onde os navios atracavam e descarregavam as mercadorias (dentre elas, os escravos). Em 1971, passou a funcionar como alfândega, e em 1984 foi reformado após um incêndio. Hoje conta com mais de 250 boxes com uma grande variedade de mercadorias, além de restaurantes e bares com bebidas e pratos típicos.

Segui caminhando com direção a Igreja do Bonfim, mas pela distância (6,4km) resolvi desistir, e estava chovendo, o que não deixava o passeio muito agradável.

Voltei ao Mercado Modelo, passeei um pouco mais por seus corredores cheios de artigos e souvierniers para os turistas. Resolvi comprar umas camisetas e retornei ao elevador e para a Cidade Alta.

Fotografei e circulei um pouco mais pelo centro histórico, passeei pelo Plano Gonçalves (que descobri por acaso). Tomei um café expresso e voltei para o estacionamento.

Segui até a orla e farol da Barra, um lugar muito bonito. O tempo resolveu ajudar um pouquinho, e o passeio ficou bem mais agradável.

Fui seguindo pela orla, passei pelo morro do Cristo, Praia da Ondina, Praia da Amaralina e Praia de Pituba, onde resolvi parar e tentar encontrar novamente o apartamento (desta vez sozinho).

À noite, eu e Durval, fomos até uma barraquinha de acarajé. No sul do Brasil pela sua popularidade seria como uma barraquinha de cachorro quente.

9º Dia – 17/07/09 – Salvador/BA / Orla norte e Igreja Bonfim (99km)

Após a chuva passar, segui pela orla rumo ao norte passando pelas praias Jardim de Alá, Armação, Boca do Rio, Jaguaribe, Pituaçú, Pietã, Itapoã e Ipitanga.

Voltando rumo Salvador/BA, tomei um refrigerante na praia do Flamengo. Em Itapoã, fui até o farol e depois passei na praça Vinícius de Moraes.

Num posto de combustível em frente a praia Jardim de Alá, abasteci a moto e fiz um lanche, isso já eram 13:30h.

Segui para a igreja do Bonfim e ao forte Mont Serrat, ambas na Cidade Baixa.

Voltei para a Cidade Alta e fui passeando pelas ruas de Salvador até o farol da Barra, ficando por ali uma hora, só observando o movimento.

Fui para o apartamento, tomei um banho. E saímos (Eu, Durval e Dani), no meu caso para experimentar um avatá e depois fomos a um barzinho onde comi pela primeira vez caranguejo e uma espécie de ostra chamada de lombadinha.

Outro amigo, Cristiano, que conheci na viagem ao Ushuaia, também nos encontrou por lá.

Foi uma noite muito legal!

10º Dia – 18/07/09 – Salvador/BA – Montes Claros/MG (1001km)

Neste dia acabou a moleza, era o início da viagem de regresso. Tomei café com o Durval, e ele me deu algumas dicas para sair da cidade. Despedi-me de Durval e Dani, e segui para a estrada.

Seguindo as placas foi fácil encontrar a saída para a BR-324 rumo a Feira de Santana/BA, a cidade portal do Sertão.

Num trecho à frente a estrada estava bloqueada, por causa de um acidente. Um ônibus havia perdido o controle e saiu da pista. Para minha sorte esperei apenas uns dez minutos a liberação da rodovia.

Em Feira de Santana/BA, às 8:45h, acessei o trevo para a BR-116, e segui para o sul, atravessando uma região de caatinga.

Em Milagres/BA às 10:30h e após 248km percorridos no dia, fiz o primeiro abastecimento do dia, e tomei um lanche.

Em Vitória da Conquista/BA às 14:20h fiz outro abastecimento e depois de rodar uns 70km dali, a moto começou a falhar em rotações mais altas, fiquei muito preocupado tentando diagnosticar o problema.

A possibilidade mais aceita era a qualidade do combustível. A suspeita maior era a de gasolina “batizada” posta no posto de Vitória da Conquista/BA.

Continuei a viagem muito preocupado com as falhas que hora ou outra ocorria.

Acessei a rodovia BR-251 rumo a Salinas/MG e Montes Claros/MG. Um pouco mais a frente um grande susto, eu caí numa “cratera” no meio da pista, foi uma sonora pancada, mas felizmente sem cair.

Em Salinas/MG, abasteci novamente para tentar melhorar, diluir, o combustível ruim. E dali resolvi seguir os 220km até Montes Claros/MG, o detalhe era o horário 17:15h, ou seja, parte da viagem seria a noite.

A 150km do meu destino, a viagem seguiu pela noite, por uma região com alguns vilarejos não convidativos a se hospedar. Até que finalmente às 20:30h cheguei à cidade. Instalei-me e fui jantar ao lado do hotel.

11º Dia – 19/07/09 – Montes Claros/MG – Barretos/SP (845km)

Completei o nível de óleo da moto, e terminei de ajeitar as malas. E descobri que no valor da diária (R$25,00) estava incluso o café da manhã, claro aproveitei.

Abasteci a moto, num posto em frente ao hotel, e segui até a rodoviária e trevo de acesso à BR-365.

O começo da viagem foi tenso. A moto voltou a falhar, quando atingia determinada rotação. Estava muito apreensivo, não acreditava que aquele combustível adulterado ainda fazia efeito no rendimento da moto.

Fui seguindo com muita preocupação. Passando pelo trevo de acesso a Jequital/MG a moto começou a falhar ainda mais, decidi parar no próximo posto e tentar verificar algumas coisas, incluindo as velas, que a essas alturas havia passado a desconfiar delas também.

Em Guaicuí/MG verifiquei as velas e estavam boas, analisei o restante da moto e nada. Parecia uma caixa preta, não aparentava nada errado.

Resolvi arriscar, e seguir até onde fosse possível. O interessante disso tudo é que isso sempre acontece em dias impróprios como um domingo, e não se tem nenhuma oficina aberta.

Em Pirapora/MG abasteci novamente para ver se resolvia. Passando por Buritizeiro/MG a moto já não falhava mais, somente estava um pouco chocha.

Após Buritizeiro/MG, passei por um acidente, um caminhão tombado e mercadoria para todos os lados.

Ao passar pelo cruzamento das BR’s 365 e 040, meu mapa indicava estrada precária, mas para minha sorte havia apenas alguns pontos com remendo.

Em Patos de Minas/MG, num complexo de posto e restaurante, fiz mais um abastecimento e aproveitei para comer duas coisas obrigatórias, em se tratando de Minas Gerais, pão de queijo e pamonha.

Poucos quilômetros antes de Patrocínio/MG acessei o trevo para Serra do Salitre/MG e Araxá/MG. A estrada estava um tapete, era simples e com várias curvas. Um trecho bem legal.

Adiante a ponte sobre o Rio Quebra Anzol estava em reforma, o que obrigou a passar por um desvio.

Acessei a BR-262 rumo a Uberaba/MG, onde a Suzi completou seus primeiros 100mil km.

Cheguei na entrada de Uberaba/MG, às 16:27h, fiz outro abastecimento e segui rumo a divisa de estados Minas Gerais-São Paulo.

Do trecho inicial do estado paulista até encontrar a rodovia SP-425 (Assis Chateaubriand), estava muito irregular, depois voltou a ficar ótimo e pude seguir tranquilamente ao lado de extensos canaviais.

Cheguei junto com a noite em Barretos/SP, onde resolvi pernoitar. Parei num posto para abastecer e comprar um litro de óleo. Conheci o Nelson, dono do posto e de uma Ducati Monster 4, que me indicou um bom e barato hotel.

Uma cena engraçada foi quando ele me pediu o valor do hodômetro da moto para anotar na nota fiscal. Quando disse um valor muito baixo, Nelson estranhou dizendo que não era o valor do hodômetro parcial. Então pedi para ele mesmo ver na moto se eu não estava dizendo a verdade. O detalhe é que ele deveria considerar o dígito “1” dos cem mil já rodados e que a moto não dispõe.

No hotel esperei pelo recepcionista retornar, para acertar a diária e me instalar.

Tomei meu banho e fui jantar.

Um detalhe interessante de Barretos/SP, a capital nacional do rodeio, é que suas ruas não recebem nomes, e sim números. E elas são alternadas uma vai para um sentido e a próxima para o outro.

12º Dia – 20/07/09 – Barretos/SP – Cascavel/PR (890km)

Depois de repetir o ritual de preparação da moto pela última vez nesta viagem, fui ao restaurante dos mesmos donos do hotel, onde era servido o café da manhã.

Segui rumo a São José do Rio Preto/SP, pela rodovia SP-425, até encontrar o caminho para Lins/SP já na rodovia BR-153. Passei pelo rio Tietê, que neste ponto é bem bonito e não tem o aspecto da má fama.

Passei por Lins/SP e antes de Marília/SP havia a movimentação de outro acidente, que não consegui identificar o que havia acontecido. Eram 10:25h abasteci a moto, e resolvi mudar meu plano inicial que era seguir direto para Londrina/PR e sem passar em Cornélio Procópio/PR, casa dos meus pais. Passei por Assis/SP, e quando entrei no Paraná, mudei o rumo para Cornélio Procópio/PR, e aproveitei para visitar minha família e almoçar a comida da mãe (isso é muito bom).

Foi uma parada curta, apenas para dar um oi para minha família, almoçar e às 13:00h estava partindo rumo a Cascavel/PR.

Este dia foi como se tivesse feito duas viagens em uma só, na qual a primeira era a parte que eu não conhecia e a outra muito bem.

Cheguei em Cascavel/PR, por volta das sete da noite, passei no posto Fórmula 1 para rever meus amigos (Chico, Valdecir, Mané, Beto, Clayton, Leocádio) e comer algo.

Finalmente missão cumprida e mais 6690km de estrada!!!

FIM

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

• Guia Quatro Rodas Praias 2002

• Guia Quatro Rodas Rodoviário 2007

http://www.maps.google.com.br

http://www.paraty.com.br

http://pt.wikipedia.org

http://www.saltur.salvador.ba.gov.br

http://www.ilheusdabahia.tur.br

http://www.feriasbrasil.com.br

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